Ministra confirma mais agrotóxicos e culpa desinformação

Um dos temas mais polêmicos dos últimos dias foi a liberação de novos agrotóxicos. Em entrevista para a CBN Campo Grande, na manhã de ontem (24), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que o tema está sendo comentado sem conhecimento e que novos produtos serão autorizados. Durante a conversa com o jornalista Otávio Neto, ela contou ainda que uma nova viagem para a China já está programada; ela também celebrou a abertura das exportações de leite do Brasil para o país asiático.

“Falar sobre os defensivos agrícolas tá na moda, a imprensa tá batendo sem saber o que tá falando. É um assunto extremamente técnico, nós estamos liberando exatamente o que foi liberado no passado e vamos continuar liberando. Vai ter mais liberação, sim, temos mais de mil produtos com o pedido de registro na fila. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nunca mudou a sua maneira de estudar, os técnicos agrícolas têm um trabalho seriíssimo nesse quesito”, disse ela sobre as últimas polêmicas.

Já a respeito da utilização de novas e mais perigosas moléculas, ela destacou que os produtos em sua maioria já estavam sendo utilizados. “A maioria desses produtos é genérica e as moléculas já estavam sendo utilizadas. Com isso, a gente tem apenas um menor custo e o produto fica mais barato. Não é verdade que o Brasil utiliza mais agrotóxicos que o mundo; imagina se o Brasil pode ser um dos grandes exportadores se tivéssemos resíduos acima do normal – com certeza não estaríamos exportando. Esse terrorismo que estão fazendo com a sociedade é muito ruim”, lamentou.

Segundo a ministra, a pior praga que existe é a desinformação e destaca que o Brasil não pode ser comparado com os Estados Unidos, pois têm condições diferentes, daí a necessidade de se utilizar produtos distintos. “Temos mais 30 moléculas que precisam ser liberadas e no resto do mundo já são. Na Europa, por exemplo, utilizam algumas que não usamos aqui, o nosso clima é diferente, o sol, o inverno, não podemos comparar coisas diferentes. Existe muita radicalização e desinformação; pra mim a pior praga é a falta de informação”, afirma.

A busca por novos mercados continua

Surpresa, a ministra destacou que a habilitação dos estabelecimentos lácteos revela a criação de um canal de comunicação estreito com a China. “Estive na China em maio, vou voltar agora dia 18 pra lá. Para mim, essa resolução foi uma surpresa muito agradável. O Brasil produz 600 milhões de toneladas por ano e a China importa 800 milhões. Então, eu acho que essa é uma grande oportunidade e vai equilibrar o mercado brasileiro. Hoje, vivemos às turras com o Mercosul porque o Uruguai e a Argentina exportam para o Brasil o leite em pó produzido lá, que eu ainda tenho algumas dúvidas de se realmente eles estão produzindo lá, e o preço aqui vai lá embaixo. Hoje, o produtor de leite vive um momento péssimo, R$ 0,30 a menos no litro e isso quebra qualquer um. Então isso mostra que a gente realmente abriu esse canal de comunicação com a China e estamos criando novamente a credibilidade que o Brasil tinha perdido, tô voltando lá para tratar de muitas outras áreas e temos uma baita possibilidade de exportar também o queijo, então olha como as coisas às vezes dão certo”, explica.

Destaque mundial de turismo, Bonito sediará encontro de ministros do Brics

Vivendo um momento de exposição no mundo, Bonito sediará um encontro entre os ministros de Agricultura dos países do Brics. “O encontro dos ministros de Agricultura do Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul acontecerá em Bonito, isso já está confirmado. Estivemos semana passada em reunião com os vice-ministros de todos esses países, onde já vimos a pauta dos assuntos que serão tratados, e estamos fazendo toda a prospecção de hospedagem e queremos mostrar que MS produz com sustentabilidade, temos uma agricultura moderna e segura, vamos poder levar pro mundo o nosso MS através de Bonito.”

Tarifa de importação do vinho cairá

Reflexo das negociações com outros mercados, o governo reduzirá em oito anos a tarifa de importação de vinhos. “Esse acordo foi fantástico, temos um dever de casa a ser feito, precisamos melhorar nossos vinhos, mas temos aí uns dez anos pela frente para adaptar todo o nosso setor. Temos agora de fazer com que o pequeno produtor de vinho, que tá na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, ganhe dinheiro. Temos de reduzir os impostos internamente, para torná-los aptos a entrarem nessa concorrência. Em oito anos começam a cair as tarifas de importação, então vamos ter vinhos franceses, espanhóis e o consumidor daqui comprará vinho mais barato, e daqui a dois anos podemos falar que as tarifas começam a cair proporcionalmente”, comenta.

Sem informações dos frigoríficos de MS

A ministra ressaltou que fiscalizações dos frigoríficos, feitas pela China, estão sendo realizadas por videoconferência, mas “não soube” informar se algum frigorífico de Mato Grosso do Sul está entre os habilitados.

“Temos uma lista com 30 frigoríficos e não sei se tem algum. Na verdade, procuro nem saber, mas eu acho que nós temos, sim, alguns que se credenciaram. Temos com a China um protocolo que obriga uma missão chinesa a vir aqui para fazer a avalização dos nossos frigoríficos, dada essa empatia que abrimos com a China esse canal de credibilidade; olhando no olho e falando a verdade conseguimos fazer esse mesmo procedimento por videoconferência, já fizemos quatro com aves e suínos e preparamos os frigoríficos com uma câmera andando e vamos mostrando, ali, e aqui, conforme o pedido, e até o momento não obtivemos ainda a resolução disso, mas entre hoje e amanhã os próximos frigoríficos de carne bovina devem ser vistoriados.”

Sobre as mudanças proporcionadas pelo Selo Arte, lançado na semana passada pelo ministério, Tereza Cristina afirmou que o maior ganhador é o consumidor interno. Ela também ressaltou que a responsabilidade dos gestores regionais com os incetivos é decisiva para o sucesso. “Os queijos artesanais poderão ser vendidos para outros estados brasileiros, e depois deles os embutidos de carne como os salames, e isso tudo dentro dos estados brasileiros. O produtor precisa estar nos conforme, os municípios vão precisar ajudar e apoiar esse pequeno produtor, o serviço de inspeção precisa funcionar. Feito isso, ele tem um mercado imenso a ser explorado”, finaliza.

 

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