Marquinhos afasta concorrentes das eleições em 2020

O ano eleitoral ainda está distante, mas os movimentos de campanha eleitoral já começaram. O prefeito Marquinhos Trad (PSD), candidato a reeleição é quem está mais ativo, mobilizando esforços e articuladores na construção de um cenário que lhe seja o mais confortável possível no ano que vem. E o seu trabalho já permite perceber resultados em duas frentes.

 A primeira delas é a aliança com o PSDB, que lhe asseguraria respaldo e fôlego em vantagem na relação com seus potenciais adversários, já que estariam juntas as duas maiores máquinas administrativas. E a outra frente é a da remoção de adversários do caminho, fazendo reduzir o número de potenciais adversários.

No caso da aliança com os tucanos, há pouco o que discutir por agora. Tanto Marquinhos quanto Reinaldo já deixaram claro que desejam um entendimento. E já deixaram claro também que só vão tratar disso no ano que vem. Questões como composição da chapa majoritária, a patir da escolha do vice e composições futuras envolvendo secretarias e a eleição de 2022, não serão antecipadas. É uma costura complicada, mas da qual nem Marquinhos, nem Reinaldo escapam.

Mas é na frente da remoção dos candidatos que o trabalho é mais intenso. No inicio do ano Marquinhos conseguiu um lance decisivo nesse trabalho, ao tirar da frente o pré-candidato Odilon de Oliveira. O ex-juiz, que tinha acabado de disputar o Governo chegou a ser apontado como favorito em algumas pesquisas, mas antes mesmo de começar a ser cortejado por outras legendas, anunciou seu apoio a Marquinhos, afastou a possibilidade de disputar a prefeitura de Campo Grande e viu ser indicado para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico o seu principal articulador, Herbert Assunção.

A partir dessa manobra de grande efeito, não lhe tem difícil encaminhar entendimentos com o PSB de Ricardo Ayache que assumiu a presidência regional da legenda falando em estrutura-la pelo Estado mas não demorou a garantir publicamente que não será candidato a prefeito de Campo Grande. Mais um potencial candidato que sai da lista.

Mais recentemente o deputado estadual Capitão Contar (PSL), que sempre foi cotado pelo partido para entrar na disputa, passou a fazer ressalvas e a se poupar de especulações. Ainda que o partido insista na tese da candidatura própria, está nos planos do PSD com um acordo. Mas quem deve conduzir esse entendimento, e nas instâncias superiores dos dois partidos, é o senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

Credenciais para isso não lhe faltam, pois, como presidente da Comissão de Relações Exteriores, conduzirá pessoalmente o processo de indicação do deputado filho do presidente da República e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Nelsinho pode cuidar também da aproximação com o procurador Sérgio Harfouche, atualmente apontado como virtual candidato por várias legenda, inclusive o MDB. Atuando como colaborador do governo federal no Ministério da Cidadania, já passou a falar em candidatura independente e sem partido, algo fora de cogitação considerando a Lei eleitoral, ficando assim passos mais próximos de um eventual entendimento que o retire da lista de pré-candidatos.

Nessa manobra há ainda um efeito colateral da aproximação com o Governo do Estado que removeu sua principal concorrente em potencial, deputada federal Rose Modesto (PSDB- -MS) que, insistindo em se candidatar, perdeu espaços e hoje está praticamente isolada no ninho tucano. Rose continua presente nas especulações, mas alternativas lhe são cada vez mais arriscadas, pois exigiriam que mudasse de partido, o que põe em risco o seu mandato.

Com cada vez mais adversários a menos, Marquinhos aumenta apenas o risco de ter uma eleição polarizada com quem encarnar a oposição. Mas, tendo removido adversários do porte de Odilon de Oliveira e Rose Modesto, pode entender que o risco está valendo a pena. (Guilherme Filho)

 

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