Judoca sul-mato-grossense fica fora de Tóquio por uma lesão

Atleta
Divulgação

Quando Michele Ferreira começou no esporte por meio de um projeto social em Campo Grande, ela não imaginava que o judô se tornaria sua vida. Diagnosticada com toxoplasmose congênita, a sul-mato-grossense tem baixa visão, o que não a impediu de se tornar uma paratleta de alto rendimento e trazer para casa duas medalhas olímpicas para o Estado. Por causa de uma lesão no joelho, a judoca ficou de fora de Tóquio, mas nesta última reportagem especial sobre as olimpíadas, o jornal O Estado conta sua história.

Com 19 anos Michele conheceu o esporte. O Ismac (Instituto Sul-Matogrossense para Cegos Florivaldo Vargas) oferecia iniciação esportiva e, por meio de um projeto na Vila Carvalho, dava aulas de judô. O programa funcionava como um experimento para pessoas cegas e o treinamento acontecia junto aos atletas regulares. Michele nunca havia tido contato com a modalidade antes, mas achou que seria uma boa ideia.

E que ideia. O esporte era uma novidade para ela, havia tentado praticar goalball, mas não lhe fez brilhar os olhos. Foi o judô que a conquistou. Na época, o projeto era o único lugar na cidade que tinha o incentivo ao esporte para pessoas com deficiência visual de forma gratuita. Michele agarrou a oportunidade.

Na época que iniciou no esporte, Michele lembra que foi na época dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, o que a impulsionou a se dedicar mais para realizar um novo sonho: participar de uma paralimpíada. A carreira da atleta foi crescendo rápido. Já em 2005 participou do seu primeiro campeonato e logo após ingressou na Seleção Brasileira Paralímpica de Judô. “No começo, eu nem sabia que existiam jogos para pessoas com deficiência, fui descobrindo as coisas conforme elas iam acontecendo”, aponta a atleta.

Atualmente, Michele tem apoio do governo do Estado por meio da Bolsa Atleta da Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer), mas, quando iniciou no judô, não havia ajuda alguma.

Segundo a judoca, como era quase impossível fazer os empresários abrirem os bolsos para financiar as viagens para os campeonatos, ela pedia ajuda com treinamento em academias gratuitas, entre outros tipos de auxílio.

Embora a ajuda financeira fosse curta, o apoio da família e dos amigos próximos sempre foi imenso. Seus pais não conheciam muito sobre a modalidade, mas sabiam que era o que fazia a filha feliz, então sempre a incentivaram. Seus professores e colegas de treino estavam ao seu lado em todos os momentos também, e foi essa força que a impulsionou em direção à sua primeira paralimpíada.

Pequim 2008 foi sua estreia. O sonho concretizando se misturou com a pressão que ela mesma criou de se sair bem na competição. “Foi uma novidade muito grande, eu nunca havia saído do meu Estado, e estar na China, competindo em nome do Brasil, foi incrível. Mas existia uma pressão muito grande, então eu tive de ser resistente, relembra Ferreira.

Nem nos seus maiores sonhos, a judoca esperava o que aconteceu em sua primeira paralimpíada: subir no pódio e trazer a medalha de bronze para casa.

Após o bronze, foi momento de Michele realizar um novo sonho, o de ser mãe. A judoca sempre quis ter um bebê, e, entre as paralimpíadas, pareceu ser um bom momento. Emily nasceu em 2009 e após dez meses já estava novamente no tatame e em 2010 voltou para a seleção brasileira. “Não foi fácil, tive de ranquear novamente, competir no Campeonato Brasileiro, me sair bem no parapan, para pontuar e conseguir ser convocada para Londres”, destaca a paratleta.

Michele aponta que seu bom desempenho no esporte após o nascimento de sua filha só foi possível pelo apoio de sua família. Ela conta que a avó paterna de Emilly foi fundamental para que ela pudesse conciliar a vida de atleta e de mãe. “Sempre tive o apoio deles. No primeiro ano de vida dela, foi quando eu mais precisei de ajuda”, comenta. (Ellen Prudente)

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