Mudanças no estilo de vida impulsionam empreendimentos com áreas compartilhadas, espaços de convivência e soluções que aproximam atividades do dia a dia dentro do próprio condomínio
A forma de morar nas cidades está passando por uma transformação. Com o avanço do trabalho híbrido, os deslocamentos mais longos e a busca por praticidade, os condomínios deixaram de ser apenas locais de descanso e passaram a concentrar diferentes atividades da rotina, como trabalho, lazer, exercícios, convivência e cuidados com animais de estimação.
A casa e os espaços ao redor dela ganharam novas funções. Em muitos empreendimentos, áreas comuns como coworking, academias, lavanderias, espaços gourmet, pet places e ambientes de convivência passaram a fazer parte da experiência de morar, reduzindo a necessidade de deslocamentos e oferecendo mais comodidade aos moradores.
Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram essa mudança no perfil habitacional brasileiro. Atualmente, 12,5% da população vive em apartamentos e outros 2,4% em casas de vila ou condomínios, totalizando cerca de 14,9% dos brasileiros em moradias condominiais.
Em 2010, os apartamentos representavam 8,5% da população. O crescimento desse modelo acompanha mudanças no cotidiano urbano, marcado por menos tempo disponível, trânsito intenso e novas formas de organização do trabalho.
Segundo o professor Henrique Rossi Otto, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, a arquitetura residencial passou a tratar o condomínio como uma extensão da própria cidade.
“Hoje, acessar ambientes bem planejados e diversificados tende a ser mais relevante do que manter áreas amplas e pouco utilizadas. Nesse contexto, o morador busca, sobretudo, praticidade, eficiência e integração à rotina”, explica.
Mais serviços, menos espaço dentro de casa
Uma das principais mudanças está no equilíbrio entre área privativa e espaços coletivos. Em apartamentos menores, a tendência é que a unidade seja mais direcionada ao descanso, enquanto as áreas comuns ganham protagonismo como locais de convivência, trabalho e lazer.
Para o especialista, porém, esse modelo exige atenção. A redução do espaço interno não pode comprometer aspectos essenciais da moradia, como privacidade, conforto e autonomia.
“Quando a unidade se torna pequena demais, há o risco de reduzir a moradia a um espaço apenas funcional, insuficiente para atender a necessidades essenciais como privacidade, recolhimento e autonomia”, afirma.
A dependência dos espaços compartilhados também pode gerar desafios. Ambientes como coworking, academias e lavanderias precisam ser planejados de acordo com o número de moradores para evitar problemas de disponibilidade e uso.
Na prática, um condomínio com ampla estrutura pode oferecer mais conveniência, mas precisa de planejamento para que as áreas coletivas realmente atendam às necessidades dos moradores.
Arquitetura busca equilíbrio entre praticidade e conforto
Com imóveis cada vez mais compactos, soluções arquitetônicas ganham importância. Integração de ambientes, móveis multifuncionais, melhor aproveitamento da iluminação natural, ventilação adequada e plantas mais inteligentes são estratégias para ampliar o conforto dentro dos apartamentos.
Na escolha de um imóvel, a metragem deixou de ser o único fator de decisão. Além do tamanho, moradores passaram a observar a qualidade da planta, circulação dos ambientes, isolamento acústico, custos de condomínio e infraestrutura disponível na região.
Mais do que oferecer tudo no mesmo lugar, o desafio dos novos modelos de moradia é equilibrar praticidade, convivência e qualidade de vida.
A tendência mostra que os condomínios estão se tornando espaços cada vez mais completos, mas a arquitetura ainda precisa responder a uma questão central: como criar ambientes eficientes sem abrir mão do conforto, da privacidade e da sensação de lar.
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