Combate à violência doméstica chegará dentro das escolas de Campo Grande e Ponta Porã

Foto: Divulgação
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Projeto “Clarisse me disse” atenderá mais de 300 estudantes, terá formação de professores e distribuirá 2 mil livros sobre prevenção e relações abusivas

A prevenção à violência contra a mulher começa a ganhar espaço nas escolas de Campo Grande e Ponta Porã. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul lançou nesta segunda-feira (31) o projeto “Clarisse me disse”, que utiliza livros, teatro, conversas e atividades lúdicas para ensinar crianças a reconhecer situações de violência e compreender a importância do respeito nas relações.

Nesta primeira fase, mais de 300 alunos de dez escolas municipais participarão das atividades. As unidades foram escolhidas pelas Secretarias Municipais de Educação dos dois municípios e estão localizadas em regiões de maior vulnerabilidade social. O acordo firmado para a execução do projeto prevê ainda a distribuição de 2 mil exemplares do livro que deu origem à iniciativa.

A cerimônia aconteceu no Salão Pantanal do TJMS e teve a participação da juíza Caroline Costa de Camargo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autora da obra. A iniciativa é coordenada pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar e encerrou as ações do Agosto Lilás promovidas pelo tribunal.

A ideia é apresentar o tema de forma adequada ao público infantil e mostrar que a violência não aparece somente quando ocorre uma agressão física. Atitudes como ameaças, humilhações, gritos e controle também podem fazer parte de relações abusivas.

Para colocar a proposta em prática, os professores das escolas participantes serão capacitados pela Coordenadoria da Mulher. A formação deverá prepará-los para desenvolver as atividades previstas, conversar com os estudantes sobre o assunto e identificar possíveis situações que necessitem de atenção ou encaminhamento à rede de proteção.

Durante o lançamento, o vice-presidente do TJMS, desembargador Eduardo Machado Rocha, ressaltou que casos graves de violência costumam ser precedidos por outros comportamentos abusivos. Segundo ele, trabalhar esses sinais ainda na infância pode contribuir para interromper ciclos que se repetem ao longo das gerações.

A coordenadora Estadual da Mulher, desembargadora Sandra Artioli, também defendeu a educação como instrumento de prevenção. Para ela, levar a discussão às escolas significa investir na formação de crianças e adolescentes para que desenvolvam relações pautadas pelo respeito.

A autora do livro, Caroline Costa de Camargo, destacou que o projeto amplia o campo de atuação do Judiciário. Em vez de aparecer apenas quando a violência já resultou em uma denúncia ou processo, a Justiça passa a participar de uma ação preventiva dentro das escolas.

A proposta, segundo a magistrada, é utilizar o ambiente escolar para discutir comportamentos abusivos e estimular relações mais saudáveis antes que situações de violência se agravem.

O projeto também terá uma frente voltada às crianças indígenas. O livro foi traduzido para o guarani-kaiowá, permitindo que a mensagem de prevenção alcance estudantes da região de fronteira que utilizam o idioma.

A iniciativa foi formalizada por meio de um Termo de Cooperação Técnica envolvendo o Tribunal de Justiça, as prefeituras de Campo Grande e Ponta Porã e o Governo de Mato Grosso do Sul.

Assinaram o documento a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes; o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos; e a primeira-dama de Mato Grosso do Sul, Mônica Riedel. A juíza diretora do Foro de Ponta Porã, Thielly Pithan, também participou do lançamento.

Com livros e atividades dentro das escolas, o projeto pretende transformar a prevenção em uma discussão presente desde os primeiros anos de formação, levando crianças a identificar sinais de violência e compreender que comportamentos abusivos não devem ser normalizados.

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