Atletismo: Amor e Cura

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Atletismo salvou Fabrício da depressão e o fez campeão pan-americano, agora rumo às Paralimpíadas do Japão

Após conquistar ouro e bronze nos Jogos Parapan-Americanos de Lima em 2019 pelo atletismo, Fabrício Ferreira, de 23 anos, se prepara para a competição mais importante de sua carreira: as Paralimpíadas de Tóquio. O sul-mato-grossense se recuperou recentemente de três lesões, mas se sente pronto para conquistar o primeiro ouro olímpico.

Ferreira foi diagnosticado com estrabismo ainda criança, em razão da visão que piorava a cada dia. Junto com a família, se mudou para Balneário Camboriú, em Santa Catarina, em busca de um tratamento eficaz e acabou descobrindo o real sentido de não estar mais conseguindo enxergar como antes. A equipe médica descobriu que a mancha que estava atrapalhando sua visão era resultado da toxoplasmose, e por falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado poderia perder completamente a visão da noite para o dia.

Com o diagnóstico veio a depressão, e a preocupação por parte dos familiares. Fabrício era tudo para a mãe e a tia, que sacrificaram muitas coisas para verem o menino bem. “Esse início de depressão preocupou tanto a minha mãe, quanto a minha tia. Elas trabalhavam em um hospital e sempre revezavam os turnos para nunca me deixarem sozinho”, relembra o paratleta. 

Por algum tempo, Fabrício sentiu muito medo, pois, segundo os médicos, ele poderia acordar algum dia sem enxergar nada. “Eu sempre pensava, ‘será que amanhã eu vou acordar cego?’. Era tudo muito incerto e complicado entender aquilo tudo sendo tão jovem”, comenta.

O paratleta não deixou de enxergar de uma vez, foi um processo gradativo e atualmente consegue ver apenas 20%. A visão de Fabrício é bem deturpada, e ele conta que os médicos não sabem ao certo qual é seu grau, mas entendem como ele enxerga, pelo grande impacto que a doença causa.

Apresentação ao atletismo

Com o apoio e a ajuda da família, conheceu uma associação de deficientes visuais em Santa Catarina, onde foi apresentado ao atletismo. O esporte então se tornou sua reabilitação e terapia. O atletismo o ensinou a sonhar novamente e, por causa desse sonho, acabou conquistando o Campeonato Mundial, Pan- -Americano e, agora, segue em busca das Olimpíadas. “O esporte foi muito essencial para que eu começasse a entender que mesmo se eu ficasse literalmente cego, isso não atrapalharia minha vida de nenhuma forma, isso não me impediria de ter sonhos”, aponta ele.

Durante sua carreira, os empecilhos foram muitos. Entre os campeonatos e as medalhas, Fabrício passou por altos e baixos. “Às vezes pensava em desistir, em largar tudo, que não ia dar em nada, mas sempre minha mãe e minha ex-treinadora falavam: ‘Não! Vamos que dá para continuar, dá para evoluir’. Eu sempre tive esse apoio que acabava me ajudando a prosseguir”, comenta Fabrício.

(Confira a matéria completa na página B2 da versão digital do jornal O Estado)

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