O juiz Fernando Moreira Freitas da Silva concedeu liberdade provisória ao caminhoneiro de 49 anos preso em flagrante por atropelar e matar a esposa, Wandete Góis da Silva, de 58 anos, na BR-463, em Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande. A decisão foi tomada após a homologação da prisão em flagrante e estabelece uma série de medidas cautelares que deverão ser cumpridas enquanto a Polícia Civil conclui as investigações.
Na decisão, o magistrado destacou que não estavam presentes os requisitos para decretar a prisão preventiva. Segundo o juiz, nem a autoridade policial nem o Ministério Público solicitaram a conversão da prisão em flagrante para preventiva, o que motivou a concessão da liberdade provisória.
Apesar da soltura, o caminhoneiro terá de cumprir determinações impostas pela Justiça. Entre elas estão o comparecimento sempre que for convocado durante o inquérito ou eventual processo, apresentação à Justiça a cada dois meses para informar suas atividades, manutenção do endereço atualizado, proibição de deixar a cidade por mais de oito dias sem autorização judicial e recolhimento domiciliar diariamente, das 22h às 5h30.
O atropelamento aconteceu na noite de domingo (2), na altura do distrito de Sanga Puitã. Inicialmente, o caso foi tratado como um atropelamento com fuga do motorista. No entanto, a investigação tomou outro rumo depois que o próprio caminhoneiro procurou a delegacia para prestar esclarecimentos.
Durante a perícia, policiais identificaram que um caminhão estacionado nas proximidades apresentava avarias compatíveis com os fragmentos encontrados na rodovia, fortalecendo a suspeita de que o veículo havia atingido a vítima.
Conforme a investigação, o casal participava de uma confraternização em homenagem ao padroeiro dos caminhoneiros quando ocorreu um desentendimento. Após a discussão, Wandete deixou o local caminhando em direção à residência. No trajeto, acabou sendo atingida pelo caminhão conduzido pelo marido.
Em depoimento informal, o suspeito afirmou que a esposa teria se lançado na frente do veículo e disse que não percebeu o atropelamento, razão pela qual deixou o local sem prestar socorro. Já no interrogatório formal, ele optou por permanecer em silêncio. O caminhoneiro também recusou realizar o teste do bafômetro, embora testemunhas tenham relatado que ele consumiu bebida alcoólica durante a confraternização.
A Polícia Civil informou que, neste momento, o caso ainda não é tratado como um crime intencional. O inquérito segue em andamento, com diligências pendentes e a busca por imagens de câmeras de monitoramento que possam esclarecer a dinâmica do atropelamento. Até a conclusão das investigações, a principal questão a ser esclarecida é como ocorreu o acidente envolvendo o marido da vítima.
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