Leandro Moreira da Silva, de 35 anos, conhecido como “Zóio”, confessou à polícia ter atirado contra Karlos Eduardo Carvalho dos Santos, morto a tiros no dia 10 de agosto, no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande. Preso no fim da noite de terça-feira (18), no Bairro Nova Lima, ele alegou legítima defesa e disse que os disparos tinham como objetivo apenas assustar a vítima e os homens que a acompanhavam.
Durante o interrogatório, conduzido pelo delegado Erasmo Bruno de Mello Cubas, Leandro contou que caminhava pela rua com a esposa, que está grávida, quando foi abordado por quatro homens em um veículo. Segundo ele, o grupo teria ido até o local por causa da suspeita de furto de uma televisão.
Ainda conforme a versão apresentada pelo suspeito, Karlos tentou sacar um revólver, mas a arma caiu do veículo durante a discussão. Leandro afirmou que pegou o revólver calibre 32 e passou a segurá-lo.
O homem relatou que Karlos teria avançado em direção à sua esposa e, diante da situação, efetuou um primeiro disparo, que não atingiu o rival. Depois que Karlos começou a fugir, Leandro disse ter feito outros dois disparos “por cima”, alegando que queria apenas afastar os homens e não matá-los.
Após o crime, Leandro fugiu e escondeu a arma em uma sacola preta, deixada em um estabelecimento de reciclagem no Nova Lima. O revólver é da marca Smith & Wesson e estava com a numeração suprimida. O proprietário do estabelecimento afirmou que não sabia o que havia dentro do pacote.
Prisão
Conforme o boletim de ocorrência, equipes da Força Tática da 11ª Companhia Independente da Polícia Militar e do 9º Batalhão localizaram Leandro escondido no corredor de um imóvel vizinho.
A polícia havia recebido denúncias de que familiares de Karlos estavam procurando pelo suspeito na região do Nova Lima. Durante as buscas, os policiais conseguiram encontrá-lo.
A arma apontada como utilizada no crime também foi recuperada, com apoio do comerciante do estabelecimento onde havia sido escondida, e encaminhada para perícia.
Leandro permanece preso em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e está à disposição da Justiça. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias do homicídio.
Homicídio
Karlos Eduardo foi morto por volta da meia-noite de 10 de agosto. Mesmo baleado, ele ainda conseguiu correr por cerca de 1,2 quilômetro. A fuga terminou no cruzamento das ruas Doutor Fausto Pereira e Anita Garibaldi, onde ele caiu e morreu.
Na investigação inicial, uma testemunha entregou à polícia imagens de câmeras de segurança e reconheceu o veículo usado no crime. Também apontou Thiago Pereira Carrilho como responsável pelos disparos.
A esposa de um dos envolvidos contou aos policiais que Karlos havia estado na casa de Jackson Lins de Souza pouco antes do homicídio. Segundo o relato, os homens teriam saído juntos no mesmo carro.
Durante a abordagem do veículo, a polícia apreendeu cinco celulares. Dois pertenciam a Rodrigo Andrade de Oliveira, um a Thiago, um a Jackson e outro à própria vítima. A arma usada para matar Karlos não foi localizada naquele momento.
Os três homens foram presos em flagrante.
Em depoimento, Thiago negou ter cometido o assassinato. Ele afirmou que estava na casa de um primo quando Rodrigo passou de carro e o chamou para comprar cigarro. Na volta, segundo ele, o grupo foi abordado pelo Batalhão de Choque.
Rodrigo também negou participação no homicídio, mas confirmou que o Fiat Uno utilizado pelo grupo era dele e que estava dirigindo o veículo quando ocorreu a abordagem. Ele disse que havia saído para comprar cigarro com os outros dois homens e confirmou que conhecia Karlos.
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