Ex-militar baleado na cabeça teria sido confundido com irmão em guerra de facções em Campo Grande

Foto: Reprodução
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Um ex-militar do Exército, de 46 anos, foi baleado na cabeça na noite de quarta-feira (12), no Jardim Noroeste, em Campo Grande, e pode ter sido confundido com o próprio irmão, de 47 anos. A suspeita surgiu a partir do relato do irmão da vítima, que afirmou à polícia já ter integrado o PCC (Primeiro Comando da Capital) e estar em liberdade condicional.

Segundo o boletim de ocorrência, o irmão acredita que o ataque tenha sido ordenado pelo CV (Comando Vermelho), facção rival. A vítima estava sentada de costas para o portão da residência quando foi atingida.

Ainda conforme o registro policial, o ex-militar seria muito parecido fisicamente com o irmão e, por isso, pode ter sido confundido pelos autores. A cunhada encontrou o homem ferido e o socorreu inicialmente até o CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes.

Devido à gravidade dos ferimentos, ele precisou ser transferido para a Santa Casa. O tiro atingiu a cabeça e provocou perda de massa encefálica. O estado de saúde é considerado grave.

Conforme apurado pela reportagem, o irmão da vítima, natural de Corumbá, possui pena total de 31 anos e 4 meses e está em livramento condicional desde julho deste ano, após decisão da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande.

Entre os crimes que constam no histórico está um homicídio qualificado cometido em 1997, no Centro de Cuiabá (MT). Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, o homem estava acompanhado de outras pessoas em um ponto de ônibus quando teria iniciado uma discussão com um cobrador de táxi-lotação.

O episódio ocorreu em 24 de julho de 1997, por volta das 14h, na Rua 13 de Junho, ao lado do prédio dos Correios. Conforme a acusação, depois de ser orientado pelo cobrador a liberar a entrada dos passageiros, o homem sacou um revólver e efetuou cinco disparos. Quatro atingiram a vítima pelas costas.

Após o crime, ele fugiu para Campo Grande, onde acabou preso no 1º Distrito Policial e posteriormente foi levado de volta para Cuiabá. Em setembro de 1998, foi julgado pelo Tribunal do Júri e condenado a 16 anos de prisão em regime fechado.

Além da condenação por homicídio, o histórico criminal reúne outras penas por crimes como roubo e lesão corporal, que, somadas, ultrapassam três décadas de prisão. Depois de cumprir parte da pena em regime fechado e conseguir progressão para o semiaberto em agosto de 2017, o homem recebeu o benefício do livramento condicional em 7 de julho de 2026.

Entre as condições impostas pela Justiça estão a obrigação de comprovar ocupação lícita em até 30 dias, permanecer em casa diariamente a partir das 20h e comparecer periodicamente ao Patronato Penitenciário.

Histórico

O histórico do homem também inclui um episódio em que ele utilizou o documento do próprio irmão durante um furto em um supermercado atacadista no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande, em 2017.

Na ocasião, ele foi preso em flagrante junto com outros dois homens depois de agredir um funcionário do estabelecimento. Durante a ocorrência, teria tentado tomar a arma do trabalhador e acabou baleado no pé, sendo levado para atendimento médico.

Posteriormente, confessou à polícia que havia usado o documento do irmão porque ele não tinha antecedentes criminais. Pelo crime, foi denunciado e condenado a seis meses de detenção.

A investigação sobre o ataque desta quarta-feira deve apurar quem efetuou os disparos, se a vítima realmente foi confundida com o irmão e qual seria a motivação do crime.

 

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