Ex-deputado estadual foi detido após cerca de um mês foragido e iniciou cumprimento de pena superior a 15 anos por crimes investigados na Operação Successione
O ex-deputado estadual Neno Razuk chegou no final da tarde desta segunda-feira (3) ao Centro de Triagem Anísio Lima, do Jardim Noroeste, em Campo Grande, após ser preso na Bolívia. A captura encerra um período de cerca de um mês em que o ex-parlamentar era considerado foragido da Justiça brasileira.
A prisão ocorreu após a Justiça determinar o cumprimento de pena superior a 15 anos de reclusão por crimes como organização criminosa, roubo e exploração de jogo ilegal. Neno Razuk foi alvo da Operação Successione, investigação que apura a atuação de uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Após a detenção no país vizinho, o ex-deputado foi encaminhado às autoridades brasileiras e posteriormente levado para a unidade prisional da Capital, onde deve permanecer para o início do cumprimento da pena em regime fechado.
Operação Successione investigou grupo ligado ao jogo do bicho
A Operação Successione ganhou destaque em Mato Grosso do Sul ao investigar um grupo suspeito de tentar assumir o controle da exploração do jogo do bicho em Campo Grande.
As ações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e outras forças de segurança, com fases que atingiram integrantes ligados ao núcleo familiar do ex-parlamentar.
Na quarta fase da operação, realizada em 2025, o pai de Neno Razuk e dois irmãos foram presos em Dourados. Na ocasião, as equipes apreenderam armas, dinheiro e equipamentos relacionados às atividades investigadas.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a apuração busca desarticular uma organização criminosa que teria passado a atuar após a operação que desmantelou outro grupo investigado na Operação Omertà.
Prisão
A prisão na Bolívia ocorreu após a inclusão do nome de Neno Razuk em medidas de busca e captura. Durante o período em que permaneceu foragido, as forças de segurança realizaram buscas para localizar o ex-deputado.
Com a transferência para Campo Grande, a Justiça dá sequência aos procedimentos para o cumprimento da condenação determinada no processo relacionado à Operação Successione.
Controle do jogo do bicho no Estado
A Operação Successione, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), foi criada para investigar e desarticular grupos criminosos envolvidos com a exploração ilegal do jogo do bicho no Estado.
O nome da operação faz referência ao processo de “sucessão” no comando da atividade clandestina após a queda de outros grupos investigados anteriormente, como o alvo da Operação Omertà, que apurou a atuação de uma organização ligada ao controle do jogo ilegal em Mato Grosso do Sul.
As investigações apontaram uma disputa pelo domínio do mercado clandestino, principalmente em Campo Grande e outros municípios sul-mato-grossenses. Conforme o MPMS, o grupo investigado teria envolvimento com crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, uso de violência e posse de armas.
Fases da Investigação
Deflagrada em dezembro de 2023, a Operação Successione avançou com novas etapas ao longo de 2024 e 2025, ampliando o número de alvos investigados e cumprindo mandados de prisão e busca e apreensão.
Em uma das fases mais recentes, o Gaeco realizou ações contra integrantes apontados como parte da estrutura da organização criminosa. Foram cumpridos mandados em diferentes estados, com apreensão de materiais que, segundo as investigações, estariam relacionados à exploração do jogo ilegal.
Entre os itens apreendidos durante as ações estavam máquinas utilizadas em apostas, valores em dinheiro, armas e documentos.
Núcleo ligado à família Razuk
O ex-deputado estadual Neno Razuk passou a ser um dos principais nomes relacionados à Operação Successione após ser apontado como integrante do grupo investigado e posteriormente condenado em processo decorrente da apuração.
Segundo as investigações, o grupo ligado à família Razuk teria buscado ocupar o espaço deixado por outras organizações criminosas após operações anteriores que atingiram o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Na quarta fase da operação, realizada em 2025, o Gaeco prendeu integrantes ligados ao núcleo familiar do ex-parlamentar e realizou buscas com apreensão de armas, dinheiro e equipamentos relacionados à atividade investigada.
Com a prisão de Neno Razuk na Bolívia e sua chegada ao Complexo Penitenciário do Jardim Noroeste, em Campo Grande, a Justiça dá continuidade ao cumprimento da condenação superior a 15 anos de prisão por crimes relacionados à organização criminosa, roubo e exploração de jogo ilegal.
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