A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou três investigados por ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), no âmbito da operação Courrier, que apurou a atuação de advogados vinculados à facção, grupo conhecido como “Sintonia dos Gravatas”.
A sentença foi divulgada no Diário da Justiça nesta sexta-feira (27), embora o processo tramite sob sigilo. Entre os condenados está o advogado Bruno Ghizzi, que recebeu pena de 4 anos, 10 meses e 10 dias de prisão. Conforme a decisão, ele se aproveitava da função para entrar em presídios e repassar informações entre integrantes da organização criminosa, interferindo em investigações.
Também foi condenado o interno Edimar da Silva Santana, conhecido como “Arqueiro do PCC”. Ele cumpria pena em regime fechado quando os fatos ocorreram e teve a pena fixada em 5 anos, 8 meses e 1 dia de reclusão. A condição de já estar preso foi considerada agravante.
O terceiro condenado é o servidor do Judiciário Rodrigo Pereira da Silva Corrêa, então chefe de cartório em vara de execuções penais. Ele foi sentenciado a 4 anos, 10 meses e 10 dias de prisão por, segundo a Justiça, vazar dados sigilosos utilizando o cargo.
Apesar das condenações, Bruno e Rodrigo poderão recorrer em liberdade, já que são réus primários e não há, no momento, justificativa para prisão preventiva. Edimar permanece preso.
Na mesma decisão, quatro denunciados foram absolvidos por falta de provas ou ausência de participação comprovada: Douglas Silva Fonseca, Inaiza Herradon Ferreira, Paula Tatiane Monezzi e Ed Carlos Rodrigues Dias.
A sentença prevê a expedição de mandados de prisão contra Bruno e Rodrigo após o trânsito em julgado, além da comunicação das condenações a órgãos competentes, como a Justiça Eleitoral e a OAB/MS, que já havia suspendido o advogado por um ano recentemente.
No caso do servidor, a decisão será encaminhada ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que deve avaliar a possível perda do cargo. Já a Ordem dos Advogados do Brasil será formalmente informada sobre a condenação do profissional.
O processo ainda segue com novos desdobramentos, incluindo a análise de outro investigado, cujo caso foi separado.
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