A Comunidade Tia Eva, em Campo Grande, se tornou o primeiro quilombo do Brasil reconhecido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por meio da portaria que criou um livro do tombo específico para territórios quilombolas.
O reconhecimento foi oficializado nesta terça-feira (10), durante reunião do conselho do Iphan no Rio de Janeiro. Com o tombamento, o instituto também publicou no Diário Oficial da União um mapa que delimita a área que passa a ser protegida pelo governo federal.
O título reforça a importância histórica do local e ajuda a preservar a memória e a cultura afro-brasileira na Capital Sul-mato-grossense.
A decisão foi comemorada pelos moradores da comunidade, localizada na Rua Eva Maria de Jesus, que homenageia a fundadora do território quilombola. Hoje, cerca de 250 famílias vivem na área, todas descendentes de Tia Eva.
Segundo o presidente da Associação dos Descendentes de Tia Eva, Ronaldo Jefferson da Silva, o reconhecimento simboliza a continuidade de uma história marcada pela resistência.
“É uma luta de resistência de Tia Eva. Ela veio de Mineiros, em Goiás, buscando exatamente isso: um espaço seu, para dar continuidade à sua linhagem e à sua história. Com o tombamento agora, damos continuidade a esse legado e temos um território protegido pelo Iphan”, afirma.
Processo começou com pedido da própria comunidade
O pedido de tombamento foi feito pela própria comunidade em 2024. A partir daí, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional iniciou um trabalho de levantamento das referências culturais do local.
Durante cerca de dois anos, técnicos do órgão trabalharam com os moradores para identificar e catalogar tradições, histórias e espaços importantes da comunidade.