Pesquisadora alemã e mais sete corpos seguem no IMOL à espera de reconhecimento

Foto: IMOL
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Relatório preeliminar do Cenipa indica que aeronave que matou pesquisadora e piloto apresentou falhas na decolagem

Uma semana após o acidente aéreo que vitimou o piloto Henrique Martin de Carvalho e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, o corpo dela ainda continua no IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e se junta a mais sete corpos que estão sob a guarda do Instituto esperando o reconhecimento para serem sepultados. Ao todo, a média de corpos não reclamados pode chegar a 30 ao ano, mas este dado é flutuante e depende do período analisado.

Ao jornal O Estado de MS, o médico-legista e diretor o IMOL, Sílvio Lemos, explicou que o processo de reconhecimento em caso de óbitos de estrangeiros em solo brasileiro segue o mesmos parâmetros de pessoas naturais do país, usando métodos como exame necropapiloscópico, análise de DNA ou outros procedimentos técnico-científicos, conforme cada caso. Também são válidos reconhecimento visual ou documental.

O prazo para a manifestação de familiares em busca do corpo também depende de cada caso, embora o procedimento interno do IMOL estabeleça o prazo de 45 dias. Passado este período sem reclamação pelo corpo, é dado início ao processo para sepultamento.

“A identificação segue os procedimentos técnicos e legais adotados pelas autoridades brasileiras. A representação consular pode auxiliar na localização de familiares, na obtenção de documentos e nos procedimentos necessários para a liberação do corpo”, explica o médico-legista.

No caso de Lydia Theresia, há informações de que a família foi informada do óbito com o auxílio do Consulado-Geral da Alemanha no Rio de Janeiro, responsável no Brasil pelos procedimentos de traslados de corpos para aquele país. Até o devido reconhecimento, o corpo permanece na guarda do IMOL.

Como reconhecer um familiar?

O reconhecimento do corpo é parte fundamental para a liberação e sepultamento. Famílias que buscam o paradeiro de pessoas que podem estar no IMOL devem entrar em contato ou comparecer pessoalmente ao Instituto portando documentos, fotografias e o maior número de informações sobre a possível vítima.

Ter referências sobre tatuagens, cicatrizes, próteses, cirurgias, características odontológicas, bem como saber informar sobre roupas e objetos pessoais também podem auxiliar no reconhecimento.

“O atendimento busca garantir privacidade, orientação clara e acolhimento aos familiares, com respeito à dignidade da pessoa falecida”, finalizou o médico-legista.

Primeiro relatório aponta “perda de controle de voo”

O relatório preliminar divulgado nesta quinta-feira (9), pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) aponta que a aeronave decolou do Aeródromo Estância Santa Maria, em Campo Grande, com destino à Aquidauana, transportando o piloto e um passageiro. Segundo o documento, durante a fase inicial de subida, o avião perdeu o controle em voo e se chocou contra o solo, causando a morte dos dois ocupantes. A ocorrência foi classificada como “perda de controle em voo” e a aeronave ficou completamente destruída. O Cenipa ressalta que a investigação ainda está em andamento e que o reporte preliminar não estabelece causas ou responsabilidades, servindo apenas para informar o estágio atual da apuração.

Vale lembrar ainda que, logo após o acidente, o delegado responsável pelas primeiras diligências informou que uma das hipóteses consideradas era de que a intensa neblina registrada na manhã de 3 de julho pudesse ter contribuído para a queda da aeronave. No entanto, essa possibilidade ainda depende da conclusão das investigações conduzidas pelo Cenipa, que irá apontar os fatores contribuintes somente no relatório final.

Por Ana Clara Julião

 

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