Para especialistas, ‘passaporte da vacina’ amplia controle da doença

Nilson Figueiredo
Nilson Figueiredo

Governo de MS destaca que projeto não reflete a decisão do Estado

Na tarde da última segunda-feira (27), durante a audiência que ocorreu no plenário da Câmara Municipal, a sugestão dos parlamentares Camila Jara e Ayrton Araújo para a adoção do “passaporte de vacinação” na entrada dos estabelecimentos gerou polêmica e dividiu opiniões. Nas ruas de Campo Grande e entre especialistas em infectologia o consenso em aplicar o registro vacinal é contundente.

Segundo o projeto, a medida prevê apenas a entrada de pessoas vacinadas com a primeira dose em locais acima de 100 pessoas, o que para especialistas seria essencial para o controle e a segurança coletiva. A presidente da Sociedade de Infectologia de Mato Grosso do Sul, Andyane Tetila, ressalta que o “passaporte da vacina” é importante pois funciona como um estímulo na busca pela vacinação, aumentando a imunização da população especialmente agora, quando se tenta recompor a vida como era.

“Quanto mais pessoas vacinadas, menor a propagação da COVID-19. Embora os dados mostrem e garantem a eficácia da vacinação, existem pessoas contrárias à mesma, pelos motivos mais variados. A vacinação, no caso, é uma forma de preservar a vida, e algo focado no sujeito e no coletivo. E, para participar deste coletivo, há que se adotar medidas que preservem a vida de toda a comunidade”, destacou.

Além disso, Andyane Tetila relembrou que a comprovação poderia ser uma forma de fiscalização, bem como de estimular a procura pela imunização. Vale lembrar que, na última segunda-feira (27), o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que após liderar nos rankings de vacinação em todo o país, Mato Grosso do Sul começou a patinar, com a baixa procura pelo imunobiológico entre jovens e adolescentes, que compõem um dos grupos mais ativos economicamente.

“As pessoas têm a tendência de seguir recomendações quando são cobradas. Assim funciona no trânsito, quando somente diminuímos a velocidade quando há um radar, uma fiscalização. Neste sentido, haverá sim uma maior procura pela imunização de quem ainda não fez, devido à cobrança e a necessidade de frequentar locais, voltando ao convívio social. Foi uma medida que por exemplo, deu certo na França, em que jovens não imunizados procuraram a vacina para terem a entrada nas baladas garantidas”, afirmou.

A médica infectologista também enfatiza que a imunização não pode ser utilizada de forma isolada para o controle da transmissibilidade do vírus e da doença em si, e que as medidas devem ser exigidas e utilizadas de forma conjunta: utilização das máscaras respiratórias, o distanciamento e a higienização das mãos.

Para o presidente do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Marcelo Santana, a implementação do “passaporte” é uma tendência mundial para controlar a disseminação do vírus em locais com grande público.

“O que a gente vê como tendência mundial é que ocorra esse controle para se frequentar locais onde há grande público, para que a gente consiga manter o controle dessa pandemia. Eu vejo como necessário, a vacinação é uma questão de saúde pública. Então acredito que deve ser debatido, com certeza, essa questão para uma melhor saída para todos.”

O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) afirma em nota que “a administração de saúde pública e autoridades competentes devem avaliar os critérios necessários para tomar as providências condizentes a realidade em que vivemos, levando em consideração todos os fatores, com base no compromisso e respeito, proporcionando assim, melhoria na saúde e qualidade de vida da população”.

Tida como uma das ações do Programa Retomada Segura MS, o “passaporte da vacina” foi discutido na última segunda-feira (27) em audiência pública. Na ocasião, o secretário de Saúde do Estado, Geraldo Resende, defendeu a adoção, contudo, ontem (28), o governador Reinaldo Azambuja destacou que a defesa do projeto foi “uma manifestação pessoal do secretário Geraldo”, e pontuou que o Estado deve manter a busca ativa como meta para ampliar a proteção e imunização contra o novo coronavírus.

Questionada, a prefeitura municipal reforçou que o Programa Retomada Segura MS é de responsabilidade do governo do Estado e afirmou que com relação à adoção do “passaporte de vacinação” ainda não há nenhuma definição quanto à aplicação desta no município.

“A decisão para isso deve ser tomada em conjunto com todos os setores da sociedade, sendo assim, carece de maior discussão além de aprofundamento quanto à viabilidade legal”, informa em nota. (Texto: Isabela Assoni)

Fala Povo: Você é a favor do passaporte da vacina em Campo Grande?

Larissa Pinheiro 21 anos, vendedora: “Eu acho importante, porque vai diminuir a disseminação do vírus e vai dar uma segurança maior, tanto para os vendedores quanto para os clientes. Pelo menos com a primeira dose, a gente sabe que a população está empenhada em combater esse vírus que fez tanto mal para a sociedade.

Cezar Nogueira 53 anos, empresário: “Eu acho que neste momento é viável, sim. Quanto mais resultado positivo acontecer, o comércio funciona melhor. Tem mais de 50 mil pessoas que não foram tomar a vacina e que podem estar carregando o vírus. Pode prejudicar o movimento no início, mas não tanto quando aconteceu anteriormente.

Herley Cardoso do Rosário 45 anos, mestre de obras: “Acho que é uma coisa boa, porque incentiva o pessoal a se vacinar, porque tem muita gente que não gosta, que fala que tem medo, que não vai dar em nada, e isso incentiva a pessoa a procurar a vacina. Eu me sentiria mais seguro sabendo que estou em um ambiente sabendo que as pessoas no local estão vacinadas.

Silvina de Souza 73 anos, trabalha como passadeira: “Sou a favor pelo seguinte: eu tenho de pensar em mim e no meu próximo. Se eu não tomo, se não ando com o comprovante da minha vacina para entrar nos estabelecimentos, Deus me livre pegar e passar para outra pessoa. Por isso tem de tomar e andar com o comprovante direitinho, assim eu cuido de mim e do meu próximo.”

Antônio Imar Alves dos Santos 57 anos, aposentado: “Pelo jeito que está, eu acho que deve apresentar, sim, porque as coisas ainda não estão seguras. Está tudo muito liberado, achando que a doença já foi embora e ainda não foi. Então eu espero que o pessoal tenha a consciência de que é preciso apresentar esse documento, tenho certeza que é certo.”

Claudia Lopes 36 anos, dona de casa: “Acho correto, até porque quem tomou a vacina quer se sentir seguro. Então eu acho que, se você não quer tomar, fica em casa. Eu concordo absolutamente. Inclusive na escola do meu filho eles não estão exigindo e eu preferia que exigissem. Ele está indo, mas eu não me sinto 100% segura”.

(Texto de Isabela Assoni)

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