Dados revelam que Mato Grosso do Sul lidera acidentes com fauna no país
As rodovias de Mato Grosso do Sul registram um problema que envolve tanto a preservação da fauna quanto a segurança de quem está ao volante: as colisões entre veículos e animais silvestres. Entre as espécies mais afetadas estão as antas, consideradas os maiores mamíferos terrestres da América do Sul e que podem chegar a 300 quilos.
Segundo dados da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ), cerca de 100 antas são mortas por ano em rodovias do Estado. No último dia 3 de Agosto, uma adolescente de 13 anos e um homem de 38 anos entraram para as estatísticas de perdas humanas nas rodovias do MS.
Em 13 anos, mais de 51 pessoas já morreram em Mato Grosso do Sul em colisões veiuclares envolvendo especificamentes as antas. Tendo em vista esse cenário o Instituto alerta que ps cuidados devem ser tomados nas rodovias, mas que as leis existem para garantir a segurança de motoristas e dos animais e medidas de segurança devem ser implementadas para reduzir esses acidentes.
Para a coordenadora da iniciativa, Patrícia Medici, o conhecimento produzido por pesquisadores sobre o assunto já permite identificar medidas capazes de reduzir os acidentes. A entidade defende que as informações disponíveis sejam utilizadas na adoção de soluções para os trechos considerados mais críticos.
“Temos diversas organizações de pesquisa e conservação de extrema competência que vêmtrabalhando há décadas no monitoramento e na implementação de medidas para solucionar estaproblemática no estado. O conhecimento acumulado é vastíssimo e contamos comtodas as ferramentasnecessárias para orientar iniciativas de mitigação de colisões entre veículos e a fauna nas rodoviasestaduais, federais e concessionadas. Entretanto, há uma absoluta falta de vontade políticapor partedos gestores dessas rodovias de mudar o cenário do estado. Enquanto isso, as pessoas continuamarriscando suas vidas – e, de fato, morrendo – ao trafegar pelas rodovias do MS. Alémdisso, éumabsurdo que um estado que recebe milhares de turistas anualmente (262.000 pessoas em2024, deacordo com o PNAD, IBGE) – turistas estes que esperam desfrutar das belezas naturais noPantanal, Bonito e tantos outros destinos – tenham a experiência horrível de se deparar comummar deanimaisatropelados pelo caminho!”, afirma Patrícia Medici, Coordenadora da INCAB-IPÊ.
Soluções
Conforme a iniciativa, instalação de estruturas específicas para a passagem de animais é apontada como uma das alternativas para diminuir os atropelamentos. Conforme informações apresentadas pela INCAB-IPÊ, a combinação entre passagens inferiores para fauna e cercamento adequado das rodovias pode reduzir as colisões em até 80%.
As passagens permitem que os animais atravessem a rodovia por pontos planejados, enquanto as cercas direcionam a fauna para essas estruturas e dificultam o acesso dos bichos à pista.
A organização também destaca que a prevenção depende da atuação conjunta de gestores públicos e privados, órgãos responsáveis pelo licenciamento e fiscalização e dos próprios usuários das estradas.
O tamanho das antas torna os acidentes especialmente perigosos. Uma colisão com um animal de grande porte pode causar perda de controle do veículo, danos materiais e colocar em risco a vida dos ocupantes.
A INCAB-IPÊ também acompanha registros de mortes humanas relacionadas a colisões com antas em Mato Grosso do Sul. O monitoramento considera ocorrências acumuladas ao longo dos últimos anos.