Fenômeno climático previsto para o fim de 2026 pode reduzir a produtividade no campo, elevar custos de produção e gerar impactos na inflação e na economia do Estado
A confirmação da possibilidade de formação de um Super El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027 acende um alerta para os impactos econômicos que o fenômeno pode provocar em Mato Grosso do Sul. Com forte dependência do agronegócio, o Estado pode enfrentar reflexos na produção agrícola, no custo dos alimentos e no desempenho de diversos setores da economia.
Segundo análise da Agricon Consultoria, o Super El Niño vai além das alterações climáticas e representa um fator de risco para a atividade econômica ao reduzir a previsibilidade das safras, elevar os custos de produção e aumentar a volatilidade no mercado agropecuário.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Centro-Oeste, a expectativa é de temperaturas mais elevadas e menor volume de chuvas, cenário que pode comprometer culturas estratégicas, especialmente a segunda safra de milho.
De acordo com o economista e diretor de negócios da Agricon Consultoria, Hudson Garcia, as consequências ultrapassam o campo e atingem toda a cadeia produtiva.
“O Super El Niño deixa de ser apenas um evento climático para se tornar uma variável econômica relevante. Quando a produção agrícola perde previsibilidade, toda a cadeia produtiva passa a operar com custos maiores, maior volatilidade e mais incerteza. Isso afeta produtores, indústrias, consumidores e também as expectativas de crescimento da economia”, afirma.
Milho pode provocar efeito em cadeia
Entre as maiores preocupações está o milho, uma das principais culturas produzidas em Mato Grosso do Sul e matéria-prima essencial para a fabricação de ração animal.
Segundo Hudson Garcia, entre 65% e 80% da composição das rações destinadas à produção de aves, suínos, bovinos e leite é formada pelo grão. Caso haja redução na oferta ou aumento dos custos de produção, os impactos tendem a ser repassados ao consumidor final.
“O milho não impacta apenas o produtor rural. Se houver redução da oferta ou aumento expressivo dos custos, o efeito chega às cadeias de proteína animal e pode resultar em alimentos mais caros”, explica.
Economia de MS pode sentir impactos acima da média
Os efeitos podem ser mais intensos em Mato Grosso do Sul devido ao peso do agronegócio na economia estadual. O setor responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e é responsável por parcela significativa das exportações, da geração de empregos e da renda.
Além da produção de grãos, Mato Grosso do Sul ocupa posição de destaque nas cadeias de carne bovina, aves, suínos e celulose, atividades diretamente ligadas ao desempenho das lavouras.
Fenômeno também pode pressionar a inflação
A consultoria destaca que uma eventual redução da oferta de alimentos pode pressionar a inflação brasileira. O grupo Alimentação e Bebidas representa aproximadamente 21,5% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação oficial do país.
Na avaliação de Hudson Garcia, eventos climáticos extremos dificultam o controle dos preços e podem manter o cenário de juros elevados por mais tempo, afetando investimentos e o ritmo de crescimento da economia.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que produtores, cooperativas e empresas do agronegócio ampliem o planejamento, invistam em gestão de riscos, tecnologia e diversificação das atividades para reduzir os impactos de possíveis eventos climáticos extremos.
Para a Agricon Consultoria, a integração entre clima e economia torna cada vez mais necessário incorporar os riscos climáticos às estratégias do setor produtivo, especialmente em estados como Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio exerce papel fundamental no desenvolvimento econômico.
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