Espécie considerada vulnerável foi identificada na Serra do Amolar, em Corumbá, durante monitoramento ambiental; área já concentra mais de 200 espécies de fauna
Um registro considerado raro de um casal de tatu-bola (Tolypeutes matacus) na Serra do Amolar, em Corumbá, reforçou a importância da conservação da biodiversidade no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A identificação foi feita por pesquisadores do IHP (Instituto Homem Pantaneiro, durante ações de monitoramento ambiental realizadas na região.
O tatu-bola é uma das espécies mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e dos incêndios florestais. Segundo o IHP, o animal passa por um processo de reavaliação de seu status de conservação pelo Ministério do Meio Ambiente, com possibilidade de migrar da categoria “quase ameaçada” para níveis mais elevados de risco de extinção.
O registro ocorreu na Serra do Amolar, área considerada um dos principais corredores ecológicos do Pantanal. Além de abrigar fragmentos de Cerrado, Mata Atlântica e vegetação com características amazônicas, a região reúne condições favoráveis para a sobrevivência de diversas espécies ameaçadas.
De acordo com o presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, o monitoramento contínuo realizado há mais de uma década permite compreender melhor os impactos das mudanças climáticas sobre a fauna pantaneira.
“O monitoramento que realizamos por mais de 10 anos nos entrega dados que permitem estudar as espécies e entender como elas estão reagindo às transformações do clima e aos eventos extremos no Pantanal. O registro do casal de tatu-bola demonstra que os esforços de conservação estão produzindo resultados e precisam continuar”, afirmou.

Imagem Divulgação
Espécie pode contribuir para novos estudos
Segundo o analista ambiental do IHP, Luka Moraes, a identificação do casal abre caminho para pesquisas sobre comportamento e reprodução da espécie, além de fornecer informações importantes para políticas públicas de conservação.
“Já havíamos registrado o tatu-canastra, o maior tatu do mundo, e agora encontramos o menor tatu existente no Brasil. Saber que há um casal em idade reprodutiva nessa região representa uma informação de importância global para a conservação da espécie. O monitoramento continuará na tentativa de identificar futuros filhotes”, explicou.
O Instituto ICMBio (Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) informa que a distribuição do tatu-bola no Brasil ainda é pouco conhecida, com poucos registros confirmados. A espécie ocorre apenas em áreas do Pantanal de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, além de países como Bolívia, Paraguai e Argentina.

Serra do Amolar abriga mais de 200 espécies
O monitoramento realizado pelo Instituto Homem Pantaneiro já identificou mais de 200 espécies de fauna na Serra do Amolar, sendo dez classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção. Entre elas estão onça-pintada, ariranha, tamanduá-bandeira, cervo-do-pantanal, anta, mutum-de-penacho, queixada e tatu-canastra.
Além das armadilhas fotográficas, os pesquisadores utilizam sistemas de bioacústica e outras tecnologias para acompanhar a biodiversidade, subsidiar ações de prevenção aos incêndios florestais e orientar estratégias de conservação no Pantanal sul-mato-grossense.
Para os pesquisadores, o novo registro reforça o papel da Serra do Amolar como uma das áreas mais importantes para a preservação da fauna brasileira e evidencia a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, monitoramento e proteção dos ecossistemas do Pantanal.
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