Pesquisa revela preocupação de empresas de Campo Grande com fim da escala 6×1

Foto: NILSON FIGUEIREDO
Foto: NILSON FIGUEIREDO

Levantamento aponta que 57,1% das empresas adotam a jornada atualmente e 84,7% enfrentam dificuldades para contratar mão de obra 

A possível mudança na escala de trabalho 6×1 preocupa empresas de Campo Grande diante dos desafios para contratação de mão de obra e dos impactos que uma nova jornada pode provocar na operação. Pesquisa realizada pela ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) mostra que 57,1% das empresas ouvidas utilizam atualmente a escala 6×1, enquanto 10,5% adotam o modelo de forma parcial.

O levantamento foi realizado com 105 empresários de diferentes setores. Entre os entrevistados, 44,8% atuam no setor de serviços, 32,4% no comércio, 9,5% na indústria, 7,6% no agronegócio e 5,7% em outras atividades.

A votação no Senado sobre o fim da escala 6×1, que prevê dois dias de descanso semanal e redução da jornada de 44 para 40 horas, foi adiada para depois do primeiro turno das eleições. O cenário mantém em discussão os possíveis efeitos da mudança para trabalhadores e empresas.

Entre os empresários consultados pela ACICG, 28,6% apontam o aumento dos custos operacionais como principal preocupação caso a escala 6×1 seja proibida. Outros 24,8% avaliam que a mudança poderá provocar redução da produtividade, enquanto 20% acreditam que será necessário contratar novos colaboradores. Para outros 20%, o impacto seria pequeno ou inexistente. Já 6,67% afirmam que ainda não é possível avaliar os efeitos.

A necessidade de ampliar as equipes aparece como um dos principais desafios. Segundo a pesquisa, 44,8% dos empresários afirmam que precisariam contratar novos funcionários para manter as operações. Entre eles, 38,3% estimam que o quadro precisaria aumentar entre 6% e 10%, enquanto 19,1% projetam crescimento de 11% a 20%.

O cenário é considerado ainda mais desafiador diante da dificuldade já enfrentada pelas empresas para encontrar trabalhadores. De acordo com o levantamento, 84,7% dos empresários ouvidos relatam problemas para contratar mão de obra.

Apesar das preocupações, a pesquisa também identificou uma percepção positiva sobre possíveis efeitos da mudança na jornada. Para 64,6% dos empresários, uma nova organização do trabalho pode contribuir para aumentar a produtividade dos colaboradores.

Além disso, 40,2% acreditam que a adoção da escala 5×2 pode melhorar a capacidade das empresas de atrair e reter talentos.

Os dados mostram, portanto, que o debate sobre o fim da escala 6×1 envolve não apenas a redução da jornada de trabalho, mas também questões relacionadas a custos, contratação, produtividade e organização das empresas em Campo Grande.

 

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