Obra abandonada do Caps Infantil no Guanandi vira alvo de vandalismo e preocupa moradores

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A construção do Caps I (Centro de Atenção Psicossocial Infantil), iniciada na área da antiga Praça Artemizia da Silva Lima, no bairro Guanandi, permanece abandonada e se tornou motivo de preocupação para moradores e comerciantes da região. O empreendimento foi interrompido após uma recomendação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que apontou possíveis irregularidades na utilização do terreno, antes destinado a uma praça pública.

Durante mais de 40 anos, a Praça Artemizia da Silva Lima foi um dos principais espaços de lazer e convivência do bairro. O local era utilizado por famílias, crianças e praticantes de atividades físicas e, segundo moradores, havia passado recentemente por uma revitalização, com nova iluminação e plantio de árvores, antes de ser demolido para dar lugar ao Caps Infantil.

Sem definição sobre o futuro da obra, o terreno hoje apresenta estruturas inacabadas, mato alto e sinais de depredação. A situação tem provocado reclamações de quem mora e trabalha nas proximidades.

O impasse envolvendo a construção teve início após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul apontar possíveis irregularidades na destinação da área. Conforme o órgão, o município transformou um bem de uso comum do povo a Praça Artemizia da Silva Lima em um bem de uso especial, destinado à instalação de uma unidade de saúde, sem a aprovação prévia de uma lei municipal autorizando a mudança de finalidade do terreno.

A decisão de substituir a praça pelo Caps Infantil também gerou forte reação da comunidade. Durante o processo, moradores organizaram abaixo-assinados e realizaram manifestações em defesa da permanência da Praça Artemizia da Silva Lima, considerada o único espaço verde e de lazer da região. A mobilização buscava impedir a demolição do local, que por mais de quatro décadas serviu como ponto de encontro, prática esportiva e convivência entre as famílias do bairro.

Proprietário da Makan Motos, empresa localizada em frente ao canteiro de obras, Donizete Jorge acompanha diariamente a situação desde o início da construção. Segundo ele, a paralisação ocorreu depois de um período de intensa movimentação no local. “A obra chegou a ser embargada, depois retomaram os trabalhos, trouxeram máquinas, materiais e fizeram o fechamento do terreno. Trabalharam bastante, mas agora retiraram tudo e deixaram apenas a obra parada”, relata.

Para o comerciante, além do desperdício do investimento público, o abandono agravou problemas que já existiam na região. “O pessoal que ficava na ponte acabou migrando para cá. Como a obra ficou parada, virou um ponto de encontro. Também deixaram os pontos de ônibus sem estrutura, sem calçada e sem abrigo para a população”, afirma.

Outro ponto que preocupa comerciantes e moradores é o aumento da sensação de insegurança. Segundo Donizete, a estrutura abandonada passou a ser utilizada por usuários de drogas, principalmente durante a noite. “Isso aumentou bastante. O local virou um ponto para eles porque não tem fiscalização. Já destruíram os tapumes, levaram fiação, retiraram materiais e o espaço ficou completamente abandonado.”

O comerciante afirma que seu estabelecimento também foi alvo da criminalidade.m”Nós já tivemos prejuízo. Roubaram extensão elétrica e outras coisas. Basta um momento de descuido. A vizinhança inteira está preocupada.”

Donizete também lamenta a perda da praça, que, segundo ele, havia recebido investimentos pouco antes de ser demolida.

“A praça seria muito mais útil para a comunidade. Tinham acabado de investir na iluminação, plantaram árvores grandes, ficou um espaço bonito. Aí destruíram tudo para construir uma obra que, pelo jeito, não vai sair”, diz.

As reclamações dos moradores contrastam com a posição apresentada por um representante do serviço de saúde mental, Cristiane Marcia Rodrigues de Souza, administradora de uma das unidades do Caps, localizada nas redondezas da obra, que informou à reportagem não haver registros formais de ocorrências envolvendo usuários causando transtornos nas proximidades da unidade. “Não digo que não exista, porém não temos registros. Não vieram comunicar oficialmente esses casos”, afirmou.

Sobre pessoas em situação de rua que permanecem na região, o representante explicou que a equipe realiza encaminhamentos para a rede de assistência social. “Normalmente encaminhamos para unidades de acolhimento. Se permanecem nas imediações, é uma situação que foge da responsabilidade direta do serviço.”

Enquanto o impasse jurídico permanece sem solução, moradores defendem que o espaço volte a cumprir uma função social. Para muitos, além da necessidade de ampliar o atendimento em saúde mental com um Caps Infantil, é preciso encontrar uma solução que devolva segurança e qualidade de vida ao bairro.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber qual será o destino da obra, quais providências estão sendo adotadas para preservar o local e se há previsão para retomada ou redefinição do projeto mas não obtemos devolutiva.

Por Ian Netto

 

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