Morte de universitária no Parque dos Poderes força plano emergencial de manejo de árvores pelo Imasul

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
FOTO: NILSON FIGUEIREDO

Primeira etapa deve contar com vistoria técnica nas pistas de caminhada e ciclismo e demais áreas de uso público

A morte da estudante Khadyja Mhamud Gharyb Rocha, de 23 anos, atingida por um galho de árvore enquanto andava de patinete elétrico na Avenida do Poeta, no Parque dos Poderes, acelerou a adoção de medidas de segurança na região. Em resposta ao acidente, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) confirmou ao O Estado que fará uma vistoria prioritária em pistas de caminhada, ciclovias e pontos de ônibus. Embora a avaliação preliminar aponte que a queda decorreu de fatores naturais imperceptíveis visualmente, o órgão intensificou o mapeamento de árvores com risco de colapso estrutural na área urbana do parque.

A notícia da morte ganhou repercussão entre os moradores que frequentam o parque para praticar atividades físicas. Com a gravidade do impacto, a jovem chegou a ser socorrida por uma médica que passava pelo local e recebeu massagem cardíaca por 25 minutos do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. A família da estudante esteve no local, reconheceu o corpo e colaborou com os trabalhos realizados pela Polícia Civil. Khadyja era acadêmica do curso de Biomedicina da Uniderp. Em nota, a instituição lamentou a morte e prestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e professores. “Nos solidarizamos com seus familiares, amigos, colegas e professores, desejando força e conforto para enfrentar uma perda tão dolorosa. Khadyja deixa sua lembrança entre todos que tiveram a oportunidade de compartilhar com ela momentos de sua caminhada acadêmica. Nossos mais sinceros sentimentos.”

Imasul anuncia vistoria após acidente

Procurado pelo jornal O Estado, o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), lamentou a morte da jovem e informou que equipes técnicas já atuam no levantamento de informações sobre o acidente.

O Parque Estadual do Prosa é uma unidade de conservação de proteção integral localizada dentro do perímetro urbano de Campo Grande. Segundo o Imasul, o local recebe ações permanentes de conservação, manutenção, monitoramento e manejo da vegetação.

Entre os trabalhos realizados estão o acompanhamento das condições das árvores, intervenções previstas no Plano de Manejo e ações específicas de conservação, como controle de cipós e outros procedimentos destinados à preservação da vegetação nativa.

Após o acidente, uma avaliação técnica foi realizada no ponto da ocorrência. Conforme o Imasul, o aceiro estava limpo e não foram identificados cipós comprometendo a árvore. Também não foram constatadas, em avaliação visual, “evidências externas que permitissem antecipar de maneira inequívoca a queda do galho”.

O instituto explicou ainda que fatores naturais e ambientais podem alterar as condições estruturais de uma árvore ao longo do tempo sem necessariamente apresentar sinais externos evidentes de comprometimento.

As condições climáticas também são apontadas como um fator de risco. Períodos de instabilidade meteorológica, ventos fortes e rajadas podem aumentar a possibilidade de desprendimento e queda de galhos, inclusive em árvores que aparentemente não apresentam sinais externos de risco.

Diante do acidente, o Imasul informou que irá priorizar a execução de um plano de ações para avaliar e manejar a vegetação nas áreas de interface entre o Parque Estadual do Prosa e os locais de circulação e permanência de pessoas.

A primeira etapa será uma vistoria técnica, com prioridade para pistas de caminhada e ciclismo, vias, pontos de ônibus, estacionamentos e demais áreas de uso público.

Durante as inspeções, as equipes deverão avaliar possíveis sinais de comprometimento estrutural, inclinação, cavidades, danos no sistema radicular, deterioração, morte de galhos ou árvores e outros fatores que possam representar risco à população. Também serão consideradas as condições ambientais e meteorológicas.

Segundo o instituto, medidas preventivas já são realizadas periodicamente, incluindo podas seletivas e retirada de galhos comprometidos. Quando houver indicação técnica e autorização correspondente, também pode ocorrer a remoção de árvores que apresentem risco à segurança da população.

O objetivo, conforme o Imasul, é ampliar as ações preventivas e conciliar a segurança das pessoas com a preservação da vegetação e da biodiversidade da unidade de conservação.

Funcionários relatam manutenção frequente

Na manhã desta quinta-feira (20), a equipe do jornal O Estado esteve no local do acidente e conversou com funcionários do Parque dos Poderes. Segundo os trabalhadores, as áreas verdes recebem manutenção frequente. “É uma fatalidade. As manutenções são feitas frequentemente por aqui”, afirmou um dos funcionários.

Os trabalhadores também apontaram a necessidade de reforçar a segurança relacionada à presença de animais nas vias do Parque dos Poderes, devido a ocorrências de atropelamentos e mortes, principalmente quando os animais invadem as pistas. “Eles tinham que aumentar a equipe de ronda e segurança para evitar a invasão das ruas. Os bichos não têm consciência do que estão fazendo”, relatou um funcionário.

Governo reforça compromisso com segurança e preservação

Em manifestação enviada ao jornal O Estado, o Governo de Mato Grosso do Sul afirmou que lamenta profundamente o acidente e se solidarizou com os familiares e amigos de Khadyja.

O Estado ressaltou que o Parque Estadual do Prosa é uma das principais unidades de conservação inseridas na área urbana de Campo Grande e que a gestão do espaço exige a combinação entre preservação ambiental, monitoramento e manejo técnico.

O Imasul destacou que, por se tratar de uma unidade de conservação de proteção integral, qualquer intervenção na vegetação precisa seguir critérios técnicos, ambientais e legais, considerando possíveis impactos sobre a fauna, a flora, o solo e os demais componentes do ecossistema.

Segundo o órgão, o episódio reforça a necessidade de monitoramento contínuo, especialmente em áreas protegidas inseridas em ambientes urbanos e com intensa circulação de pessoas.

O Governo do Estado e o Imasul informaram que continuarão acompanhando as avaliações decorrentes do acidente e adotarão as providências necessárias, com o objetivo de preservar a biodiversidade e ampliar a segurança da população.

O caso envolvendo a morte de Khadyja é tratado, até o momento, como uma fatalidade e segue em análise pelas autoridades competentes.

Por Rafaela Tolentino e Ian Netto

 

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