O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para apurar a qualidade da assistência obstétrica na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande. A investigação deu início após a denúncia sobre a morte de um bebê durante o parto, em outubro de 2025. O caso chegou à Ouvidoria do órgão e levantou suspeita de negligência médica e falta de atendimento humanizado.
A apuração ocorre na 76ª Promotoria de Justiça da Capital. A maternidade é administrada pela AAMI (Associação de Amparo à Maternidade e à Infância) e é responsável por cerca de 60% dos partos realizados na Capital, registrando uma média de 650 nascimentos por mês.
O procedimento começou como Notícia de Fato. A promotoria ampliou a investigação após identificar outros óbitos fetais e neonatais recentes. Relatos públicos, matérias jornalísticas e um dossiê elaborado por famílias também apontam situações de violência obstétrica na instituição.
O órgão solicitou informações à maternidade e à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). O órgão quer detalhes sobre protocolos de atendimento, notificações aos sistemas oficiais de vigilância e atuação dos comitês de prevenção da mortalidade materna e infantil.
O CRM/MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) também recebeu pedido de informações. A promotoria quer dados sobre sindicâncias relacionadas a mortes de bebês e denúncias de violência obstétrica. O órgão também pediu vistoria na unidade.
O Ministério da Saúde deve enviar parâmetros nacionais sobre taxas de óbitos fetais e neonatais. Os dados vão permitir comparação com os indicadores registrados em Campo Grande.
A investigação tem caráter inicial e não aponta responsabilidade neste momento. O objetivo é reunir informações técnicas para avaliar possíveis falhas no atendimento e definir medidas, como recomendações ou termos de ajustamento.
Relembre
O caso ocorreu em 16 de outubro do ano passado, quando o bebê Ravi nasceu morto. A família afirma que médicos insistiram no parto normal mesmo após exames indicarem que o bebê pesava cerca de 3,5 quilos.
Conforme a maternidade, a gestante chegou à unidade no dia anterior com 40 semanas e quatro dias de gestação e bolsa rota. A instituição informou que ela já havia tido dois partos normais e recebeu acompanhamento da equipe médica e de enfermagem.
Durante o parto, houve distorcia de ombro, complicação obstétrica considerada grave e imprevisível. A maternidade informou que, apesar das tentativas da equipe, o bebê morreu no momento do nascimento e que não identificou falha no atendimento. A unidade abriu apuração interna por meio das comissões de ética e de óbito.