Governo vai investir R$ 9,2 bi em aeroportos, incluindo o da Capital, Ponta Porã e Corumbá

Obras devem deixar o
terminal de passageiros
de Campo Grande mais
moderno e amplo - Foto: Nilson Figueiredo
Obras devem deixar o terminal de passageiros de Campo Grande mais moderno e amplo - Foto: Nilson Figueiredo

Ampliação do terminal de Campo Grande já está 60,43% concluída e deve ser entregue até junho

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem (11) um pacote de R$ 4,64 bilhões, financiado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), para ampliação e modernização de 11 aeroportos em quatro estados. Entre os terminais contemplados estão Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá, em Mato Grosso do Sul.

No Estado os trabalhos seguem o cronograma previsto com trabalhos em plena execução. O Aeroporto de Ponta Porã lidera com 79,61%, seguido por Corumbá, com 67,10%, e Campo Grande, com 60,43% de execução total das intervenções previstas.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, os recursos serão destinados a obras de infraestrutura, ampliação de terminais e melhorias operacionais, com o objetivo de aumentar a capacidade aeroportuária e fortalecer a conexão de áreas produtivas do interior com os grandes centros do país.

“Estamos anunciando o maior volume de investimentos da história da aviação brasileira num momento tão curto. Em três anos já foram investidos mais de R$ 5 bilhões e já estamos com contratos assinados. Isso significa mais desenvolvimento e mais geração de oportunidades”, afirmou Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos.

Além dos R$ 4,64 bilhões previstos para investimentos diretos em obras, a concessionária Aena informou que o montante total envolvido no contrato pode chegar a R$ 9,2 bilhões. O valor engloba tanto os investimentos em melhorias físicas e ampliações (CAPEX) quanto os custos operacionais obrigatórios para manutenção e garantia da qualidade dos serviços (OPEX) ao longo do período de concessão.

A estimativa do governo federal é de que, durante a execução dos projetos, sejam gerados mais de 2 mil empregos diretos e indiretos.

Obras de ampliação seguem em ritmo acelerado no Aeroporto Internacional da Capita – Foto: Nilson Figueiredo

Operações noturnas retomam em abril na Capital

Em reforma há oito meses, as obras de ampliação e modernização do Aeroporto Internacional de Campo Grande seguem em andamento e devem ser concluídas até junho de 2026. Enquanto as intervenções avançam, passageiros convivem com mudanças temporárias na rotina e trabalhadores da construção civil, vindos de diferentes regiões do país, atuam diretamente no canteiro de obras do terminal.

Em relação às operações aéreas durante o período de intervenções, a Aena, concessionária responsável pela administração do terminal, esclarece que não houve suspensão de voos, apenas ajustes temporários nos horários. Os voos originalmente programados para a janela das obras na pista foram reprogramados, passando a chegar antes das 23h e a decolar após as 5h. A retomada das operações noturnas está prevista para o mês de abril.

As intervenções integram a Fase 1B do contrato de concessão firmado com a Aena. Com a reforma, a capacidade do aeroporto passará para 2,6 milhões de passageiros por ano, um aumento de 85% em relação à capacidade atual. O investimento previsto apenas para o terminal da Capital é de R$280 milhões, dentro de um pacote total de R$658 milhões destinados à modernização dos aeroportos de Campo Grande, Corumbá, Ponta Porã e Dourados, em Mato Grosso do Sul.

Enquanto as obras avançam, passageiros que utilizam o terminal convivem com mudanças temporárias na rotina. Moradora de Naviraí, a educadora Adriana Nero utiliza o Aeroporto Internacional de Campo Grande a cada 90 dias, de onde embarca para o Nordeste para realizar tratamento de saúde. Ela observa que o desembarque ocorre a uma certa distância do terminal, o que pode gerar desconforto, especialmente em dias de chuva.

Em relação às obras, Adriana reconhece que os trabalhos fazem parte de um processo necessário de melhoria na estrutura do aeroporto, ainda que causem alguns transtornos pontuais aos passageiros.

“A gente sabe que as obras sempre geram barulho e algum incômodo, mas é algo passageiro. A expectativa é que traga melhorias importantes, principalmente na questão do desembarque, que em dias de chuva acaba sendo mais difícil. No fim, acredito que a logística vai melhorar bastante”.

Na Capital, as obras incluem a ampliação do terminal de passageiros, que passará de 10 mil m² para 12 mil m², além da construção de um novo pavimento e da instalação de três pontes de embarque (fingers). O projeto também prevê a ampliação do pátio, que contará com 11 posições para estacionamento de aeronaves comerciais, novo check-in com 20 posições e uma sala de embarque com sete portões e área de 1.830 m².

Outra melhoria estratégica é a preparação da infraestrutura para receber voos internacionais, consolidando o Aeroporto Internacional de Campo Grande como um hub regional. O

Foto: Nilson Figueiredo

consórcio responsável pela execução das obras é formado pelas construtoras Construcap e Copasa.

Além do impacto para os passageiros, as obras também atraem trabalhadores da construção civil de diversas regiões do país. Mato Grosso do Sul tem recebido profissionais de diferentes estados do Brasil, que compõem grande parte da mão de obra empregada em grandes empreendimentos. No caso das obras no Aeroporto Internacional de Campo Grande, os trabalhadores ficam alojados em uma estrutura localizada nas proximidades do terminal.

Um desses trabalhadores é Leonardo, de 51 anos, natural de Alagoas. Ele começou a atuar na obra em maio de 2026 e conta que chegou ao Estado após passar por diversos estados em busca de oportunidades de trabalho. Armador de profissão, Leonardo explica que saiu de Alagoas por falta de oportunidades. “Lá não tem serviço, não. É mais roça mesmo. A gente precisa sair para conseguir trabalhar”, relata.

Antes de chegar a Campo Grande, ele atuou em obras nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão e Paraíba. Segundo ele, as vagas geralmente surgem por indicação de colegas que já conhecem as empresas do setor. “Um vai chamando o outro. Os colegas indicam, aí a gente vem”, explica.

Leonardo está em Mato Grosso do Sul há quase um ano. A esposa e o filho, de 10 anos, permanecem em Alagoas, e ele aproveita os períodos de recesso para visitá-los. Apesar da distância da família, avalia a experiência de forma positiva. “O trabalho é certo, a empresa é organizada. Para mim está bom”, afirma.

Intervenções no interior do Estado

Outros aeroportos sul-mato-grossenses também passam por intervenções. Em Ponta Porã, o terminal de passageiros será ampliado de 800 m² para 2.600 m², com investimento de R$175 milhões. O projeto inclui nova sala de embarque com dois portões, reforma do pátio, áreas de escape nas duas cabeceiras da pista, novo pátio para aviação geral e a construção de um edifício para órgãos públicos.

Em Corumbá, serão aplicados R$ 165 milhões na ampliação do terminal de passageiros, que passará de 1.950 m² para 2.850 m². As melhorias incluem a instalação de áreas de escape, reconfiguração do pátio de aviação geral, adequações na faixa preparada e reforço na segurança operacional, com destaque para a implantação do sistema PAPI na cabeceira 09. Ao final das obras, tanto Corumbá quanto Ponta Porã terão capacidade para 100 mil embarques e desembarques por ano.

Já no Aeroporto de Dourados, as obras contemplam a construção de um novo terminal de passageiros e edificações auxiliares, com investimento de R$ 38 milhões do governo federal e R$ 669 milhões do governo estadual.

Segundo a Aena, o conjunto de investimentos representa um marco para a mobilidade regional e nacional, fortalecendo a integração, o turismo e o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul e de toda a região Centro-Oeste.

 

Por Geane Beserra

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