Monitoramento em Inocência já identificou nove grupos de bugios e macacos-prego; tecnologia amplia a capacidade de acompanhar os animais em áreas de vegetação fechada
No corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, drones equipados com sensores termais estão ajudando a localizar e monitorar primatas ameaçados de extinção. A tecnologia faz parte do monitoramento de fauna realizado pelo Projeto Sucuriú, da Arauco, em parceria com a Sauá Consultoria Ambiental.
O trabalho tem como foco principal duas espécies: o bugio-preto (Alouatta caraya) e o macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), ambas classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil. Ao todo, nove grupos de primatas já foram identificados na área monitorada.
A utilização dos drones amplia a capacidade das equipes de encontrar os animais em locais onde a vegetação dificulta a observação em campo. Nos registros realizados até agora, cerca de 24 horas de voo permitiram localizar sete dos nove grupos conhecidos, sendo seis de bugios e um de macacos-prego.
Em comparação, aproximadamente 25 horas de busca ativa em solo resultaram na identificação de dois grupos. Segundo os responsáveis pelo monitoramento, as duas estratégias são complementares e permitem reunir informações mais completas sobre a presença, o deslocamento e o uso da paisagem pelos animais.
Além dos drones termais, o trabalho utiliza observação direta em campo e armadilhas fotográficas. Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS-telemetria em macacos-prego.
O acompanhamento permite registrar a composição dos grupos, a dieta, os deslocamentos, os nascimentos e o desenvolvimento dos filhotes. Um dos grupos que vem sendo acompanhado é formado pelos bugios Baru, Pequi e Bacuri, pai, mãe e filhote.
Bacuri recebeu o nome após uma votação que contou com mais de 270 participantes entre trabalhadores da obra e integrantes da comunidade externa. Desde o nascimento, o filhote vem sendo reencontrado pelas equipes durante as campanhas de monitoramento.
Os registros mais recentes mostram Bacuri interagindo com os pais, além de imagens de alguns de seus irmãos brincando. As observações ajudam os pesquisadores a acompanhar o desenvolvimento dos animais e as mudanças na dinâmica familiar ao longo do tempo.
O monitoramento também tem uma função importante para o planejamento das medidas de conservação previstas no Projeto Sucuriú. Entre elas estão duas Passagens Superiores de Fauna, uma na área da captação de água e outra na região do emissário.
As estruturas suspensas terão aproximadamente 180 metros de vão livre e foram planejadas para restabelecer a conexão entre trechos de vegetação. A medida é considerada especialmente importante para espécies arborícolas, que dependem da continuidade das copas das árvores para se deslocar em busca de alimento e abrigo.

Imagem Divulgação
As obras de captação de água bruta e do emissário de efluentes tratados devem provocar intervenções em trechos da vegetação às margens do Rio Sucuriú. Por isso, o monitoramento busca estabelecer uma base de dados sobre a utilização da paisagem pelos primatas antes da implantação das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027.
Depois da instalação das passagens, os animais continuarão sendo monitorados para verificar se utilizam as estruturas e se elas cumprem a função de conectar novamente os ambientes.
Ao todo, estão previstas 20 campanhas de monitoramento durante cinco anos, com quatro campanhas por ano.
O trabalho também já recebeu reconhecimento no setor de celulose. A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia. A premiação destaca o uso de drones termais para o monitoramento não invasivo de primatas e a geração de dados para auxiliar no planejamento e na avaliação das medidas de conservação.
O corredor do Rio Sucuriú também apresenta registros de outras espécies de fauna, como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. As câmeras-trap ainda registraram um grupo de queixadas com mais de dez indivíduos.
O monitoramento é realizado em uma área relacionada ao Projeto Sucuriú, que prevê a construção de uma fábrica de celulose em Inocência. O empreendimento representa um investimento de US$ 4,6 bilhões e terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano.
A área do projeto possui aproximadamente 3.500 hectares e fica a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, às margens do Rio Sucuriú. A previsão é que a fábrica entre em operação no final de 2027.
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