Profissionais do Hospital Universitário de Campo Grande explicam crenças que atravessam gerações e orientam sobre prevenção de ISTs, qualidade do ar, saúde mental e cuidados com o corpo
O Dia do Folclore, celebrado neste sábado (22), é conhecido por valorizar lendas, personagens, danças, ritmos e tradições que fazem parte da cultura brasileira. Mas, além das histórias transmitidas entre gerações, informações e crenças relacionadas à saúde também podem permanecer no imaginário popular.
Para separar o que é mito do que é verdade, especialistas do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS) explicam algumas afirmações comuns sobre saúde e reforçam cuidados importantes para a população.
Preservativo é a única forma de prevenção contra ISTs?
Mito. O médico infectologista do Humap-UFMS, Alexandre Bertucci, explica que a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) deve envolver diferentes estratégias, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
“Quando falamos em prevenção, um dos conceitos mais importantes é o que chamamos de prevenção combinada”, explica.
Segundo o especialista, a estratégia pode incluir vacinação contra hepatite B e HPV, testagem periódica, uso de preservativos e profilaxias pré e pós-exposição ao HIV. Para pessoas que vivem com HIV, o tratamento também pode atuar como uma forma de prevenção.
A qualidade do ar interfere na saúde?
Verdade. O pneumologista Henrique Ferreira de Brito destaca que o ar respirado diariamente influencia não apenas a saúde dos pulmões, mas também o funcionamento do organismo.
Poluição, fumaça de queimadas, fuligem e outros agentes podem irritar as vias respiratórias e provocar inflamações e doenças.
O problema pode ser agravado durante períodos de estiagem, quando a umidade relativa do ar diminui. Por isso, o especialista recomenda atenção à hidratação.
“Geralmente, nesta época do ano, a gente tem um período de estiagem, isso reduz a umidade do ar e leva, então, a um ar mais ressecado, que também é um agressor. Somam-se a isso queimadas, e o problema é potencializado”, explica.
O ambiente de trabalho não influencia o bem-estar?
Mito. O ambiente em que as pessoas trabalham também pode ter impacto sobre saúde e qualidade de vida.
No Humap-UFMS, a chefe do Setor de Hotelaria, Rosimeire Faccio, destaca que a gestão hospitalar busca conciliar sustentabilidade, eficiência e qualidade assistencial.
Entre as medidas estão o uso racional de água e energia, redução de desperdícios, destinação correta de resíduos, conservação do enxoval, redução do desperdício de alimentos e adoção de critérios de sustentabilidade nas compras.
“O objetivo não é simplesmente consumir menos, mas utilizar os recursos de forma eficiente, segura e responsável, conciliando sustentabilidade ambiental, eficiência econômica e qualidade assistencial, em prol de trabalhadores e pacientes”, afirma.
Falar sobre medos e anseios ajuda na saúde mental?
Verdade. Compartilhar sentimentos, buscar acolhimento e falar sobre situações que provocam sofrimento também são atitudes importantes para a saúde mental.
A psicóloga Glaucia Mello Sanches, do Humap-UFMS, explica que o acolhimento psicológico oferece um espaço seguro para que a pessoa possa falar sobre suas dificuldades sem julgamentos.
“É onde a pessoa pode finalmente soltar o ar e falar da dor que parecia insuportável. Pedir ajuda desfaz o monstro e quebra o cerco”, afirma.
A especialista destaca que o acompanhamento profissional pode ser importante especialmente quando o sofrimento começa a interferir no sono, nos pensamentos e na rotina.
Cuidar da saúde significa apenas prevenir doenças?
Mito. O cuidado com a saúde vai além da realização de exames e da prevenção de doenças.
No caso da saúde da mulher, a chefe da Unidade de Saúde da Mulher do Humap-UFMS, Fernanda Rodrigues, destaca a importância de manter uma rotina de cuidados, conhecer o próprio corpo e respeitar os limites.
“O cuidado integral com a saúde da mulher vai muito além da prevenção de doenças. Envolve olhar para o corpo, a mente, as emoções, a sexualidade, a alimentação, o sono, a saúde ginecológica e a qualidade de vida”, afirma.
A orientação é manter os cuidados de forma contínua e procurar atendimento profissional diante de alterações ou dúvidas relacionadas à saúde.
Saúde também é informação
A iniciativa aproveita o Dia do Folclore para reforçar que, assim como histórias e tradições são transmitidas entre gerações, informações sobre saúde também podem ser compartilhadas.
A orientação de especialistas é buscar fontes confiáveis e atendimento profissional para esclarecer dúvidas, evitando que crenças populares substituam informações baseadas em conhecimento médico e científico.
O Humap-UFMS integra a rede de hospitais universitários federais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC).