Articulação binacional liderada a partir de Corumbá para enfrentar um problema que afeta diretamente Mato Grosso do Sul
Corumbá deu um passo importante para fortalecer a proteção do Pantanal ao sediar uma articulação inédita entre instituições do Brasil e da Bolívia voltada à prevenção e ao combate às queimadas na faixa de fronteira. O encontro reuniu representantes dos dois países para definir ações conjuntas de monitoramento, resposta a emergências e preservação do bioma, diante da previsão de um período de maior risco de incêndios florestais.
A iniciativa busca integrar o trabalho desenvolvido em Corumbá e Ladário, em Mato Grosso do Sul, com os municípios bolivianos de Puerto Quijarro, Puerto Suárez e Carmen Rivero Torres, criando uma rede permanente de cooperação para enfrentar os impactos das mudanças climáticas no Pantanal.
Entre os participantes estiveram representantes do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Prevfogo/Ibama, Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Polícia Militar Ambiental (PMA), Defesa Civil e Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, além da Armada Boliviana e da Subgovernación da Província Germán Busch.
Monitoramento em tempo real reforça combate às queimadas
Durante o encontro, o Instituto Homem Pantaneiro apresentou o Sistema Pantera, tecnologia que monitora focos de fumaça em tempo real por meio de torres equipadas com câmeras de alta resolução e visão de 360 graus.
A plataforma cobre mais de 1 milhão de hectares entre Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia, permitindo a identificação precoce de incêndios e o compartilhamento de informações estratégicas entre as equipes dos dois países.
Além da tecnologia, as instituições discutiram protocolos conjuntos para agilizar a troca de informações, reduzir o tempo de resposta e ampliar a integração operacional durante ocorrências ambientais na região de fronteira.
Agenda permanente de cooperação
Como resultado da reunião, Brasil e Bolívia decidiram criar uma agenda permanente de trabalho voltada ao manejo integrado do fogo e à proteção da biodiversidade do Pantanal.
Segundo o presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, a cooperação amplia a capacidade de resposta das equipes e fortalece as ações preventivas.
Já o subgovernador da Província Germán Busch, Luis Delgadillo Salazar, destacou que incêndios florestais não respeitam fronteiras e que a integração entre os dois países é essencial para proteger o bioma e as comunidades da região.
El Niño aumenta preocupação com incêndios
A articulação ocorre em um momento de alerta para Mato Grosso do Sul. De acordo com nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a expectativa é de retorno do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026.
A previsão indica temperaturas acima da média, baixa umidade do ar e aumento do risco de incêndios florestais entre agosto e outubro, especialmente no Pantanal.
Nos últimos dias, dados do sistema internacional FIRMS já apontaram maior concentração de focos de calor na Bolívia, em áreas próximas à fronteira com Mato Grosso do Sul, reforçando a necessidade de ações integradas entre os dois países para reduzir os impactos ambientais e proteger a população.
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram