Enquanto unidades de saúde têm consultas suspensas, Águas Guariroba já repôs 2.170 hidrômetros levados por criminosos neste ano
O furto de estruturas e equipamentos urbanos deixou de ser apenas um problema de prejuízo material e passou a afetar diretamente serviços essenciais em Campo Grande. De um lado, criminosos retiram fios elétricos de unidades de saúde e deixam pacientes sem atendimento. De outro, hidrômetros instalados nas calçadas e imóveis são levados, obrigando a concessionária Águas Guariroba, responsável pelo abastecimento de água a realizar reposições constantes.
Na manhã desta sexta-feira (4), o problema voltou a atingir uma unidade de saúde. Desta vez, foi a USF (Unidade de Saúde da Família) do Pioneiros que amanheceu sem energia depois que criminosos furtaram a fiação elétrica durante a madrugada. Sem condições para funcionar normalmente, o posto precisou suspender consultas e orientar pacientes a procurar outras unidades ou aguardar o reagendamento.
Segundo um funcionário da unidade que optou por não se identificar, este seria o quinto furto de fiação registrado no local. A ocorrência foi descoberta logo no início da manhã, quando o primeiro servidor chegou para trabalhar e encontrou o prédio sem energia e com os fios retirados. Pacientes que já haviam chegado ao posto precisaram ser informados sobre a suspensão dos atendimentos.
Cerca de 30 consultas foram afetadas
Uma servidora da unidade, que preferiu não se identificar, contou que três médicos tinham consultas previstas para esta sexta-feira. Eram aproximadamente dez pacientes agendados para cada profissional.
Parte dos pacientes terá o atendimento remarcado para a próxima semana. Aqueles que não podem esperar deverão procurar outra unidade da rede municipal.
“Vamos remarcar alguns pacientes na próxima semana. Os pacientes que não conseguem aguardar até a próxima terça-feira, estamos orientando a procurar a unidade mais próxima”, explicou.
A servidora também relatou preocupação com a segurança no entorno da unidade. Segundo ela, o posto conta com guarda, mas a presença não ocorre diariamente.
“Aqui tem guarda, mas assim, um dia sim, um dia não. Todos os dias não tem”, relatou.
Para ela, o problema não se restringe ao posto de saúde e também atinge estabelecimentos comerciais da região.
“Aqui no bairro, não só aqui a Unidade de Saúde, como algumas empresas, comércio, também está precisando mais de segurança mesmo”, afirmou.
Furtos de fios se repetem na rede de saúde
O caso do Pioneiros não é isolado. Outras unidades da rede municipal também foram alvo de criminosos em 2026, com impactos no funcionamento dos serviços, conforme noticiado anteriormente pelo Jornal O Estado.
Em julho, a USF Vila Carlota chegou ao sexto furto de fiação em menos de dois meses. Na ocasião, o crime ocorreu pela segunda vez na mesma semana e afetou cerca de 200 pacientes, que tiveram os atendimentos cancelados e foram orientados a procurar outras unidades.
Em junho, a mesma unidade havia sofrido outro furto durante um fim de semana. Comerciantes da região relataram que aquele já seria o quarto episódio no local somente naquele mês.
Em janeiro, a Clínica da Família Dr. Mauro Barros Wanderley, no Iracy Coelho, também amanheceu sem energia após o furto de fios. Consultas precisaram ser remarcadas e a unidade permaneceu com atendimento limitado.
Já em janeiro de 2025, a USF Aero Itália foi alvo de dois furtos de fiação em apenas três dias. Na ocasião, pacientes foram direcionados para outras unidades e a sala de vacinação precisou permanecer fechada até que houvesse condições adequadas para armazenamento das doses.
Hidrômetros também viram alvo
Enquanto os furtos de fios comprometem diretamente o funcionamento de serviços públicos, outro tipo de equipamento instalado nas ruas e imóveis de Campo Grande também tem sido alvo frequente de criminosos: os hidrômetros.
Segundo a Águas Guariroba, 2.170 hidrômetros furtados foram registrados e substituídos pela concessionária entre janeiro e agosto de 2026.
Nos últimos 30 dias, o bairro com maior volume de reposições de equipamentos furtados foi a Vila Piratininga.
A concessionária afirma que, para tentar reduzir a atratividade dos equipamentos para os criminosos, vem substituindo hidrômetros antigos por modelos novos, compostos exclusivamente por peças de plástico.
Além dos equipamentos instalados nos imóveis, a própria empresa também relata ter sido alvo de ações criminosas, com furtos de equipamentos em suas unidades operacionais.
A necessidade de reposição constante representa uma corrida para evitar que o crime provoque impactos maiores no abastecimento de água.
Segundo a Águas Guariroba, as equipes trabalham continuamente na substituição dos equipamentos furtados para minimizar os efeitos das ocorrências e garantir a regularidade do abastecimento à população.
Quando o furto vira problema para toda a cidade
Embora tenham alvos diferentes, os furtos de fios e hidrômetros têm um ponto em comum: o crime ultrapassa o prejuízo de quem teve o equipamento levado e gera impactos para toda a população.
No caso da fiação elétrica, a consequência pode ser imediata, como ocorreu no Pioneiros, onde dezenas de pacientes tiveram consultas afetadas. Já no caso dos hidrômetros, a frequência das ocorrências exige que a concessionária mantenha equipes mobilizadas para reposição dos equipamentos.
Para comunicar situações que necessitem de intervenção da concessionária, a Águas Guariroba orienta a população a utilizar os canais oficiais: 0800 642 0115 (SAC e WhatsApp) e o site da empresa.
Por Ian Netto e Michelly Perez
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