O temporal que atingiu Campo Grande nos últimos dias deixou mais do que árvores caídas, ruas interditadas e serviços interrompidos. Os estragos também serviram de alerta para o poder público sobre a necessidade de preparar a cidade para eventos climáticos cada vez mais extremos. Desde quinta-feira (10), o município registrou 450 ocorrências relacionadas às chuvas, sendo 423 envolvendo quedas de árvores ou galhos. Na região central, foram mais de 120 chamados.
Enquanto equipes ainda trabalham para recuperar os pontos atingidos, a Prefeitura começou a estruturar uma estratégia para antecipar os próximos episódios. Nesta segunda-feira (14), representantes de secretarias municipais, órgãos públicos e empresas responsáveis por serviços essenciais participaram de uma reunião técnica no Gabinete de Situação para integrar informações, atualizar protocolos e definir respostas mais rápidas diante de situações de emergência.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), desde quinta-feira o acumulado de chuva ultrapassou 102 milímetros, volume quase 40% superior à média histórica de setembro. A reunião desta segunda-feira foi realizada pelo Gabinete de Situação, dentro das ações do COMEC (Comitê de Mudança Climática), e teve como objetivo transformar as experiências recentes em medidas permanentes de prevenção.
Uma das estratégias discutidas é o cruzamento de informações produzidas por diferentes órgãos. Dados da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e demais setores poderão ser reunidos para classificar ocorrências de acordo com o grau de gravidade. A medida pretende evitar que diferentes equipes sejam deslocadas para o mesmo problema enquanto outras áreas permanecem sem atendimento.
Árvores entram no radar
Um dos principais problemas provocados pelo temporal recente foi a queda de árvores. Dos 450 chamados registrados desde quinta-feira, 423 estavam relacionados a árvores ou galhos. Durante a reunião, a Energisa apresentou informações sobre interrupções no fornecimento de energia .
A Prefeitura informou que utiliza a plataforma Arbolim para acompanhar aproximadamente 10 mil árvores existentes na Capital. Os exemplares são classificados de acordo com o nível de criticidade, permitindo identificar aqueles que podem representar maior risco.
Mais de 35 equipes ainda estão nas ruas
Enquanto o planejamento para os próximos eventos começa a ser estruturado, o trabalho de recuperação dos estragos do temporal continua. Mais de 35 equipes da Prefeitura estão mobilizadas nas sete regiões da Capital. A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) mantém 13 equipes concentradas no corte de árvores, recolhimento de entulhos e desobstrução de bueiros. A Agetran também precisou atuar com desvios de rota, auxílio aos motoristas e recuperação de 213 semáforos. A Emha (Agência Municipal de Habitação) contabiliza 118 ações emergenciais. Moradores das comunidades Nova Esperança, Jardim Seminário e Moreninhas receberam lonas após destelhamentos provocados pelas chuvas.
Na assistência social, os 26 CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) permanecem abertos para acolher moradores afetados. Nas unidades Rosa Adri, Vila Gaúcha, Indubrasil e Noroeste são distribuídos cestas básicas, cobertores e colchões.
A força-tarefa também reúne equipes do Governo do Estado, por meio do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil Estadual e Secretaria de Obras, além das concessionárias Energisa e Águas Guariroba.
Saúde também entra no plano contra o clima
A rede municipal de saúde também está sendo preparada para responder a possíveis mudanças no perfil dos atendimentos. Campo Grande está entre os municípios considerados prioritários para a preparação das unidades de saúde diante dos efeitos do El Niño e das mudanças climáticas. A definição ocorreu durante o evento “Sala de Guerra”, realizado em 4 de agosto, dentro de uma estratégia de diagnóstico e adaptação da estrutura do SUS (Sistema Único de Saúde).
Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, a preparação precisa começar antes que os efeitos de um evento extremo cheguem às unidades.
“A preparação precisa acontecer antes do evento. Estamos antecipando cenários e fortalecendo o planejamento da nossa rede para diferentes situações, desde possíveis alterações no perfil das doenças respiratórias e dos agravos relacionados ao calor até os impactos que eventos climáticos podem trazer para os serviços de saúde.”
O planejamento inclui a avaliação da estrutura física das unidades, como telhados, calhas e sistemas de drenagem, além da garantia de abastecimento de água e energia.
Também serão avaliadas a capacidade de leitos, reservas de oxigênio, medicamentos, insumos, equipamentos e outros materiais considerados estratégicos em situações de emergência.
Por Isis Maciel e Michelly Perez