Mobilização ocorre após mais de um mês de negociações sem proposta salarial apresentada pelos bancos e inclui trabalhadores de Campo Grande e região
Bancários de Mato Grosso do Sul, incluindo trabalhadores de Campo Grande e região, vão aderir à paralisação nacional de 24 horas marcada para esta quinta-feira (20). A mobilização ocorre em meio ao impasse nas negociações entre a categoria e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que ainda não apresentou uma proposta de reajuste salarial.
A decisão de paralisar as atividades foi aprovada em assembleia realizada no último domingo (17). Os trabalhadores reivindicam aumento real nos salários e benefícios, além de mudanças nas condições de trabalho.
Entre as principais demandas estão o combate ao assédio e à sobrecarga de trabalho, a contratação de novos funcionários, a manutenção das agências e a garantia de igualdade de oportunidades, com medidas voltadas à inclusão e à ampliação da presença de mulheres na área de tecnologia da informação.
As negociações entre os bancários e a Fenaban começaram em 2 de julho. Segundo o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, até o momento não houve apresentação de uma proposta salarial pelas instituições financeiras.
Sindicato critica propostas dos bancos
A categoria também critica alternativas apresentadas pelos bancos durante as negociações. De acordo com o sindicato, entre as sinalizações estão um modelo de reajuste dividido em três faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso.
Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, Neide Rodrigues, os resultados financeiros do setor demonstram que os bancos teriam condições de atender às reivindicações dos trabalhadores.
“Os dados não mentem: com lucros nas alturas, os bancos têm todas as condições de atender às reivindicações da categoria. Esses resultados recordes são fruto do trabalho duro dos bancários e bancárias, que exigem e merecem valorização com ganho real nesta campanha salarial”, afirmou.
Segundo dados apresentados pelo sindicato, os bancos registraram lucro de R$ 171 bilhões em 2025. Desse total, R$ 124 bilhões ficaram concentrados nos cinco maiores bancos do país, que somam patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão.
Fechamento de agências preocupa categoria
Além da questão salarial, os bancários também colocam no centro da mobilização a redução da estrutura física do sistema bancário e os impactos sobre trabalhadores e clientes.
De acordo com os dados divulgados pelo sindicato, o número de agências bancárias no Brasil caiu de 22.786, em 2015, para 13.291 em 2026, uma redução de 42%.
Nos bancos privados, a queda teria chegado a 60%. Somente entre janeiro e maio deste ano, 941 agências encerraram as atividades.
A categoria também aponta o fechamento de aproximadamente 93,3 mil postos de trabalho no setor desde 2025.
Paralisação e impacto para clientes
O sindicato afirma que a mobilização também busca chamar atenção para as condições de atendimento oferecidas à população. Segundo os dados apresentados pela entidade, 2.649 municípios brasileiros, o equivalente a 48% do total, não possuem nenhuma agência bancária pública ou privada.
Para os trabalhadores, a redução da rede física amplia a exclusão financeira e dificulta o acesso a serviços presenciais, especialmente para idosos, pessoas de baixa renda e pequenos comerciantes.
A paralisação desta quinta-feira ocorre, portanto, como forma de pressionar os bancos a avançarem nas negociações e apresentarem uma proposta que contemple reajuste salarial, manutenção de direitos e melhorias nas condições de trabalho.
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