A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), o Cetran (Conselho Estadual de Trânsito) e a Superintendência da PRF (Polícia Rodoviária Federal) convocaram uma audiência pública para a elaboração de metas para a redução do índice de mortes no trânsito em Mato Grosso do Sul. O debate inicia as ações voltadas ao Pnatrans (Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito). A reunião acontece nesta segunda-feira (19), às 19h, no auditório da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia).
A audiência será aberta ao público e contará com a presença dos três órgãos citados acima, além de motoristas e familiares que perderam entes queridos em acidentes.
Os objetivos da audiência são: garantir a interlocução entre os órgãos executivos de trânsito da união, estados e municípios com a sociedade e entidades em geral, para conhecer e debater, à luz dos aspectos jurídicos, técnicos, de gestão participativa e referentes à aplicabilidade e condições de gestão, os impactos da Lei nº 13.614/2018 (Pnatrans), na elaboração das metas de redução do índice de mortos no trânsito, por grupos de habitantes e de veículos.
Depois de serem apresentados esclarecimentos a respeito do tema, a plateia terá direito de manifestação oral de até três minutos para cada participante que queira exercer este direito.
Um estudo da Gerência de Análise e Estatística de Trânsito do Detran (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) revelou que, no período de 2021 a 2025, foram registrados 16.146 sinistros envolvendo motociclistas, resultando em 66.746 vítimas. Isso significa uma média de oito mil ocorrências a cada ano. Segundo o órgão, a categoria representa o maior número de óbitos e sequelas graves. Ao todo, são cerca de 24% mais envolvidos em acidentes de trânsito de 2021 a 2024.
Gabriele Pinzan Mendes, que morreu em março de 2026, não entrou para esta conta, mas exemplifica a letalidade das batidas no trânsito do Estado. O acidente aconteceu no dia 27 daquele mês e envolveu também um ônibus do transporte coletivo de Campo Grande. O jornal O Estado esteve presente na cobertura da fatalidade, e encontrou uma cena trágica, mas comum: familiares lamentando a perda precoce da motociclista.
A audiência pública também tratará a respeito de lesões causadas por acidentes de trânsito. Ainda na Rua Brilhante, onde também aconteceu o acidente com Gabriele, a empresária de 42 anos, Jamile Domingues, teve que amputar parte da perna ao ser atropelada por um carro que trafegava em alta velocidade. A família relata que a mulher precisou adaptar completamente sua vida.
Para Lenoir Magalhães Pereira, presidente da FMAPP-MS (Frente dos Motoristas de Aplicativo de Mato Grosso do Sul), na Capital, que representa o maior número absoluto desses acidentes, uma das questões está na qualidade da via. “Os buracos de Campo Grande estão sendo um grande problema em relação aos motoristas e toda população, há uma certa dificuldade em estrutura. Certos buracos não estão sendo corretamente tampados e a gente sabe que quanto mais eles vão crescendo, maior a probabilidade de causar acidentes”, explica.
Mas o presidente também reforça a importância da educação no trânsito. “Há uma necessidade enorme de uma reeducação no trânsito, assim como uma espécie de conscientização. Embora as cidades estejam passando por adaptações, por exemplo, retirando rotatórias e colocando semáforos, o que para mim é um grande avanço, ainda tem muita coisa que precisa de respeito. É preciso também aumentar o efetivo na fiscalização de alcoolizados, é um problema crônico”, finaliza.
Por Maria Gabriela Arcanjo
Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram