A volta da bebê Ayla Emanuelly para casa, na última quinta-feira (13), marcou o fim de uma semana de angústia para a família. Depois de ser encontrada no Paraguai e passar por avaliação psicossocial, a criança foi autorizada pela Justiça a retornar para os familiares, onde foi recebida por bisavós, avós, tias e outros parentes.
Agora, uma nova mobilização começa em torno da família. A madrinha da mãe de Ayla, Jéssica Espinoza, e amigos criaram uma vaquinha online para ajudar a adolescente de 17 anos e a filha a reconstruírem a vida depois do sequestro. Batizada de “Um lar para Ayla”, a campanha tem como meta arrecadar R$ 260 mil. O dinheiro será usado para comprar uma casa para mãe e filha, de preferência em uma região próxima aos familiares que formam a rede de apoio das duas.
Atualmente, conforme a descrição da campanha, mãe e filha vivem em um espaço compartilhado com outros familiares. A intenção é proporcionar um lugar próprio e seguro para que Ayla cresça e para que a adolescente possa cuidar da filha com mais tranquilidade. Mas o projeto vai além da compra da casa. A família também pretende utilizar parte dos recursos para ajudar a mãe de Ayla a aprender uma profissão e iniciar uma atividade que possa ser desenvolvida dentro de casa.
A ideia é permitir que ela tenha uma fonte de renda sem precisar se afastar da filha ou enfrentar deslocamentos diários para trabalhar.
“Ela ainda não teve a oportunidade de entrar no mercado de trabalho e, neste momento, dedica-se aos cuidados da filha”, diz a apresentação da campanha.
Jéssica explicou, nas redes sociais, que a intenção é criar condições para que mãe e filha tenham o próprio espaço e para que a adolescente consiga trabalhar de casa.
“Nossa intenção é ajudar para que elas tenham o cantinho delas e que ela consiga trabalhar de casa. Queremos investir em algo que ela consiga produzir, para que não precise sair de casa”, afirmou.
A própria mãe de Ayla também falou sobre as dificuldades enfrentadas. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que a necessidade de conseguir dinheiro para sustentar a filha acabou contribuindo para que aceitasse a proposta que terminou no sequestro.
“Toda essa tragédia aconteceu porque fui atrás do sustento para minha filha”, disse.
Sequestro foi planejado antes do nascimento
A Polícia Civil concluiu que o sequestro de Ayla foi planejado antes mesmo do nascimento da criança. A investigação descartou as hipóteses de venda, doação ou tráfico e apontou que a suspeita teria criado uma estratégia para conseguir ficar com a bebê. Ayla foi encontrada na madrugada do dia 9, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, depois de mais de 48 horas de buscas. A criança estava com Suzilaine da Graça Costa e o marido dela, Alex Melo de Abreu, que foram presos.
De acordo com a investigação, Suzilaine teria fingido estar grávida e se aproximado da mãe de Ayla ainda durante a gestação. O primeiro contato ocorreu em grupos de WhatsApp destinados à compra, venda e doação de enxovais. A adolescente procurava roupas e outros itens para a filha que estava para nascer quando passou a conversar com Suzilaine. Aos poucos, segundo a polícia, a mulher conquistou a confiança da jovem.
Depois que Ayla nasceu, a suspeita teria oferecido até mesmo um ensaio fotográfico para continuar próxima da família. No dia 6 de agosto, a adolescente foi atraída para um imóvel com a promessa de receber R$ 100 para cuidar de outra criança. Foi nessa ocasião que Ayla acabou sendo levada.
A localização da bebê encerrou uma busca que mobilizou as forças de segurança e repercutiu nas redes sociais. Agora, a família tenta transformar o alívio pelo retorno de Ayla em um novo começo.
A campanha “Um lar para Ayla” foi criada justamente com esse propósito: garantir uma casa para mãe e filha, fortalecer a rede de apoio e ajudar a adolescente a conquistar independência financeira enquanto permanece ao lado da criança.
As informações para contribuição estão disponíveis no perfil criado no Instagram e na página oficial da campanha.
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SEQUESTRO DE BEBÊ – CAMPO GRANDE/MS 🚨
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