Apesar dos alarmismos, Capital continua sendo um lar seguro para araras-canindés

Crédito: Maria Gabriela Arcanjo / Reprodução
Crédito: Maria Gabriela Arcanjo / Reprodução

Ave morta no último fim de semana pode ser caso isolado e, segundo Instituto, elas não correm risco

Desde o último sábado (22), os holofotes das discussões nas redes sociais voltaram-se às araras-canindés. Não pela beleza ou por ser um dos símbolos da natureza sul-mato-grossense, mas porque duas dessas aves foram encontradas mortas por moradores da região do bairro Vila Planalto, em Campo Grande. Apesar da desconfiança, não há laudos que comprovem a violência contra esses animais neste ponto da Capital.

A primeira arara morta foi encontrada no sábado por uma moradora do bairro Vila Alba. Segundo falas com a imprensa, a mulher relatou que desconfiava que o fato estava relacionado com disparos de arma de chumbinho, e que viu um trabalhador da região disparar contra ela.

Já na manhã de ontem, terça-feira, um casal também encontrou, na calçada de casa, uma arara-azul sem vida, machucada e com marcas de sangue, na Vila Planalto, bairro há cerca de cinco minutos do anterior. Sobre este caso em específico, a reportagem do jornal O Estado entrou em contato com o Instituto Arara Azul, responsável por trabalhos à favor da conservação ambiental e da proteção de araras, que afirmou se tratar de uma situação de eletrocussão.

O casal ligou para o Instituto, que foi até o local para recolher a carcaça. Depois de análises, o órgão constatou que não houve morte proposital. “As lesões observadas no corpo do animal são compatíveis com as causadas por acidente em rede de energia elétrica. Neste animal foram observadas queimaduras e exposição da cavidade celomática”, afirmou Larissa Tinoco, coordenadora de campo do Projeto Aves Urbanas Araras na Cidade.

Uma câmera de segurança também flagrou o momento da queda da ave, somando à hipótese de choque. Além disso, “nenhum artefato de arma de pressão ou fogo foram encontrados no corpo do animal, descartando esta possibilidade”, explicou a coordenadora. O Instituto Arara Azul ainda afirmou que, no primeiro caso, não foi acionada, o que dificulta afirmar ou negar que o animal tenha sido atingido por chumbinho.

A reportagem esteve no local onde a carcaça foi encontrada. Lá, conversou com Floriano Farias, de 86 anos, um morador das redondezas que se diz encantado pela presença das araras nos bairros próximos. “Tem em toda parte. Isso aí é uma beleza para a gente olhar. Muito bonito, eu acho”, disse ao olhar para as aves que estavam em cima de um coqueiro naquele momento.

A moradora que acionou o Instituto Arara Azul também falou com o O Estado. “Puxamos essa imagem de câmera, e parece que foi choque mesmo. Quando achamos ela, parecia que era tiro, por conta dos ferimentos”.

 

Por Maria Gabriela Arcanjo

 

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