Aldeias de Dourados: projeto prevê novos poços, reservatórios e rede de distribuição para atender quase 30 mil indígenas

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
FOTO: NILSON FIGUEIREDO

Após décadas de problemas no abastecimento, as aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados, devem receber um novo sistema de distribuição de água potável. O projeto prevê investimento de R$ 50,7 milhões e foi desenvolvido para atender cerca de 29,5 mil pessoas.

A iniciativa prevê a implantação de poços tubulares, tratamento da água, reservatórios e redes de distribuição com ligações domiciliares. O investimento será dividido entre as duas aldeias, com R$ 24,3 milhões destinados à Jaguapiru e R$ 26,4 milhões à Bororó.

O problema de abastecimento se arrasta há anos e já foi alvo de cobranças das comunidades e de órgãos públicos. Em janeiro, a Sanesul informou que o projeto representa uma tentativa de solucionar definitivamente a falta de água potável nas duas aldeias.

Para o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado, a situação de Dourados foi definida como uma das prioridades do governo federal. Segundo ele, a articulação com a bancada federal de Mato Grosso do Sul garantiu aproximadamente R$ 55 milhões para a estrutura. “Conseguimos viabilizar recurso federal junto à bancada federal nossa, que destinou cerca de R$ 55 milhões para resolver a situação de Dourados”, afirmou.

Terena explica que o investimento envolve não apenas a perfuração dos chamados “superpoços”, mas também toda a infraestrutura necessária para levar a água até as residências. “Além de construir o que eles denominam de superpoços, precisa também fazer toda a rede de abastecimento. E isso não é barato”, disse.

Embora os recursos sejam federais, a execução ficará sob responsabilidade do Governo de Mato Grosso do Sul. Segundo o ministro, a autorização para as obras, que dependia da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), já foi concedida. “O recurso está garantido, o projeto está autorizado. E a gente agora está nessa ânsia de entregar logo essas estruturas e resolver de vez o problema de Dourados”, afirmou.

A Sanesul informou que os novos sistemas terão capacidade de captação por poços tubulares de até 150 mil litros por hora, além de tratamento por cloração e estruturas de reservação.

O projeto também representa uma resposta a um problema que afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida das comunidades. Para Terena, o acesso à água potável deve ser tratado como um direito fundamental.

A expectativa é que a implantação da nova estrutura reduza a dependência de soluções emergenciais e garanta abastecimento regular para os moradores das duas aldeias.

Por Ian Netto

 

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