Agosto Verde: Alzheimer mata uma pessoa a cada 26 horas em MS, mostram dados do Ministério da Saúde

Apesar da doença, era possível vivenciar momentos de descontração
(Foto: Acervo pessoal) / Agência ALEMS
Apesar da doença, era possível vivenciar momentos de descontração (Foto: Acervo pessoal) / Agência ALEMS

Estado registrou 337 mortes relacionadas à doença em 2025 e já soma 127 óbitos até maio deste ano; especialista explica fatores de risco, tratamento e prevenção 

Mato Grosso do Sul registrou 337 mortes relacionadas à doença de Alzheimer em 2025, segundo dados do  Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde), do Ministério da Saúde. O número equivale a uma morte a cada 26 horas e chama atenção para os impactos da doença neurodegenerativa no Estado.

O cenário ganha destaque durante o Agosto Verde, mês dedicado a ações de conscientização sobre doenças mentais e neurodegenerativas em Mato Grosso do Sul. A campanha foi instituída pela Lei Estadual nº 5.088/2017.

Nos primeiros cinco meses de 2026, o Estado já contabilizou 127 mortes associadas ao Alzheimer, uma média de aproximadamente 25 óbitos por mês. Desde 2022, são 1.430 mortes registradas: 305 em 2022, 315 em 2023, 346 em 2024 e 337 em 2025.

Doença provoca perda progressiva de memória e autonomia

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória e outras funções cognitivas. Com o avanço do quadro, também podem ocorrer alterações de comportamento e perda gradual da autonomia.

Segundo o neurologista Gabriel Pereira Braga, presidente do Capítulo Estadual de Mato Grosso do Sul da Academia Brasileira de Neurologia, o Alzheimer não provoca necessariamente a morte de forma direta. Em estágios avançados, porém, a doença pode favorecer complicações graves.

Uma delas é a dificuldade para engolir. O comprometimento da deglutição pode levar à broncoaspiração, quando alimentos ou líquidos entram nas vias respiratórias, aumentando o risco de pneumonia e outras complicações.

O Ministério da Saúde destaca que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são importantes para aliviar sintomas e retardar a progressão da doença.

Hábitos podem contribuir para a saúde cerebral

De acordo com o especialista, fatores genéticos e relacionados ao estilo de vida podem influenciar o desenvolvimento do Alzheimer. Entre os fatores associados ao maior risco estão o sedentarismo, consumo de álcool, alimentação rica em ultraprocessados e gorduras saturadas e histórico de traumatismos cranianos repetidos.

A manutenção de atividades físicas, uma alimentação equilibrada e a estimulação cognitiva estão entre as medidas que podem contribuir para a saúde cerebral. O Ministério da Saúde também recomenda manter a mente ativa e uma vida social saudável, embora ainda não exista uma forma específica de prevenção capaz de impedir o surgimento da doença.

História de família mostra impacto da doença

Por trás dos números está a história de famílias que acompanham de perto as mudanças provocadas pelo Alzheimer.

A sul-mato-grossense Josiane Mota Cangussú acompanhou a evolução da doença da mãe, Tetis Mota Cangussú, que morreu aos 90 anos, em junho de 2025, em Campo Grande.

Antes do avanço da doença, Tetis era conhecida pela família como uma mulher ativa, criativa e habilidosa. Gostava de ler, fazer palavras cruzadas, desenhar e pintar. Com a progressão do Alzheimer, passou a apresentar alterações de comportamento e perda de memória, até chegar a um estágio avançado da doença.

Para Josiane, o cuidado com a mãe foi marcado por decisões difíceis e pela necessidade de respeitar os limites impostos pela própria doença.

“Tenho a consciência tranquila por ter dado o melhor de mim. Os ciclos da vida precisam ser respeitados”, afirmou.

A despedida ocorreu em um quarto da Santa Casa de Campo Grande. Poucas horas antes de morrer, Tetis chamou a filha e disse que a amava e agradecia por tudo.

Política nacional prevê cuidados para pessoas com demência

Além das ações de conscientização, o Brasil conta desde 2024 com a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências, instituída pela Lei Federal nº 14.878/2024.

A legislação estabelece diretrizes para o cuidado das pessoas com Alzheimer e outras demências e prevê ações de orientação e conscientização, além da articulação entre áreas como saúde, assistência social, previdência, direitos humanos, educação, inovação e tecnologia.

Em Mato Grosso do Sul, os dados de mortalidade reforçam a dimensão do desafio para famílias e para a rede de saúde: somente em 2025, foram 337 mortes relacionadas ao Alzheimer no Estado.

 

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *