Pix por aproximação completa um ano com baixa adesão e desafio de ampliar uso

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Modalidade representa 0,01% das transações do Pix e avança de forma gradual, segundo dados do Banco Central

Criado para tornar os pagamentos instantâneos ainda mais rápidos, o Pix por aproximação completa um ano neste sábado (28) com participação ainda tímida no sistema. Dados mais recentes do Banco Central do Brasil (BC) indicam que, em janeiro, essa modalidade respondeu por apenas 0,01% do total de transações do Pix e por 0,02% do valor movimentado no período.

De um total de 6,33 bilhões de transferências realizadas no mês passado, 1,057 milhão ocorreu por meio da aproximação do celular a uma maquininha de cartão ou à tela de um computador. Em valores, foram movimentados R$ 568,73 milhões, dentro de um universo de R$ 2,69 trilhões transferidos via Pix em janeiro.

Segundo o diretor executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), Gustavo Lino, as exigências de segurança e os limites operacionais estabelecidos pelo BC tornam a adesão mais lenta. Ainda assim, ele avalia que há tendência de expansão, sobretudo entre empresas. “O potencial é grande, sobretudo quando a oferta amadurece e passa a suportar mais casos de uso, inclusive no ambiente corporativo, mantendo a confiança como fundamento”, afirma.

Para Lino, a consolidação da modalidade no comércio e em empresas deve impulsionar o uso, especialmente em pontos de venda com grande fluxo de clientes. “Um ano depois, o Pix por aproximação reforça a direção de evolução do Pix para estar mais presente em pagamentos de alta recorrência e no ponto de venda”, acrescenta. No ambiente corporativo, como em transferências entre filiais e matriz, ele acredita que o desenvolvimento de jornadas específicas para empresas pode ampliar o interesse, mantendo os controles de segurança.

Apesar da participação reduzida no sistema, os números mostram avanço ao longo dos meses. Em julho de 2025, cinco meses após o lançamento, apenas 35,3 mil transações haviam sido realizadas por aproximação. Em novembro do ano passado, o volume superou pela primeira vez 1 milhão de transferências. Os valores movimentados também cresceram: de R$ 95,1 mil em julho, passaram para R$ 1,103 milhão em agosto, R$ 24,205 milhões em novembro e atingiram R$ 133,151 milhões em dezembro.

Para reduzir o risco de golpes com uso indevido de maquininhas, o Banco Central estabeleceu limite padrão de R$ 500 por transação quando o pagamento é feito via Google Pay, carteira digital presente na maioria dos celulares Android no país. Quando o Pix por aproximação é realizado pelo aplicativo da instituição financeira, o correntista pode ajustar os limites, reduzindo o valor máximo por operação e definindo teto diário para esse tipo de pagamento.

O principal diferencial da modalidade é a rapidez. No Pix tradicional, o usuário precisa abrir o aplicativo do banco, acessar a conta, inserir a chave ou escanear um QR Code e digitar a senha. No Pix por aproximação, basta abrir a carteira digital ou o aplicativo da instituição financeira e encostar o celular na maquininha ou na tela do computador, no caso de compras online compatíveis. Para isso, é necessário ativar a função Near Field Communication (NFC) nas configurações do aparelho.

Algumas instituições oferecem a opção de pagar o Pix por aproximação utilizando o limite do cartão de crédito. Nesses casos, há cobrança de juros, e o consumidor deve verificar as condições antes de concluir a operação. Em dezembro, o Banco Central desistiu de criar uma regulação específica para o chamado Pix Parcelado, mas as instituições podem oferecer o parcelamento com juros utilizando nomes como “Pix no Crédito” ou “Parcele o Pix”.

 

Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *