Suzane dos Santos Fernandes – Dançando a Tradição: a arte de preservar a cultura Sul-mato-grossense por meio da dança

Espetáculo Delinha - Fonte: Acervo da Mestre Suzane
Espetáculo Delinha - Fonte: Acervo da Mestre Suzane

Professora, artista, pesquisadora e coreógrafa, Suzane dos Santos Fernandes transforma a dança regional em uma ferramenta de educação, fortalecimento da identidade cultural e valorização das tradições de Mato Grosso do Sul

Professora, artista, pesquisadora e coreógrafa, Suzane dos Santos Fernandes dedica sua trajetória à valorização e à preservação da dança regional sul-mato-grossense. Graduada em Artes Cênicas – Dança/Teatro pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Mestra em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes (Prof-Artes) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ela construiu uma atuação que articula pesquisa, ensino e produção artística em defesa da cultura popular do Estado.

Atualmente professora de Arte/Dança da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande (REME), Suzane desenvolveu sua pesquisa de mestrado no Prof-Artes/UFMS, investigando possibilidades pedagógicas para aproximar crianças e adolescentes das manifestações culturais regionais. O estudo, intitulado Dançando a Tradição: uma proposta pedagógica para a dança regional sul-mato-grossense, buscou compreender como a escola pode contribuir para o reconhecimento, a valorização e a preservação dos saberes culturais presentes no território Sul-mato-grossense.

A pesquisa partiu de uma constatação recorrente nas salas de aula: muitos estudantes possuem pouco contato com as danças tradicionais do Estado e, consequentemente, desconhecem parte significativa do patrimônio cultural que compõe sua própria identidade. Em um contexto marcado pela intensa circulação de referências midiáticas globais, manifestações culturais locais acabam, muitas vezes, sendo relegadas a um segundo plano, tornando-se cada vez mais distantes do cotidiano das novas gerações.

Foi nesse cenário que Suzane desenvolveu uma proposta pedagógica voltada à aproximação entre os estudantes e a cultura regional. O trabalho contou com a orientação da professora Dra. Gabriela Di Donato Salvador Santinho, pesquisadora que contribuiu diretamente para a construção dos caminhos metodológicos adotados na investigação. A partir desse diálogo acadêmico, surgiu a possibilidade de estabelecer relações entre a dança regional e as brincadeiras tradicionais, compreendendo que o brincar pode constituir uma importante porta de entrada para a experiência artística e cultural.

A proposta fundamenta-se na ideia de que o corpo que brinca também é o corpo que dança. Por meio de rodas de conversa, jogos, brincadeiras, memórias familiares e experiências corporais, os estudantes são convidados a reconhecer elementos de sua própria história e de sua ancestralidade. Nesse processo, a aprendizagem ocorre de forma significativa e participativa, favorecendo não apenas o desenvolvimento corporal, mas também a construção de vínculos afetivos com a cultura local.

Grupo Camalote de Danças Folclóricas –
Fonte: Acervo da Mestre Suzane

Mais do que ensinar passos ou coreografias, a proposta busca despertar nos estudantes um olhar sensível para a própria realidade cultural. O objetivo não é formar dançarinos profissionais, mas promover experiências educativas capazes de fortalecer o sentimento de pertencimento, ampliar a compreensão sobre a regionalidade e estimular a valorização dos saberes transmitidos entre gerações.

Ao reconhecerem suas raízes culturais, os estudantes passam a compreender melhor a importância das tradições populares na constituição de suas identidades. A dança, nesse contexto, torna-se um instrumento de mediação entre passado e presente, permitindo que crianças e jovens se percebam como participantes ativos na preservação e continuidade da cultura sul-mato-grossense.

Sua trajetória na dança também inclui a participação no Grupo Camalote, reconhecido por seu trabalho de valorização das manifestações culturais populares de Mato Grosso do Sul. A vivência junto ao grupo fortaleceu sua aproximação com as tradições regionais, tema que hoje atravessa sua produção artística, sua pesquisa acadêmica e sua prática docente

Grupo Camalote de Danças Folclóricas –
Fonte: Acervo da Mestre Suzane

Paralelamente à atuação acadêmica e educacional, Suzane também construiu uma expressiva trajetória artística no carnaval de Mato Grosso do Sul. Há cerca de nove anos dedica-se à pesquisa corporal e à direção coreográfica de comissões de frente em escolas de samba de Campo Grande e Corumbá, desenvolvendo um trabalho pautado na articulação entre dança contemporânea, expressividade teatral e narrativa carnavalesca.

Sua produção artística consolidou uma identidade estética marcada pelo rigor técnico, pela pesquisa cênica e pela capacidade de traduzir visualmente os enredos apresentados pelas escolas de samba. Para a coreógrafa, a comissão de frente representa um dos principais elementos narrativos do desfile, responsável por estabelecer o primeiro contato entre o público e a história que será desenvolvida ao longo da apresentação.

Coreógrafa e Comissão de Frente
Fonte: Acervo da Mestre Suzane

A atuação de Suzane dos Santos Fernandes evidencia como a arte pode assumir um papel fundamental na preservação da memória coletiva, na valorização das tradições populares e na formação cultural das novas gerações. Ao integrar universidade, escola e produção artística, seu trabalho reafirma a importância da dança como linguagem de conhecimento, expressão e pertencimento, contribuindo para que a cultura sul-mato-grossense permaneça viva, dinâmica e socialmente significativa.

Fonte: Acervo da Mestre Suzane

Por Alex Barbosa de Lima – Série: Mestres em Artes da UFMS | Primeira Turma

 

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