Versos, letras e cultura de MS para o Brasil

Livros-empilhados

Três escritoras de Mato Grosso do Sul foram selecionadas para o projeto ‘Arte da Palavra’ que levará elas a diversas regiões do Brasil para promover e divulgar a literatura de todo o país

A literatura de Mato Grosso do Sul conquistou destaque nacional com a seleção de três escritoras para o projeto “Arte da Palavra — Rede Sesc de Leituras” 2025. Esta iniciativa do Sesc visa promover a literatura brasileira em todo o país, realizando uma itinerante que passará por diversas unidades do Sesc, conectando suas obras e experiências literárias com públicos de diferentes regiões do Brasil.

O projeto é um circuito cultural que promove a formação de novos leitores, a divulgação de autores emergentes e a valorização da literatura nacional. Através da conexão de escritores e apresentações que destacam a oralidade, o projeto explora diversas formas de expressão literária. Além disso, oferece um espaço dedicado à reflexão e à criação literária, incentivando o diálogo e o desenvolvimento artístico no campo das letras.

A seleção dos participantes é realizada por uma curadoria coletiva do Sesc, composta por especialistas de todo o Brasil. Representando Mato Grosso do Sul, três mulheres foram escolhidas, sendo duas delas indígenas. Gleycielli Nonato Guató, escritora, contadora de histórias, atriz, radialista e professora de História da Arte, é uma das selecionadas. A outra é Anarandà, cantora, atriz, digital influencer, compositora autodidata e professora de guarani, natural da Aldeia Guapoy e integrante da etnia Guarani Kaiowá. A terceira representante é Tânia Souza, professora, poeta e escritora de literatura infantil, natural de Bela Vista (MS) e residente em Campo Grande. Graduada em Letras pela UFMS, ela é autora de contos que transitam entre o insólito e o realismo fantástico.

Do MS para o Brasil

O projeto oferece diversos circuitos, como os de oralidade, literatura e de autores, nos quais escritores de todo o Brasil se unem em grupos para participar de dinâmicas e oficinas. Em entrevista ao Jornal O Estado, Anarandà ressaltou que, com o aprendizado que obterá durante o itinerante, planeja criar workshops e eventos que integrem a arte, a música e a literatura guarani Kaiowá, com foco nas novas gerações. Além disso, ela pretende promover a língua e a cultura guarani, buscando parcerias com escolas e projetos educacionais.

“Para nós, do povo Guarani Kaiowá, especialmente aqui do Estado, a música e a língua materna, estão profundamente ligadas a minha identidade artística. Através da música, consigo expressar histórias, tradições e os valores do meu povo, criando uma conexão emocional com o público. A incorporação do guarani nas minhas composições não só valoriza a minha língua, mas também contribui para sua preservação e revitalização” destaca.

Gleycielli Nonato Guató, escritora e representante da literatura indígena, contou sua experiência sobre o processo de seleção para o Projeto Arte da Palavra. Ela se sente honrada e privilegiada por poder representar a literatura Guató e levar sua cultura para diferentes partes do Brasil.

“É uma oportunidade valiosa de falar sobre o Pantanal, o rio Taquari, Coxim, e tantas outras riquezas que temos para mostrar. Precisamos falar para todos, e por onde passamos, que Mato Grosso do Sul não é a terra do gado, da soja e da cana. É terra ancestral, é terra indígena. E essa será, e é minha prioridade literária. Cada público, é uma oportunidade de contar a nossa(indígenas) versão de nosso Estado. Por anos os povos Originários passaram seu conhecimento por histórias, de geração para geração. E ainda hoje os fazem assim. A oralidade é parte de nossas vida, de nossa ancestralidade”, relata Gleycielli.

Para Tânia Souza, participar do Projeto Arte da Palavra é uma oportunidade única de ampliar horizontes e enriquecer sua trajetória literária.Ela também expressou sua expectativa de que essa experiência possa abrir portas para o desenvolvimento de novos projetos, ressaltando a importância de fazer parte desse movimento de arte e palavra.

“É aprendizado, conhecimento e a alegria de representar nossa literatura. A literatura feita por mulheres em MS é de poesia, de prosa, de romance, de luta. Cada letra, cada verso ou palavra que li ou ouvi dessas mulheres que escrevem em MS já está dentro de mim. Aqui temos a marca da fronteira, de um estado que é bonito, mas também dolorido. Nosso regional é universal quando tratamos de temas como violência, meio ambiente, conflitos do campo e da cidade, a vida, a morte, o amor. Circular nossas letras e nossas vozes é estar mais presente na construção do nosso tempo”, reflete Tânia.

Sobre o Projeto

O “Arte da Palavra – Rede Sesc de Leituras” é um projeto cultural que percorre todas as regiões do Brasil, com o objetivo de incentivar a formação de leitores, divulgar novos autores e valorizar a literatura brasileira. A iniciativa conta com dois circuitos principais: um dedicado aos autores, e outro focado em apresentações que destacam a oralidade, abrangendo diversas formas de manifestação literária. Além disso, o projeto oferece um circuito formativo voltado para a reflexão e criação literária. Os artistas participantes são selecionados por uma curadoria coletiva composta por especialistas do Sesc de todo o país.

O projeto é composto por três circuitos principais: Autores, Oralidades e Criação Literária, cada um com o objetivo de promover a literatura brasileira de forma acessível e dinâmica. O Circuito de Autores realiza uma itinerância nacional para divulgar vozes literárias de diferentes regiões do Brasil, muitas vezes desconhecidas fora de suas localidades. Além de mesas de debate nas Unidades do Sesc, os autores visitam escolas públicas, compartilhando suas obras e incentivando o gosto pela leitura. As obras também são divulgadas em clubes de leitura e escolas parceiras, enriquecendo a experiência do público.

O Circuito de Oralidades foca nas manifestações literárias orais, como narração de histórias, poesia falada, slam poetry e repentes, tradicionais no Brasil. Esse circuito valoriza a experimentação e a dinâmica da narração, promovendo apresentações que vão além de simples espetáculos, transformando-se em laboratórios de fruição poética. São realizadas duas apresentações por dia: uma para escolas, especialmente públicas, e outra para o público geral, aproximando as diversas vozes e histórias de cada região do país.

Já o Circuito de Criação Literária oferece oficinas para estimular a prática da escrita em várias formas literárias, como conto, crônica, poesia e romance. As oficinas, conduzidas por escritores renomados, duram 20 horas e visam qualificar o nível de leitura e desenvolver novos talentos literários. Com temas variados e metodologias diversificadas, as oficinas estimulam a produção de textos e promovem o intercâmbio de ideias, criando um ambiente propício para o aprendizado e o aprimoramento da escrita literária.

Com a presença dessas três importantes vozes da literatura sul-mato-grossense, o Arte da Palavra 2025 promete levar ao público experiências ricas e diversas, promovendo o intercâmbio cultural e o fortalecimento da literatura brasileira em sua multiplicidade de expressões.

 

Amanda Ferreira

 

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