Após viralizar nas redes sociais e movimentar vendas em 2025, doce segue no cardápio, porém com produção mais pontual e procura menor
Vai fazer um ano da explosão do vermelho cristalino que tomou conta das vitrines das confeitarias e das redes sociais com o morango do amor. Depois de uma temporada de filas, produção acelerada e vídeos que viralizaram em todo o país, o doce segue presente em estabelecimentos de Campo Grande, mas em um cenário diferente daquele visto durante o auge da febre.
Inspirado pela lembrança do fenômeno que transformou um simples doce em um dos assuntos mais comentados do inverno passado, o Jornal O Estado buscou entender como está o mercado atualmente. Para isso, a reportagem entrou em contato com três confeitarias da Capital, Doce Pedaço 67, Chocolô Doceria e Cake 67, para descobrir se o produto conseguiu manter espaço no cardápio e no interesse dos consumidores.
A combinação que conquistou o público reúne um morango fresco envolto por brigadeiro branco e finalizado com uma camada de caramelo endurecido, formando uma casquinha brilhante e crocante.
A receita ganhou enorme visibilidade quando vídeos mostrando o preparo e o momento da quebra do caramelo passaram a se espalhar rapidamente pelo TikTok e pelo Instagram, impulsionando buscas, vendas e a produção do doce em diversas cidades brasileiras.
Agora, um ano depois da explosão de popularidade, a reportagem investiga se o morango do amor deixou de ser apenas uma tendência passageira para conquistar um lugar definitivo nas confeitarias ou se o interesse dos consumidores diminuiu após o fim da onda de viralização.
Período Junino
Na Doce Pedaço 67, o morango do amor continuou fazendo parte do cardápio mesmo após o período de maior repercussão nas redes sociais. Segundo a empresa, o doce deixou de ter a procura intensa registrada durante a viralização de 2025, mas voltou a ganhar destaque com a chegada das festas juninas, quando o produto tradicionalmente desperta maior interesse dos consumidores.
“Ele sempre permaneceu no nosso cardápio, mas com uma demanda menor. Agora, na época junina, percebemos uma alta na procura, porém em uma proporção diferente daquela vista quando o doce viralizou no ano passado. Hoje, estimamos um aumento de cerca de 40% nas vendas nesse período. Acreditamos que o movimento de 2025 teve muita influência das redes sociais, principalmente pela curiosidade e pela euforia que o produto gerou quando começou a circular”, explica Victor Rocha, sócio da Doce Pedaço 67.
Vendas Sazonais
Na Chocolô Doceria, o cenário também é de uma procura mais moderada pelo morango do amor em comparação ao período de maior destaque do doce nas redes sociais. A confeitaria, que atua há anos no segmento, avalia que o produto perdeu força após a grande repercussão de 2025 e passou a ser trabalhado de forma pontual, principalmente em períodos específicos do ano.
“O morango do amor atualmente não chega nem perto do que representou no passado. Aquele volume de vendas e toda aquela movimentação gerada pelo fenômeno das redes sociais dificilmente se repete com o mesmo produto. Hoje, trabalhamos com ele de forma sazonal, oferecendo em momentos específicos, mas ele não permaneceu fixo no nosso catálogo, nem para encomendas nem para pronta-entrega”, explica Lorena Pereira.
Diferente do período de viralização, quando o doce ganhou grande volume de vendas, hoje ele aparece no cardápio apenas em ocasiões específicas e em quantidades reduzidas.
“Normalmente fazemos quando conseguimos o morango por um valor que compense ou quando percebemos uma demanda de pessoas perguntando sobre a disponibilidade. Não temos uma frequência fixa de produção, ele aparece de forma ocasional”, complementa.
Na Cake 67, a trajetória do morango do amor foi diferente da registrada por outras confeitarias durante a febre do doce em 2025. Segundo a empresa, o produto já fazia parte da produção desde 2014 antes da grande repercussão nas redes sociais e, mesmo com o aumento da divulgação e do interesse dos consumidores, não chegou a registrar uma explosão de vendas semelhante ao período de maior viralização.
“Quando o morango do amor começou a ganhar destaque, nós já produzíamos o doce há algum tempo. Não tivemos um aumento significativo na procura pelo produto, diferente do boom registrado por outras lojas. Ele acabou entrando como um item comum no nosso cardápio, mas não chegou a figurar entre os mais vendidos. O que tem maior saída na loja são os festivais de fatias de bolos. O morango do amor continua tendo procura, mas sem provocar uma mudança expressiva no nosso ritmo de produção. Hoje, ele aparece principalmente em períodos de festividades e ocasiões específicas”, explica a proprietária da Cake 67, Renata Andrade.
Relembre
Em 2025, o morango do amor ganhou destaque nacional após conquistar espaço nas redes sociais e despertar a curiosidade dos consumidores. A combinação de morango fresco, brigadeiro branco e uma cobertura de caramelo crocante chamou atenção pelo visual marcante e fez o doce se transformar em uma das principais tendências das confeitarias durante aquele período.
A repercussão digital impulsionou a procura pelo produto em diversas cidades, com vídeos de preparo e avaliações compartilhados por usuários ajudando a ampliar a popularidade da sobremesa. O movimento fez com que estabelecimentos aumentassem a produção para atender a uma demanda que cresceu rapidamente durante o auge da tendência.
Amanda Ferreira
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