Tradições Sul-Mato-Grossenses: Evento gratuito reúne oficinas, vivências, filmes, palestras e apresentações culturais

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As lendas, brincadeiras e tradições que fazem parte da identidade cultural de Mato Grosso do Sul voltarão a ganhar destaque em 2026 com mais uma edição da Estação Folclore, iniciativa promovida pela Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore. A programação terá início em julho, período de férias escolares, e levará ao público atividades voltadas à valorização das manifestações populares por meio de vivências e oficinas no Bioparque.

Entre as atrações previstas estão experiências inspiradas em personagens marcantes do imaginário regional, como o Toro Candil e o Minhocão. As ações serão conduzidas pelas professoras Maria Ivonete Simocelli e Cristiane Aparecida de Luca Lima, em parceria com a equipe do Bioparque, oferecendo atividades nos períodos da manhã e da tarde para aproximar crianças, jovens e famílias das narrativas tradicionais sul-mato-grossenses.

A abertura da programação aconteceu no dia 22 de julho, com a atividade “Vivenciando a História e a Brincadeira do Toro Candil”, realizada no Bioparque Pantanal. Já no dia 20 de agosto, será a vez da oficina “Vivenciando a Lenda do Minhocão”, marcada para o período vespertino, das 14h30 às 15h30, também no Bioparque.

Realizada anualmente pela Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore, a Estação Folclore teve início a partir do trabalho desenvolvido pela professora mestra Marlei Sigrist e segue sendo fortalecida pela atual diretoria da entidade. O projeto busca incentivar o conhecimento e a preservação da cultura popular de Mato Grosso do Sul, aproximando a comunidade de histórias, costumes e tradições que integram o patrimônio cultural do Estado e permanecem vivos por meio da transmissão entre diferentes gerações.

Foto: Reprodução

Programação

Para o Jornal O Estado, a presidente da Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore, Cristiane Aparecida de Luca Lima contou que o evento reunirá exibição de filmes, palestras, oficinas, brincadeiras tradicionais, contação de histórias, exposições e apresentações culturais, incluindo a participação do grupo parafolclórico Camalote. O encerramento coincide com o Dia Nacional do Folclore, celebrado em 22 de agosto.

“A programação foi pensada para aproximar a comunidade da riqueza da cultura popular de Mato Grosso do Sul. Teremos filmes, oficinas, palestras, brincadeiras, contação de histórias, exposições e apresentações culturais em um evento totalmente gratuito. Nosso objetivo é proporcionar momentos de aprendizado e vivência das tradições, celebrando o Dia Nacional do Folclore junto com toda a população”, conta.

As atividades da Estação Folclore serão distribuídas por diferentes espaços de Campo Grande, levando a programação a escolas, instituições de ensino superior, ao Bioparque e ao Clube Estoril. No dia 18 de agosto, estudantes da Escola Estadual Zélia Quevedo Chaves Nogueira assistirão ao filme “Poeira”, do cineasta sul-mato-grossense Eli Godoy, seguido de um bate-papo com o mestre Adilson sobre cultura popular e identidade regional.

Na sequência, será exibido o documentário “Raiz da Nossa Terra” que aborda os saberes tradicionais relacionados à Casa de Farinha. Já no dia 19, acadêmicos de Pedagogia da UCDB participarão de uma palestra on-line ministrada pela professora Mestra Marlei Sigrist.

“No dia 20 teremos a vivência da Lenda do Minhocão no Bioparque, quando as crianças poderão conhecer a história de forma lúdica, com contação, atividades e desenhos. Encerramos a programação no dia 22, no Clube Estoril, das 8h às 14h, com exposições, livros, fotografias, oficinas de brinquedos e brincadeiras tradicionais, contação de lendas e apresentação do Grupo Camalote. A proposta é oferecer um espaço para que o público conheça, participe e fortaleça o vínculo com a cultura popular sul-mato-grossense”, destaca.

Parte cultural

Foto: Reprodução

A Estação Folclore foi criada em 2014, consolidando uma iniciativa da Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore voltada à valorização das tradições culturais do Estado. Desde então, o projeto busca aproximar a comunidade das manifestações populares, evidenciando que o folclore está presente muito além das lendas e dos mitos, integrando elementos do cotidiano, como as danças, o modo de falar, o artesanato e os saberes transmitidos entre diferentes gerações.

“O foco da Estação Folclore é valorizar o patrimônio cultural de Mato Grosso do Sul. Toda a programação é construída a partir do folclore regional, mostrando que ele não se resume às lendas, mas também está nas danças, nos costumes, na linguagem, no artesanato e na memória das pessoas. Queremos que a população reconheça essa riqueza cultural e se identifique com as tradições que fazem parte da nossa história”, detalha.

A programação da Estação Folclore destaca diferentes expressões da cultura popular de Mato Grosso do Sul, reunindo atividades inspiradas em lendas e mitos regionais, além de tradições ligadas às danças, à culinária, às festas religiosas e ao artesanato.

“Nosso trabalho é voltado principalmente para a educação. Queremos aproximar estudantes e futuros professores da cultura popular de Mato Grosso do Sul para que esse conhecimento seja multiplicado dentro das escolas. O Estado possui uma riqueza cultural muito grande, mas muitas vezes esse conteúdo ainda aparece de forma limitada no currículo”, detalha Cristiane.

Todo o conteúdo apresentado ao público é fundamentado em pesquisas sobre o folclore sul-mato-grossense, com referência aos estudos da professora Marise Gris, especialmente na obra ‘Chão Batido’, que reúne manifestações culturais e saberes tradicionais do Estado.

“Por isso, buscamos fortalecer o reconhecimento das nossas tradições, incentivando a valorização das lendas, das danças, da culinária, do artesanato e de todos os saberes que fazem parte da identidade sul-mato-grossense”, complementa, a presidente.

Conheça o minhocão

A Lenda do Minhocão é uma das narrativas mais conhecidas do imaginário popular de Mato Grosso do Sul e integra o conjunto de histórias transmitidas entre gerações nas comunidades ribeirinhas.

Segundo Cristiane, ele é descrito como uma criatura de grandes proporções, semelhante a uma serpente, o personagem folclórico habitaria as barrancas dos rios, onde deixaria marcas na terra e despertaria respeito entre pescadores e moradores da região. Ao longo dos anos, o relato tornou-se parte do patrimônio cultural oral do Estado, preservando crenças e costumes ligados à relação entre o homem e a natureza.

“O Minhocão representa uma das principais lendas do folclore sul-mato-grossense e faz parte da memória de muitas comunidades. Histórias contam que a criatura vive nos rios e, quando se enfurece, provoca grandes ondas, derruba embarcações e assusta quem cruza seu caminho. Mais do que uma narrativa fantástica, a lenda preserva tradições, crenças e a identidade cultural transmitida de geração em geração”, finaliza.

 

Amanda Ferreira

 

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *