Trabalho sobre tamanduá-bandeira em rodovias de MS ganha destaque na National Geographic

Imagem Divulgação
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Matéria jornalística foi registrada pelas lentes do fotógrafo brasileiro Fernando Faciole, sendo a 1ª produzida por um brasileiro na revista 13 anos

O trabalho de resgate e conservação dos tamanduás-bandeiras foi destaque em uma das maiores revistas do mundo, a National Geographic, na edição de setembro de 2026. A reportagem foi escrita pelo jornalista Ben Goldfarb em colaboração com o fotógrafo brasileiro Fernando Faciole e Mato Grosso do Sul foi um dos destaques da reportagem, já que o animal é um dos símbolos do Cerrado e do Pantanal, mas também uma das grandes vítimas de atropelamento em rodovias do Estado.

A reportagem aborda os desafios enfrentados pelos tamanduás no Brasil, especialmente os atropelamentos em rodovias, considerados uma das principais ameaças à sobrevivência da espécie. Mato Grosso do Sul ocupa um papel central na publicação, já que concentra parte significativa da população desses animais e, ao mesmo tempo, registra um dos maiores índices de mortes em estradas.

A conquista foi celebrada pelo ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), responsável pelo projeto Tamanduás e Rodovias, que compartilhou a publicação nas redes sociais. Para o fotógrafo Fernando Faciole, a reportagem representa a realização de um sonho profissional e, principalmente, uma oportunidade de ampliar o debate sobre a preservação da espécie.

“Esse é um sonho realizado para mim. Sou ainda mais grato por poder dar a esses animais extraordinários a atenção que eles merecem. Pela primeira vez, a história dos tamanduás-bandeira está sendo publicada na revista em seus 138 anos de existência. Além disso, esta é a primeira reportagem sobre natureza produzida por um brasileiro a ser publicada na revista desde 2013”, destacou.

Formado em Ciências Biológicas, Fernando conta que a vontade de trabalhar com fotografia surgiu do desejo de compartilhar histórias relacionadas à conservação ambiental.

“Eu queria ser fotógrafo porque queria compartilhar histórias sobre espécies que as pessoas geralmente não conhecem e sobre pessoas que dedicam suas vidas a protegê-las e a preservar seus ecossistemas”, afirmou.
Segundo ele, o primeiro contato com um tamanduá-bandeira foi decisivo para definir o rumo do trabalho.
“Quando vi um tamanduá-bandeira pela primeira vez, tive certeza de que queria contar a história dele.

Então, entrei em contato com centros de reabilitação, comunidades e muitos outros grupos que trabalham para salvar essas espécies. Isso me levou a viajar pelo Brasil”, explicou.

Durante esse percurso, o fotógrafo conheceu diferentes ameaças enfrentadas pelos animais. “Os tamanduás são impactados pela perda do habitat natural, pelos atropelamentos, pelas queimadas, pelos pesticidas e até pelos ataques de outros animais, como os cães”, acrescentou.

Uma espécie ameaçada pelas rodovias

De acordo com Arnaud Desbiez, fundador do ICAS, os tamanduás-bandeira são os animais que mais morrem nas estradas de Mato Grosso do Sul.

“Fizemos um levantamento durante três anos e contabilizamos 800 carcaças de tamanduás”, revelou. Há mais de 15 anos, o instituto atua no desenvolvimento de pesquisas e estratégias voltadas para a conservação da espécie. Atualmente, pelo menos 40 animais são monitorados por meio de colares com tecnologia de rastreamento.

O trabalho realizado pelo projeto busca identificar os locais com maior incidência de atropelamentos e desenvolver medidas capazes de reduzir esses números, como a instalação de cercas e a construção de passagens subterrâneas para a travessia segura da fauna.

Para Arnaud, a preservação dos tamanduás vai além da proteção da biodiversidade e também está diretamente relacionada à segurança dos motoristas. “Nossa missão é tornar as estradas seguras para todos. Não se trata apenas de salvar os tamanduás; trata-se de salvar vidas humanas e a biodiversidade”, destacou.

Dor e esperança

Um dos pontos altos da reportagem é a fotografia intitulada “Órfão da Estrada”, de Fernando Faciole, vencedora do Prêmio Impacto da 61ª edição do Wildlife Photographer of the Year.

A imagem mostra um filhote de tamanduá-bandeira caminhando ao lado da cuidadora em um centro de reabilitação. A mãe do animal havia sido atropelada e morreu.

Mais do que registrar as consequências dos acidentes nas rodovias, a fotografia também transmite uma mensagem de esperança. A expectativa é que o filhote possa retornar ao habitat natural após desenvolver habilidades essenciais para a sobrevivência.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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