A participação da dupla no projeto “Nostalgia Pura”, da cantora Luiza Martins, desperta a nostalgia dos fãs
Na moda, gastronomia, design, música e cultura pop, há uma teoria chamada de ‘Regra dos 20 anos’. Ela indica que, após um estilo ou tendência se tornar ultrapassado, leva aproximadamente duas décadas para retornar como algo nostálgico, vintage e desejado novamente. Considerando que estamos em
2026, estamos em um período de resgate dos anos 2000.
E o que é mais forte para nos trazer lembranças, se não a música? A cantora sertaneja goiana Luiza Martins, aproveitando-se desse bonde, lançou o álbum ‘Nostalgia Pura’, com a participação de ninguém mais, ninguém menos do que a dupla campo-grandense Maria Cecília & Rodolfo.
No palco, a cantora, junto com a dupla, trouxe de volta canções como ‘Você de Volta’, ‘Coisas Esotéricas’, ‘Basta Só Você Me Olhar’ e ‘Todo Santo Dia’, parceria entre a cantora e os campo-grandenses. O álbum
é um tributo aos anos 2000, época em que o sertanejo e o pop nacional estavam em seu auge. Luiza também trouxe para o trabalho nomes como Vanessa Camargo (‘Não Resisto a Nós Dois’; ‘Amor, Amor’) e Luka (‘Porta Aberta’; ‘Tô nem Aí’), além de cantar sucessos de Kelly Key (‘Anjo’), Sandy& Junior (‘Olha o que o amor me faz’), Só Pra Contrariar (‘Depois do Prazer’), Caetano Veloso (‘Sozinho’) e Fábio Jr. (‘Alma Gêmea).
Maria Cecília e Rodolfo conversaram com o jornal O Estado sobre a parceria com Luiza Martins. Para eles, participar da gravação do álbum ‘Nostalgia Pura’, foi como um “presente”, tanto pelo carinho demonstrado pela artista quanto pela oportunidade de revisitar seu trabalho. “Não nos conhecíamos, mas falávamos pela internet e a Luiza sempre se declarou uma fã assumida de Maria Cecília e Rodolfo, então somos muito
gratos por esse carinho que ela sempre demonstrou. Ela é uma artista incrível, e nós nos sentimos muito honrados de receber o convite para participar”, disse Rodolfo.
“Revisitamos nossa história lá do começo mesmo, gravamos três músicas, inclusive uma inédita; nunca havíamos participado de um DVD de outro artista gravando três músicas, então foi um prazer, uma hora.
É um projeto muito bacana, Luiza dá crédito a todos esses artistas que ela sempre admirou, sempre foi fã, então foi um momento muito bacana, sem dúvida”, complementa.
Para Maria Cecília, a música tem o poder de marcar momentos na vida das pessoas. “Tivemos o privilégio de
ter várias músicas de sucesso no começo da nossa carreira, quando ainda gravávamos DVDs – hoje nem existe mais DVD. Nos dois primeiros projetos gravados, todas as músicas fizeram sucesso, graças a Deus.
São músicas que falam de amor. O amor nunca sai da essência de Maria Cecília e Rodolfo. Falar de amor era
base, nunca sai de moda, e por isso acredito que as músicas tocavam no coração das pessoas, marcavam algum momento na vida delas. Música boa fica para a eternidade”.
Memória afetiva A participação rendeu uma enxurrada de comentários nostálgicos de fãs campo-grandenses no perfil de Luiza Martins, onde ela compartilhou videoclipes com as parcerias.
Para a professora campo-grandense Mariana Batistote, que atualmente mora em Santa Catarina, relembra com carinho a época em que viveu na Capital do Mato Grosso do Sul. “Criando histórias incríveis na minha adolescência em Campo Grande”, comentou na postagem.
Mariana relembrou que tinha entre 15 e 16 anos na época em que músicas como ‘Você de Volta’ e ‘Quem Ama Cuida’ tocavam sem parar em todas as esquinas da cidade.
Para ela, os shows se tornavam mais especiais por diversos fatores. “As músicas, a companhia… era um conjunto de tudo, sair com as amigas, aproveitar o momento de diversão, dançar, a própria dupla”, relembrou ao jornal O Estado.
Ela ainda acredita que as músicas de 10 ou 20 anos atrás possuíam um significado diferente. “Elas carregam memórias e sentimentos que permanecem até hoje. Também sinto que as pessoas iam às festas
realmente para se divertir. Dançavam a noite inteira, amanheciam nos bailes, cantavam juntas e tudo acontecia com muito respeito, sem malícia.
As pessoas viviam o momento de verdade, sem a preocupação de registrar tudo”, pontua.
“É gratificante perceber que as nossas músicas fazem parte da memória afetiva, da memória emocional das pessoas. É muito legal quando uma pessoa entra no camarim de um show nosso e fala: ‘A sua
música marcou minha vida por causa disso e disso’; ‘Eu casei com a sua música’; ‘Eu conheci a minha esposa com a sua música’; ‘Conheci meu marido com a sua música’; as pessoas falam muito isso. Tem tantas histórias diferentes e o centro disso tudo sempre é a música. A gente acredita, faz parte da vida das pessoas, do emocional das pessoas. Da memória afetiva, emocional, isso é inexplicável. Se alguém consegue explicar, acho que é só Deus, porque a gente aqui na Terra não consegue.”
Lembranças
Fãs também relembraram dos shows sertanejos realizados na falecida, mas sempre lembrada é a Barraca da Veterinária, conhecida por ser um ‘after’ dentro da Expogrande, principal evento agropecuário da Capital.
Rodolfo relembra que a dupla participou apenas uma vez na dita barraca. “Nós tocamos na Barraca da Veterinária apenas uma vez na vida. Mas foi um momento muito marcante; a Expogrande acontecia sempre em abril, e, na época, lembro muito bem que estávamos com uma camiseta preta escrita ‘Gravação do primeiro CD de Maria Cecília e Rodolfo’. Então, estávamos divulgando a gravação, que seria realizada no mês seguinte. Já tínhamos músicas de sucesso como Você de Volta, Coisas Esotéricas, Mato e Morro por
Você, Quem ama Cuida, Fila Andou; tínhamos uma identidade musical, repertório, então as pessoas de Campo Grande e do interior do Estado conheciam a dupla por causa dessas músicas. Foi muito marcante”.
Quando morava em Campo Grande, Marianacostumava acompanhar os show sertanejos de artistas locais. “Lembro do show da Maria Cecília e Rodolfo na Barraca da Veterinária. Tinha também muitas apresentações
com artistas como Munhoz & Mariano, Jads & Jadson, Alex & Yvan, entre tantos outros”.
E tem mais lembranças. “Via o show deles no intervalo da escola MACE. Desbloqueou uma memória que eu nem sabia que tinha. Quando escutava a caixa de som ligando na sala de aula, já sabia que ia ter show deles”, relembrou uma fã.
“Fui a um show deles aqui em Campo Grande, na Associação Nipo-Brasileira!”, recordou outra. “Estava no meu primeiro ano de faculdade em Campo Grande-MS! Inclusive, às vezes eles iam lá na universidade, na hora do intervalo, tocar umas músicas”, disse uma terceira. Quem também se lembra da festa é o jornalista Rodrigo Corrêa. Natural de Aquidauana e então com 21 anos, ele morava na Capital para cursar Jornalismo
na Uniderp e viu de perto o estouro de Maria Cecíliae Rodolfo em 2007.
“A Barraca da Veterinária era o espaço onde todos os jovens se encontravam, como uma espécie de balada.”. Ele lembrou quando a dupla fez sucesso em Aquidauana. “Quando eles lançaram o primeiro DVD, fizeram um show em um clube lá em Aquidauana. Nossa, o palco precisou mudar de tamanho, pois estava lotado”. O resgate da nostalgia, para o jornalista, é como um ‘afago’ para os desafios da vida adulta.
“A Luiza Martins trouxe Maria Cecília e Rodolfo, Luka… lembro que assistia ‘Malhação’, gostavadas musicas. A vida de adulto tem sido tão difícil; é um afago poder relembrar da época da juventude por meio dessas músicas”. Rodrigo vê que as músicas atuais seguem uma fórmula, com letras, ritmos e batidas semelhantes, e vê trabalhos anteriores como mais “genuínos”, “Trazia mais do que é ser humano: dores, amores. As músicas hoje são muito pejorativas e sexualizadas, as danças são assim. Isso tem sido muito ruim, sabe? Por isso gosto desses momentos de flashback, me lembro de quanto a minha infância, a minha juventude foi
sadia, tanto no interior quanto aqui na vida de universitário, já morando na Capital”.
Por Carolina Rampi
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