“Nunca saímos do lugar de onde viemos”, diz Dora Sanches, que firma carreira no Rio de Janeiro

Foto: Reprodução
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Em entrevista ao Jornal O Estado, cantora destaca raízes de MS e parceria com Priscilla

A sul-mato-grossense Isadora Sanches, conhecida pelo nome artístico Dora Sanches, radicada no Rio de Janeiro, consolida cada vez mais sua carreira nos solos da ‘Garota de Ipanema’, inclusive com uma parceria quentinha com a cantora Priscilla. Mas, mesmo que atualmente viva e trabalhe no Rio, a artista contou em entrevista ao Jornal O Estado que MS não sai tão fácil de suas raízes.

Com uma sonoridade que navega entre a Nova MPB, Soul, R&B contemporâneo e o Pop alternativo, as influências de Mato Grosso do Sul seguem firmes em seus arranjos. Nascida em Campo Grande, Dora foi criada em meio ao ambiente rural e natural da cidade, o que a influenciou em seus passos na arte, compondo sua primeira canção aos 13 anos. A mudança de estado ocorreu pela primeira vez para cursar o ensino superior em Produção Musical, pela Faculdade de Belas Artes, em São Paulo.

Para o Jornal O Estado, a cantora disse que ainda carrega muitas referências do Estado em sua música. “Acho que a gente nunca sai completamente do lugar de onde veio”, pontua. “Mato Grosso do Sul está na maneira como observo o mundo e, principalmente, como escrevo. Tenho uma influência muito forte de Manoel de Barros, dessa forma de transformar coisas simples em imagens e metáforas. Mesmo buscando referências no soul e no R&B, minha maneira de contar histórias ainda tem muito do lugar onde nasci”, descreve.

Em 2021, lançou os singles de estreia ‘Velejar’ e ‘Sóbrio’, este último gravado em parceria com o rapper Fabio Brazza. O reconhecimento na indústria musical expandiu-se em 2023, quando viajou para Los Angeles, nos Estados Unidos, para gravar as faixas ‘Nunca é Tarde Demais’ e ‘Meu Lugar’, com Gabriel Sater. O trabalho foi produzido pelo renomado produtor musical brasileiro Moogie Canazio, vencedor do Grammy.

No mesmo ano, a artista ganhou destaque ao ser convidada para realizar a abertura do show de Marisa Monte em sua turnê pelo Mato Grosso do Sul. Em maio de 2026, Dora lançou oficialmente o seu primeiro álbum de estúdio solo, intitulado Seda de Casulo. O projeto, composto por dez faixas autorais que misturam MPB, Soul e elementos de Folk, aborda temas intimistas sobre autodescoberta, vulnerabilidade e a transição para a vida adulta.

Mesmo que hoje viva no Rio de Janeiro, local onde trabalha e produz suas músicas, Dora destaca que são a fauna e a flora de MS que mais sente falta em seu tempo longe daqui. “Sinto falta principalmente da sensação de espaço, do horizonte, do céu enorme, da natureza e de um ritmo diferente do Rio. Também sinto saudade da família e das memórias que construí ali. Quando volto para Mato Grosso do Sul, parece que algumas coisas dentro de mim voltam para o lugar também”.

Participação

Dora foi a primeira colaboração do projeto ‘Ecos Independentes’, da cantora Priscilla, iniciativa criada para dar visibilidade a artistas da cena independente brasileira. A cantora de MS participou da série com uma nova versão da faixa ‘Samurai’, do seu álbum Seda de Casulo.

O projeto já teve duas novas parcerias, com a cantora Gabi Lins e outra ao lado de Gabriel Nandes. Durante a divulgação do projeto, Priscilla explicou que o trabalho reflete um momento atual de sua carreira. “O ‘ECOS INDEPENDENTES’ nasceu da vontade de me conectar ainda mais com a cena de artistas independentes. Hoje também vivo essa realidade, conduzindo minha carreira de forma 100% independente, e isso mudou a minha forma de enxergar a criação artística. Sei o quanto esse caminho pode ser difícil, por isso quero usar a plataforma que construí ao longo da minha trajetória para abrir espaço para outros artistas, incentivar essas conexões e dar mais visibilidade a tantos talentos que fortalecem a música brasileira”, afirmou Priscilla.

“‘Samurai’ nasceu de uma experiência muito íntima, e revisitá-la no Ecos Independentes foi muito especial. Cantar com a Priscilla deu uma nova cara para a música, e o Juninho partiu da produção original do Victor Kroner para trazer um ar novo, mais pop, que me agradou muito. Foi muito bonito ver uma música tão pessoal ganhar outras vozes e uma nova roupagem sem perder sua essência”, disse Dora.

Para ela, iniciativas como essa dentro da cena independente são de extrema importância para artistas que estão se desenvolvendo na indústria.

“Acho iniciativas assim muito importantes para a música independente. É muito legal ver uma artista do tamanho e da relevância da Priscilla usando o espaço que conquistou para abrir portas para artistas que ainda estão construindo seu público. Isso faz muita diferença pra gente. Para mim, participar do Ecos Independentes foi uma oportunidade de apresentar meu trabalho para novas pessoas, fazer minha música chegar a outros lugares e também de cantar ao lado de uma pessoa que eu admiro muito”.

De casulo a borboleta

Depois de atravessar as transformações que deram origem a Seda de Casulo, Dora Sanches acredita estar vivendo justamente o momento seguinte ao processo de mudança. “Acho que estou vivendo justamente o que vem depois de sair do casulo. O disco registrou um período de muitas transformações e, depois de lançá-lo, sinto que entrei numa fase de mais liberdade e experimentação. Hoje tenho menos necessidade de me definir e mais vontade de fazer. Vejo Seda de Casulo não como um ponto de chegada, mas como o começo de uma nova fase”, afirma.

Essa liberdade também aparece na forma como a artista enxerga a própria identidade musical, construída entre referências da MPB, do soul e do R&B contemporâneo. “Foi uma identidade construída ao longo da caminhada. Sempre tive muitas referências e, com Seda de Casulo, veio também a vontade de mostrar diferentes lados meus como artista. É um álbum com músicas que, para mim, habitam universos diferentes, mas ainda carregam a mesma identidade”, explica. Para Dora, entender a própria voz foi um processo que ultrapassou a técnica vocal e passou pela composição e pela experimentação. “Acho que fui entendendo minha voz, não só como cantora, mas como artista, enquanto fazia música”.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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