Espetáculo estreia em maio no Teatro Aracy Balabanian
O musical Rainhas do Sertanejo chega a Campo Grande trazendo à tona histórias de força, resistência e talento feminino que moldaram a música sertaneja ao longo de mais de oito décadas. O espetáculo revisita trajetórias de cantoras que romperam barreiras em um cenário dominado por homens, transformando experiências do cotidiano rural e dores de amor em canções que atravessam gerações.
Com oito intérpretes no palco acompanhadas por uma banda ao vivo, a montagem propõe um mergulho sonoro e visual na evolução do gênero, celebrando ícones nacionais como Irmãs Galvão, Inezita Barroso e Roberta Miranda, ao lado de representantes da cena sul-mato-grossense, incluindo Beth e Betinha, Delinha, Patrícia e Adriana. A proposta vai além da homenagem: é uma reflexão sobre a luta das mulheres para conquistar espaço e protagonismo dentro do sertanejo.
O espetáculo percorre a trajetória do sertanejo feminino desde os anos 1940 até o fenômeno do “feminejo”, mostrando como cada geração de cantoras enfrentou preconceitos e desafios para compor, cantar e influenciar o cenário musical. As performances unem narrativa, música e interpretação, transformando o palco em um espaço de memória afetiva e celebração cultural, conectando passado e presente e evidenciando a diversidade de estilos e vozes que construíram a identidade feminina dentro do gênero.
A direção é assinada por Fernandes F., com experiência em montagens de destaque como Delinha, O Musical, Mamma Mia e Tia Eva, enquanto a produção é do Arrebol Cultural UEMS. Com duração de 120 minutos e classificação indicativa de 10 anos, o musical será apresentado nos dias 6, 7, 13, 14 e 15 de maio, sempre às 19h45, no Teatro Aracy Balabanian. Os ingressos estão disponíveis no Sympla, com meia-entrada válida para todos até 30 de abril.
Direção
Para o Jornal O Estado, o diretor Fernandes F. contou que trouxe ao palco de Rainhas do Sertanejo uma síntese de décadas de música feminina, reunindo artistas pioneiras e representantes do “feminejo” contemporâneo.
Para dar coesão a tantas trajetórias distintas, o diretor combinou pesquisa histórica com memória afetiva, incorporando referências do rádio, programas televisivos e registros de Inezita Barroso, criando uma narrativa que conecta passado e presente do gênero sertanejo.
“Recorri às minhas lembranças, onde o rádio tinha papel central, e também pesquisei intensamente a história da música sertaneja, assistindo a muitos vídeos e registros de programas da Inezita Barroso. A ideia era construir uma narrativa que respeitasse cada artista e ainda contasse uma história única sobre a presença feminina no sertanejo”, explica o diretor.
O musical traz ao palco oito cantoras acompanhadas por banda ao vivo, exigindo da direção um equilíbrio cuidadoso entre vozes, performances e identidades distintas. Fernandes destacou que cada intérprete recebeu espaço próprio dentro do texto dramático, garantindo que todas tivessem um solo ou personagem que respeitasse sua trajetória, ao mesmo tempo em que o espetáculo mantinha fluidez e unidade narrativa.
“Trabalhamos muito alinhados ao texto dramático, procurando equalizar cada momento e garantir que cada uma das oito atrizes tivesse seu solo ou personagem, sem que nenhuma voz se perdesse na montagem”, afirma.
Sertanejo de MS
Ao incluir artistas de Mato Grosso do Sul, a montagem valoriza a produção local dentro do contexto nacional, mostrando a contribuição significativa do estado para a música sertaneja feminina. A presença de nomes históricos e contemporâneos da região reforça a riqueza cultural sul-mato-grossense e fortalece a narrativa do musical como um panorama abrangente do gênero.
“Não dava para excluir essa dimensão regional. Mato Grosso do Sul já revelou grandes nomes como Delinha, Bete e Betinha, além de talentos contemporâneos como Patrícia e Adriana. Trazer essas artistas é reconhecer a importância da nossa cena local dentro da história da música sertaneja feminina”, ressalta o diretor.
Elenco
Evelyn Lechuga, intérprete de Marília Mendonça no musical, contou para a reportagem o entusiasmo e responsabilidade ao dar vida à cantora conhecida como “rainha da sofrência”.
“Quando recebi o convite do diretor Fernandes, fiquei muito empolgada. Marília tem uma personalidade marcante e suas canções fazem refletir sobre a mulher, nosso papel na sociedade e as lutas vencidas e as que ainda enfrentamos. Comecei minha pesquisa assistindo vídeos dela, conversando com músicos que trabalharam com ela, e me apaixonei pelo jeito despojado e sensível dela”, destaca.
A atriz destaca que o papel representa um desafio diferente dos anteriores, como Dona em Mamma Mia, Professora Honey em Matilda e o trio em Delinha, por ser uma artista ainda muito presente na memória coletiva e com forte impacto na música contemporânea.
“O público pode esperar uma viagem no tempo, mostrando que a mulher sempre teve espaço para vencer, e que o sertanejo também é palco feminino”, complementa Evelyn.
Isabella Fialho mergulhou em pesquisa e emoção para interpretar Maria de Jesus, das Irmãs Castro, e Mary, das Irmãs Galvão, no musical Rainhas do Sertanejo. A atriz buscou compreender não apenas os estilos musicais e as vozes dessas artistas, mas também o contexto de vida e as lutas que moldaram suas trajetórias, visando transmitir no palco a força e a coragem de mulheres pioneiras no sertanejo.
“Foi um grande desafio traduzir em cena a ousadia de mulheres que conquistaram espaço em um meio dominado por homens, sem perder a delicadeza e a autenticidade que marcaram suas histórias. O que mais me emocionou foi perceber como, através da música, elas transformaram obstáculos em inspiração, abrindo caminhos para tantas outras mulheres”, finaliza Isabella.
Serviço: O musical Rainhas do Sertanejo será apresentado em Campo Grande nos dias 6, 7, 13, 14 e 15 de maio, às 19h45, no Teatro Aracy Balabanian,localizado na Rua 26 de Agosto, 453 Centro. Ingressos no Sympla por R$160 inteira e R$80 meia.
Por Amanda Ferreira
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