Modalidade ganha força e coloca Mato Grosso do Sul no mapa dos destinos que transformam viagens em memórias

Foto: Reprodução
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Viajar deixou de ser apenas conhecer um lugar. Cada vez mais, turistas procuram vivências autênticas, contato com a natureza, cultura local, gastronomia, aventura e experiências que possam ser sentidas e lembradas. Esse movimento, conhecido como turismo de experiência, vem ganhando espaço em Mato Grosso do Sul e fortalecendo destinos como Bonito, Serra da Bodoquena, Pantanal e Campo Grande dentre outros como Distritos e cidades.

Em Guia Lopes da Laguna recentemente uma família decidiu abrir as porteiras e oferecer muito mais que um café da manhã caipira, preparado com tudo o que a fazenda produz, além de receitas de família como o pão de queijo, caburé e geleias divinas. Alcilene Gomes Rosa Pereira juntamente com o seu marido Donizete Rodrigues Pereira Rosa há um mês oferecem aos domingos o Café Caipira e também uma experiência exclusiva para mulheres que recebem atendimento de massoterapia.

Alcilene sentiu fortemente que devia unir seus estudos de massoterapia com a experiência de amar receber pessoas em sua casa na Estância. Casa está cheia de charme que traz a lembrança uma casa de vó na fazenda. O casal é extremamente atencioso e juntos fazem os visitantes se sentirem em casa e esquecerem da hora. Donizete também traz histórias que encantam os visitantes e faz daquele momento do tereré debaixo da árvore um ponto alto do local.

Na Estância Passo da Anta, o tradicional café caipira ganha um novo significado: transforma-se em uma experiência de acolhimento, sabores e conexão com a natureza. A programação começa às 7h30, com uma mesa farta de receitas de tradição familiar e sabores típicos da região, como arroz carreteiro, sopa paraguaia, caburé, ovos fritos, pães, queijos, geleias, bolos e biscoitos caseiros. Para acompanhar, café fresquinho passado na hora, leite, sucos naturais e frutas da estação.

A experiência vai além da gastronomia. Às 8h30, os visitantes são convidados para um momento de relaxamento profundo, pensado para renovar as energias em meio à natureza. Às 9h20, uma caminhada guiada pela Estância proporciona contato com a paisagem, o ar puro e os animais. O visitante também pode descansar no redário, interagir com os animais e registrar momentos especiais nos cenários preparados para fotos. É uma oportunidade de desacelerar e simplesmente aproveitar o som dos pássaros, a sombra e a beleza das árvores centenárias da propriedade. Aos amantes da fotografia o local é repleto de relíquias antigas que dão um charme e ficam especiais para as redes sociais.

A Estância Passo da Anta também recebe grupos fechados que desejam viver um dia diferente na fazenda. Turmas como as “Moças do Pedal”, grupos de igrejas, famílias, amigos e outros interessados podem organizar momentos especiais de convivência, lazer e contato com a natureza. Para grupos e experiências personalizadas, vale consultar a propriedade. Reservas: (67) 99698-3346 | Instagram: @estanciapassodaantams.

Os números mostram que o Estado está vivendo um momento de expansão. Em 2025, os aeroportos de Bonito, Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã registraram 724.662 desembarques entre janeiro e outubro, crescimento de 5,6% em relação ao mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, os atrativos de Bonito e Serra da Bodoquena emitiram mais de 727 mil vouchers.

Bonito é um dos principais exemplos dessa transformação. O município recebeu 293.712 visitantes em 2025, enquanto seus atrativos contabilizaram 880.669 visitações ao longo do ano. O ticket médio dos passeios chegou a R$ 240,29, o maior valor da série histórica acompanhada pelo Observatório do Turismo e Eventos de Bonito.

E o impacto vai muito além dos atrativos naturais. O turismo movimenta hotéis, restaurantes, agências, guias, transportadoras, comércio, artesanato e uma extensa cadeia de serviços. Em 2025, Bonito terminou o ano com 6.443 empregos formais ativos ligados à economia local, além de um saldo positivo de 295 novos postos de trabalho. A prefeitura de Bonito também desenvolve um excelente trabalho a frente do Turismo local oferecendo estrutura e fechando parcerias que beneficiam toda as região, não só os visitantes ou moradores locais.

Mais do que visitar: viver o destino

O diferencial do turismo de experiência está justamente na possibilidade de o visitante deixar de ser apenas espectador e se tornar participante. Em Mato Grosso do Sul, isso pode significar flutuar em rios de águas cristalinas, observar a fauna no Pantanal, acompanhar uma experiência gastronômica regional, conhecer comunidades e manifestações culturais, participar de atividades de aventura ou simplesmente aprender sobre a relação entre o homem e a natureza.

Essa mudança de comportamento também beneficia os próprios destinos. Quando o turista permanece mais tempo, consome produtos e serviços locais e busca experiências diferenciadas, o dinheiro circula por mais setores da economia.

Um exemplo está no Festival de Inverno de Bonito de 2025. O evento reuniu programação cultural, arte, gastronomia e atividades diversas e movimentou cerca de R$ 23 milhões na economia local, mostrando como cultura e turismo podem caminhar juntos para ampliar a experiência de quem visita e gerar renda para quem vive no destino e já se prepara o Festival de 2026 que acontece no fim de agosto.

O valor da experiência para quem visita

Para o turista, a experiência agrega algo que uma fotografia ou uma lembrança comprada em uma loja dificilmente consegue entregar: memória afetiva.

É a sensação de entrar em contato com um ambiente diferente, ouvir histórias, experimentar sabores, conhecer pessoas e compreender a identidade daquele lugar.

E esse é justamente um dos grandes ativos de Mato Grosso do Sul. O Estado não precisa competir apenas pela quantidade de turistas. Pode se destacar pela qualidade da experiência oferecida.

A estratégia já vem dando resultados. Bonito foi eleito novamente, em 2026, o melhor destino de ecoturismo do Brasil, pela 19ª vez. Na votação popular, recebeu 17,6% dos votos, à frente de Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu.

Um turismo que gera valor

O crescimento do turismo de experiência representa uma oportunidade para Mato Grosso do Sul fortalecer um modelo de desenvolvimento baseado em natureza, sustentabilidade, cultura e economia local.

Em março de 2025, o faturamento turístico do Estado cresceu 11,7% na comparação com março do ano anterior, um dos maiores índices registrados entre os estados brasileiros naquele mês. A própria Fundação de Turismo destaca o avanço de segmentos como ecoturismo, turismo de aventura e pesca esportiva.

Mais do que números, esses resultados apontam para uma mudança importante: o visitante está procurando aquilo que não consegue encontrar em qualquer lugar. E Mato Grosso do Sul tem justamente esse diferencial.

 

Juliana Brum – correspondente região Sudoeste

 

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