Inspirada na vivência familiar, autora lança livro sobre a conscientização do autismo

Foto: Reprodução
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Lançamento da obra será no dia 14 de agosto, na Associação de Pais e Amigos dos Autistas da Capital

A escritora e bibliotecária de Campo Grande, Raiza Franco, lança, em agosto, o livro infantil ‘Um Mundo Especial’, uma obra inspirada na história de seu filho Kalel, diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista) aos três anos de idade. O lançamento contará com duas sessões gratuitas de contação de histórias abertas ao público na Capital, ambas com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras e monitores para atendimento às crianças.

Os encontros acontecem nos dias 14 de agosto, às 14h, na AMA (Associação de Pais e Amigos do Autista), localizada na Avenida Bandeirantes, nº 215, Bairro Amambaí, e 22 de agosto, às 16h, no Sesc Teatro Prosa, na Rua Anhanduí, nº 200, Centro.

Durante os eventos, o público poderá adquirir exemplares do livro. Também será disponibilizado acesso gratuito à versão em e-book e à audiodescrição da obra, ampliando o alcance e a acessibilidade do projeto.

Em Um Mundo Especial, os leitores acompanham um dia da rotina de Kalel, um menino com Transtorno do Espectro Autista. Com uma narrativa sensível e acolhedora, o livro apresenta situações do cotidiano sob a perspectiva da criança, contribuindo para que crianças, famílias e educadores compreendam melhor o universo do autismo e desenvolvam empatia, respeito e inclusão.

Uma mãe, um diagnóstico, uma história

A autora explica que a obra nasceu da própria vivência familiar. Mãe de Kalel e Isabelle, Raiza Franco transformou as descobertas, os desafios e os aprendizados vividos após o diagnóstico do filho em uma história capaz de aproximar diferentes realidades.

“O livro nasceu da nossa história, mas eu não queria falar apenas sobre o diagnóstico dele. Eu quis mostrar que toda criança tem sonhos, medos e um jeito único de enxergar o mundo. Aí eu escrevi de uma forma leve, divertida e acolhedora para incentivar a empatia. Espero que as crianças, as famílias, os educadores leiam e compreendam um pouco mais sobre o respeito e a sensibilidade que eu quis colocar no livro”, afirma Raiza Franco.

Segundo Raiza, Kalel frequentemente dizia que se sentia sozinho, pois queria brincar e fazer amigos, mas muitas crianças se afastavam por não compreenderem o TEA, o que a impulsionou ainda mais a criar o livro. “Ele tentava se aproximar e as outras crianças saíam de perto por não entenderem ele. Todo aniversário ele queria fazer festa e não tinha quem chamar”, relata. A autora afirma que percebeu que essa realidade também era vivida por outras famílias e viu na literatura uma forma de promover informação e empatia. “Muitas famílias passam pelo mesmo, por falta de informações, conhecimento ou convivência. Tentar chegar ao coração das crianças foi a forma que encontramos de ajudar”, destaca.

Raiza conta que optou por narrar a história a partir do olhar de Kalel porque queria aproximar as crianças desse universo de forma leve e sensível. Inspirada pela criatividade do filho, ela transformou as experiências vividas por ele em uma narrativa capaz de despertar identificação e empatia. “Ele gosta muito de criar histórias, e eu falei para ele que iria criar uma com as histórias dele para mais pessoas entenderem ele e as outras crianças autistas”, explica.

Para a autora, já existem muitos livros técnicos sobre o tema, mas faltavam obras que favorecessem o diálogo entre as próprias crianças. “Muitos livros técnicos e de estudos já existem, mas eles não aproximam as crianças umas das outras, nem fazem as outras pessoas se colocarem no lugar do outro, que é o que eu queria alcançar”, afirma.

Durante o processo de escrita, Raiza afirma que o maior aprendizado foi compreender o mundo do filho a partir da perspectiva dele. Segundo a autora, mais do que buscar respostas em terapias ou orientações, foi essencial exercitar a empatia e entender seus sentimentos e necessidades.

“Entrar no mundo dele foi o maior aprendizado. A gente, como mãe, sente todos os sentimentos de proteção e instinto pelos filhos, mas conseguir entender eles de fato, se colocar no lugar deles e sentir o que eles querem é muito mais importante do que regras, terapias e remédios”, destaca. Para ela, o principal desejo de uma criança autista é sentir que faz parte do ambiente em que vive. “O que ele precisa é de pertencimento”, conclui.

O projeto foi realizado com recursos do FMIC (Fundo Municipal de Incentivos Culturais), por meio da Prefeitura Municipal de Campo Grande e da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), reforçando o compromisso com a democratização do acesso à cultura e à literatura inclusiva.

Compreensão e acolhimento

Além da proposta literária, a autora destaca que a acessibilidade foi pensada como parte essencial da iniciativa, desde a concepção da obra até o lançamento.

“Para mim, a inclusão não podia acontecer só dentro do livro. Ela precisava estar presente em toda a experiência. Por isso que pensamos em acessibilidade desde a criação. E o lançamento acabou refletindo com recurso para que todo mundo pudesse participar. Eu espero, de verdade, que o projeto incentive outros eventos culturais a enxergar a acessibilidade como uma coisa essencial e natural, e não como um diferencial”, ressalta.

Durante os lançamentos, o público poderá adquirir exemplares do livro na versão impressa convencional e também em Braille. Para garantir a igualdade de acesso, todas as versões serão comercializadas pelo mesmo valor. Além disso, o projeto disponibilizará gratuitamente o e-book e a versão com audiodescrição da obra.

Ao falar sobre a mensagem que deseja transmitir com ‘Um Mundo Especial’, Raiza afirma que espera incentivar um olhar mais sensível para todas as crianças, independentemente de suas diferenças. Para ela, a infância deve ser vivida com imaginação, acolhimento e amizade. “Espero que vejam o mundo não só das crianças autistas, mas de todas elas com olhos de criança, que continuem sonhando e imaginando”, afirma.

A autora ainda destaca que o afeto e o sentimento de pertencimento são fundamentais para o desenvolvimento infantil. “O que mais ajuda uma criança a crescer bem, feliz e saudável é ter amigos e amor por perto, independentemente de diferenças, classe, dificuldades ou religião. Quero que as pessoas entendam que o que uma criança mais deseja é ter um amigo por perto e alguém com quem compartilhar as coisas boas e as dificuldades do dia a dia”, conclui.

Mais informações sobre o projeto podem ser acompanhadas pelo Instagram @livroummundoespecial.

 

Por Carolina Rampi

 

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