Grupo de teatro é o primeiro do Estado a participar do projeto do Sesc Brasil e percorrerá o país com o espetáculo “A Fabulosa História do Guri-Árvore”
O teatro de Mato Grosso do Sul, conhecido pela criatividade e paixão de seus grupos de artes cênicas, agora ganha projeção nacional. O Grupo Fulano di Tal foi selecionado para o 27º Palco Giratório do Sesc, sendo o primeiro grupo de teatro do estado a integrar o maior projeto de itinerância de artes cênicas do país. Com apresentações em 18 estados, a temporada busca levar a arte e o repertório cultural de MS a diversas regiões, compartilhando a riqueza artística do estado com o Brasil.
O projeto será lançado no Recife entre os dias 25 e 27 de abril e, nesta edição, além de prestar uma homenagem ao circo, trará também diversas expressões culturais como humor, poesia, música, teatro e dança. Os temas abordados irão ser desde a influência dos povos ancestrais e espiritualidade até questões sobre relações familiares e inclusão social. A celebração começará com o projeto social da Escola Pernambucana de Circo, sob a liderança de Fátima Pontes, dando início às homenagens à arte circense.
Serão 18 estados, 33 apresentações, 6 oficinas, 4 intercâmbios e 4 mesas redondas por 96 cidades até dezembro, levando à plateia teatro, circo, dança, performances e teatro infantil. A grandiosidade do projeto se mostra pela diversidade regional dos artistas, das linguagens e pelo número de espetáculos que chegará ao público. A programação poderá ser acompanhada no site e redes sociais do Sesc em cada Estado.
Manoel de Barros para o Brasil
Em entrevista ao Jornal O Estado, o coordenador do Grupo Fulano di Tal, Marcelo Leite, explicou que o grupo foi indicado pelo Sesc de Campo Grande para uma seletiva nacional do Palco Giratório. A escolha final foi feita por 27 curadores de todo o Brasil, que selecionaram 16 espetáculos para circular por 96 cidades até dezembro. “A Fabulosa História do Guri-Árvore” foi um dos escolhidos para a 27ª edição do projeto.

Fotos: Vaca Azul/Helton Perez e Hana Chaves
“É a primeira vez que um grupo de teatro de MS participa do Palco Giratório. Fiquei muito emocionado quando soubemos, ao ser um reconhecimento nacional do nosso trabalho, que traz as histórias do nosso quintal. Tudo é inspirado em artistas regionais conhecidos no Brasil, como Manoel de Barros, Conceição dos Bugres, Lídia Baís, Wega Nery e a Professora Maria da Glória Sá Rosa, a professora Glórinha”, explica Marcelo.
O espetáculo “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, do Grupo Fulano di Tal, é conduzido por dois jovens artistas, Edner Gustavo e Douglas Moreira, que, além de atuarem, são responsáveis por todos os aspectos cênicos, como cenário, figurinos, maquiagem, iluminação e objetos de cena. O espetáculo tem direção de Marcelo Leite, que destaca o talento e a dedicação dos jovens em criar uma experiência única para os espectadores.
“O espetáculo estreou em 2019, com dramaturgia de Edner Gustavo e Manolo Schittcowisck, que a partir de histórias de suas infâncias e tendo como inspiração o “Livro sobre Nada” de Manoel de Barros, criaram o texto do espetáculo. Em 2020 com a entrada do Douglas Moreira, recriamos o espetáculo do zero com uma nova encenação. Tudo feito e pensado a partir da poética de Manoel de Barros e nas histórias dos nossos quintais. Na circulação vão estar o elenco Edner Gustavo e Douglas Moreira, o iluminador e técnico de luz Breno Lucas e o sonoplasta e diretor do espetáculo Marcelo Leite. Os demais integrantes do grupo ficam em Campo Grande dando continuidade ao nosso trabalho”, detalha.
A homenagem ao circo na 27ª edição é, para Marcelo, mais que merecida. Ele destaca que o circo de lona, as famílias circenses e os artistas solo, com suas acrobacias, malabarismos e números de mágica, são fundamentais para a cultura brasileira. No caso do Grupo Fulano di Tal, Marcelo enfatiza que a relação com o circo é forte, e no espetáculo “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, há muitos elementos inspirados nas tradições circenses, que ajudam a construir cenas memoráveis. “O circo faz parte da nossa cultura e do nosso imaginário desde a infância. Para muitos, é o primeiro contato com a arte”, comenta.

Foto: Vaca Azul/Helton Perez e Hana Chaves
O Grupo está ansioso pelo impacto que o Palco Giratório terá nas comunidades que irão assistir aos espetáculos. O coordenador espera uma troca de afetos entre o grupo e as plateias, e deseja levar a arte do Fulano di Tal, de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, para todo o Brasil.
“Estamos empolgados com esse encontro com o público que ainda não conhece nosso trabalho, mas que reconhece o maior poeta do nosso Estado, Manoel de Barros. O objetivo é fazer um intercâmbio cultural entre o teatro que é feito aqui e o que é feito em outras partes do país, abrangendo todos os públicos, do Oiapoque ao Chuí. Além de que é um espetáculo muito afetivo no sentido de representar o quintal, em que muitas vezes, o público mais adulto se identifica, relembrando as suas brincadeiras e histórias de infância e as crianças conhecem outra forma de brincar e contar histórias”.
Equipe
O Grupo Fulano di Tal foi tomado pela emoção ao receber a notícia de que foi selecionado para integrar a programação da 27ª edição do Palco Giratório, marcando a primeira vez que um grupo de teatro de Mato Grosso do Sul participará do projeto. Anteriormente, apenas a dança havia sido representada no evento, com a participação de grupos como Ginga de Dança, Dançurbana e, no ano passado, Jack Mourão e Reginaldo Borges com o espetáculo “Procedimento 6”.
Edner Gustavo, ator, dramaturgo e encenador do espetáculo “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, aponta que após anos de trabalho e apresentações em Campo Grande e outros municípios do Estado, o grupo agora circula pelo Brasil, marcando um importante ponto na sua trajetória de 22 anos.
“É uma grande felicidade para nós, que já temos 22 anos de trabalho ininterrupto no estado. Isso traz uma grande responsabilidade de manter essa oportunidade aberta e expandir. Vemos esse momento como uma chance de refletir sobre o isolamento geográfico, de investimento e estético que vivemos no estado, e de compartilhar o teatro de MS com outros grupos de todo o Brasil e do mundo. Nossa expectativa é que essa colaboração continue nos próximos anos, permitindo que mais grupos do estado participem”.

Foto: Vaca Azul/Helton Perez e Hana Chaves
Douglas Moreira, ator e um dos criadores do espetáculo A Fabulosa História do Guri-Árvore, vê a participação no Palco Giratório 2025 como o reconhecimento de muito trabalho e esforço. Desde o início do espetáculo, o grupo tem se dedicado a trazer novidades e explorar novas possibilidades para aprimorar a apresentação, o que também reflete as trajetórias individuais dos artistas e suas contribuições para o Teatro Sul-Mato-Grossense.
“Em algumas cidades vamos fazer o pensamento giratório, uma roda de conversa com as pessoas, falando sobre o nosso trabalho. E o espetáculo ele fala muito sobre o Mato Grosso do Sul, sobre o nosso quintal. Então poder levar esse trabalho, levar o nosso quintal, levar o nosso Mato Grosso do Sul, pessoas importantes aqui para o nosso estado, vão estar sendo levadas para outros estados. Isso para a gente é muito gratificante, motivo de muita alegria”, reflete Douglas.
Breno Lucas, iluminador e técnico de luz do espetáculo, vê a participação no Palco Giratório como uma grande conquista pessoal e profissional. Para ele, é uma oportunidade de levar a arte de Mato Grosso do Sul para todo o Brasil, mostrando a qualidade das produções e o talento dos artistas locais.
“É um sonho sendo realizado, quero absorver o máximo, trocar com outros artistas, aprender e fortalecer a cena teatral do MS no cenário nacional. Acredito que essa turnê abre portas não só para mim, pro grupo, mas para muitos outros profissionais que sonham em ocupar esses espaços. Estamos trabalhando intensamente para representar bem nossa arte e garantir que nossa casa seja vista e reconhecida em todo o país”, finaliza Breno.
O projeto Palco Giratório é uma iniciativa do Sesc, criada em 1998, com reconhecimento nacional e cultural no Brasil. Sendo um dos maiores projetos de itinerância artística, ele promove o intercâmbio entre diversas manifestações culturais, conectando plateias com uma ampla gama de temas e linguagens artísticas. Ao longo dos anos, o projeto já contou com a participação de 412 grupos artísticos de diferentes regiões do país, oferecendo cerca de 10.000 apresentações a um público estimado em mais de 5 milhões de espectadores.
A programação completa será divulgada em breve pelo site oficial do Sesc Brasil sesc.com.br.
Por Amanda Ferreira
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