Exposição ‘Amarras’ retrata exploração de animais migratórios do Pantanal

Santiago Belacqua com o diretor do jornal O Estado, Jaime Valler e Delasnieve Daspe - Foto: Nilson Figueiredo
Santiago Belacqua com o diretor do jornal O Estado, Jaime Valler e Delasnieve Daspe - Foto: Nilson Figueiredo

Criadas pelo artista português Santiago Belacqua, as obras promovem olhar apurado, principalmente para a conscientização ambiental

Campo Grande vive, nesta semana, um encontro raro entre arte, espiritualidade e consciência ambiental com a presença do artista plástico português Santiago Belacqua, reconhecido internacionalmente por sua produção em arte sacra contemporânea. Até o dia 31 de março, a Capital recebe uma programação que reúne exposições, apresentações culturais e agendas institucionais, resultado de uma articulação liderada pela escritora e produtora cultural Delasnieve Daspet, em parceria com a UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul).

No centro dessa agenda está a exposição “Amarras”, inaugurada nesta quinta-feira (26) na ALEMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). A mostra propõe uma reflexão simbólica e impactante sobre a relação entre o ser humano e a fauna, especialmente as espécies que sofrem com alterações em seus habitats em razão das mudanças ambientais.

Belacqua explica que a concepção da obra partiu de um gesto direto e provocador: amarrar simbolicamente 18 animais com cordas. “Procuro mostrar, simbolicamente, a dependência que existe da fauna em relação ao ser humano. ‘Amarrei’ 18 animais com cordas, quase todos são espécies migratórias, incluindo a cegonha e o tuiuiú. Também estão outros de Mato Grosso do Sul que não são migratórios, como a arara-azul, a onça e o cavalo pantaneiro. Espero que nunca sejam obrigados por nós a mudar de habitat”, afirma.

A escolha do tema dialoga diretamente com a realização da COP15, que neste ano reforça o debate sobre a conservação da biodiversidade e a relação entre sociedade e meio ambiente. A partir dessa conexão, Delasnieve apresentou ao artista referências da fauna sul-mato-grossense por meio de fotografias, que serviram de ponto de partida para a criação das obras.

Para a curadora, a intenção da exposição é clara: provocar incômodo e reflexão. “O que nós gostaríamos é que as pessoas percebessem o quanto nós, seres humanos, temos atrapalhado a convivência com os outros seres vivos”, explica Delasnieve.

Ela destaca que os animais retratados representam o Pantanal e o Estado. “Esses são os animais do nosso Pantanal, do nosso estado, que foram retratados por ele. O único animal que migra entre todos esses é o tuiuiú. Essas amarras mostram o que nós temos feito com os outros seres vivos. Somos nós. Na verdade, o maior predador é o homem. A ideia é chamar a atenção para essa situação”.

Recepção

Belacqua se diz profundamente tocado pela acolhida em Campo Grande. “Espero que as pessoas sintam o que eu sinto. Precisamos fazer um pouco mais pelo mundo. Precisamos cuidar melhor dele, porque, se não fizermos isso, um dia o problema será tão grande que nada mais será possível”.

Sobre a recepção do público, ele não esconde a emoção. “Isso me faz sentir muito honrado. A recepção e todo o carinho que tenho recebido são realmente emocionantes. Até hoje, fiquei um pouco nervoso ao ver tantas pessoas na minha frente. Não sei se mereço tanto”.

O artista ainda ressalta a relação que construiu com brasileiros ao longo da vida. “Eu já conhecia muito bem o calor humano dos brasileiros. Convivi com brasileiros por muito tempo em Portugal e também morei dois anos e meio em São Paulo. Acho que os brasileiros são naturalmente assim com os estrangeiros. Nem sei se ainda me sinto um estrangeiro aqui”.

Intercâmbio

Na Assembleia, a mostra também promove um intercâmbio com artistas regionais: Patrícia Helney, Fernando Angeloni, Marcos Aurélio de Oliveira, Erika Rando, Ana Maria Rabacow, Alan Vilar e Lucia Monte Serrat participam da exposição. Para Belacqua, a troca é fundamental. “É honroso partilhar esse espaço com artistas locais, porque ele já pertence a eles. É uma troca importante, onde todos crescem e ganham visibilidade”.

A iniciativa também tem como meta projetar nomes sul-mato-grossenses no cenário internacional, a partir dessa conexão artística e institucional.

Reconhecimento

A abertura da exposição, na manhã do dia 26, contou com apresentação cultural, homenagens e uso da tribuna pelo artista na Assembleia. À noite, ele foi homenageado na Academia Feminina de Letras e Artes de MS durante o jantar do Prêmio Mulher Destaque 2026.

Para o diretor do jornal O Estado, Jaime Valler, a presença de um artista internacional em Mato Grosso do Sul reforça o papel da comunicação na pauta ambiental. “É muito importante essa exposição para o jornal, de um artista internacional, isso enaltece o nosso veículo. Cada dia mais precisamos fazer e pensar no meio ambiente, para conscientizar as pessoas que o planeta tem que ser cuidado”.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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