Aos 75 anos, Zé Lobreiro lança “Vila DuZé: O Santuário das Almas Entrelaçadas” nesta quarta-feira (16), em evento gratuito com música ao vivo no Teatro do Mundo
Depois de mais de quatro décadas dedicadas à medicina veterinária, uma trajetória acadêmica na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), experiências internacionais, música e uma década de idas e vindas à Índia, José Carlos Thimoteo Lobreiro, de 75 anos, estreia agora na literatura. Em Campo Grande, cidade onde vive desde 1973, ele passa a assinar artisticamente como Zé Lobreiro.
O lançamento do livro “Vila DuZé: O Santuário das Almas Entrelaçadas” será realizado nesta quarta-feira (16), às 20h, na Estação Cultural Teatro do Mundo. A entrada é gratuita e a programação contará ainda com música ao vivo, incluindo uma apresentação do próprio autor.
Com mais de 100 páginas, a obra reúne personagens que, segundo Lobreiro, carregam diferentes aspectos de sua própria trajetória e servem como ponto de partida para reflexões sobre a existência, espiritualidade, ciência e as experiências humanas.
A história se passa em uma vila cercada por elementos de realismo mágico e reúne personagens como Zezé Rezadeira, Dr. Lumíolo Waves e Analuz Vida. Cada um deles representa uma perspectiva diferente sobre questões relacionadas à vida, ao conhecimento e à busca por respostas.
“Vila DuZé” combina realismo mágico, filosofia oriental e referências à neurociência. A narrativa convida o leitor a refletir sobre questões como quem somos, de onde viemos e para onde vamos, sem necessariamente buscar respostas definitivas.
Um dos personagens, Zezé Rezadeira, representa a conexão com os antepassados. A personagem tem como uma de suas características a prática de reverência à árvore genealógica, tema que também faz parte das experiências pessoais do autor.
“Nem todos os nossos antepassados a gente conheceu, tampouco sabemos o nome, mas a nossa existência só foi possível graças a eles. Eu, pessoalmente falando, escolho um de cada para saudar cada um dos meus antepassados, para fazer um agradecimento, uma reverência. Isso é em sinal de respeito com a minha árvore genealógica”, explica.
Outro personagem é Dr. Lumíolo Waves, um cientista apaixonado pelo funcionamento do cérebro que deixa a universidade em busca de respostas para questões que vão além do conhecimento acadêmico. A trajetória do personagem dialoga com a própria experiência de Lobreiro entre ciência e espiritualidade.
Já Analuz Vida é uma viajante de aproximadamente 60 anos que percorre diferentes lugares em busca de conhecimento e mantém uma relação especial com o budismo.
A literatura surge depois de uma vida marcada por diferentes áreas de atuação. Natural de Salto Grande, em São Paulo, Lobreiro chegou a Campo Grande aos 22 anos. Na cidade, cursou medicina veterinária e construiu uma carreira acadêmica de mais de uma década na UFMS. Também passou por períodos de formação nos Estados Unidos, onde fez mestrado, e na Itália, onde realizou especialização.
Na medicina veterinária, trabalhou por mais de 40 anos, com pesquisas relacionadas à pecuária orgânica. Paralelamente, manteve uma relação com a música que começou ainda na infância.
“Naquele tempo eu ficava na cozinha escutando o rádio no programa A Lira do Xopotó, da Rádio Nacional, e ficava batucando na lata de bolacha enquanto escutava as músicas”, relembra.
Em Campo Grande, participou do Grupo Regional de Choro Agemaduomi, conhecido pelas apresentações de choro e samba no início dos anos 2000. O grupo também participou de manifestações e eventos de conscientização ambiental, entre eles o “Show pela Natureza”, realizado em 2006.
A relação com a cultura sul-mato-grossense também inclui nomes como a professora Maria da Glória Sá Rosa, Albana Xavier, Hildebrando Campestrini, Américo Calheiros e Jair Damasceno. Lobreiro também integrou a Orquestra Clássica do maestro Diniz e o grupo Madeira e Metais, sob regência do maestro Tarcizio.
Outra experiência marcante foi a relação com a Índia. Durante cerca de dez anos, o artista fez viagens de ida e volta ao país em uma busca que, segundo ele, envolvia conhecimento, reflexão e novas experiências. O contato com a espiritualidade e com diferentes formas de compreender a existência também aparece na construção de “Vila DuZé”.
A decisão de escrever o livro veio da vontade de compartilhar parte dessa trajetória. Lobreiro conta que passou a perceber a obra como uma forma de reunir experiências e reflexões acumuladas ao longo da vida.
“Devido a minha inquietude, de querer e viver sempre mais, hoje posso compartilhar de várias reflexões, claro que para aqueles que já se interessam por isso”, afirma.
A escolha do nome Zé Lobreiro também carrega um significado pessoal. Segundo o autor, ele é o último Lobreiro da família e decidiu preservar o sobrenome como parte de sua identidade artística.
O projeto, no entanto, pode não terminar no livro. Lobreiro já pensa em adaptar a história para outras linguagens, como teatro e audiovisual.
“Minha vontade ainda é transformar a história da obra literária em uma peça de teatro ou produto audiovisual. Tudo o que está no livro, de alguma forma, são minhas experiências de vida ou algo em que eu acredito. Apresento os personagens quase como se fossem arquétipos do meu eu, do ser humano. E trago questionamentos. Onde estamos? o que estamos fazendo aqui? de onde viemos? Esses questionamentos eu tive desde pequeno, é quase como um estímulo para a reflexão conjunta”, afirma.
Para Fernando Lopes Lima, diretor do Teatro do Mundo, a estreia literária representa mais uma faceta da trajetória artística de Lobreiro.
“Ele é um artista que eu conheço muito bem como músico e agora vou conhecer como escritor. É uma pessoa inquieta, pensante, interessante e que tem muito para contribuir com a literatura. Já a Estação Cultural Teatro do Mundo é um ambiente que é para agregar o artista ao seu público, juntar artistas e gente interessada em literatura, cinema, teatro, música e poesia.”
Serviço
“Vila DuZé: O Santuário das Almas Entrelaçadas”
16 de setembro de 2026, às 20h
Estação Cultural Teatro do Mundo
Entrada gratuita
Programação com música ao vivo e apresentação do autor