Entre humor, emoção e espiritualidade, espetáculo percorre quatro cidades de MS e aborda os laços que vão além da família
Um casal recém-casado. Móveis antigos, comparados para decorar a casa. Entretanto, com os itens, alguns ‘visitantes’ inesperados. Essa é a premissa da peça ‘Eu sempre vou te amar – Part II’, da companhia Arte Boa Nova, que estreia em Campo Grande neste mês de setembro, no Teatro Allan Kardec.
Com texto de Nelson Peixoto, o espetáculo une humor, emoção e reflexões sobre a convivência familiar em quatro cidades de Mato Grosso do Sul. Baseada nas teorias de Allan Kardec, educador, escritor e responsável por ‘codificar’ o espiritismo, a peça segue uma vertente espiritual e sensível de grandes sucessos do cinema e da televisão brasileira, como o clássico filme ‘Ghost – Do Outro Lado da Vida’ e a novela ‘A Viagem’.
Entre o plano físico e o espiritual
A trama acompanha a rotina de dois recém-casados que, em meio aos desafios do início da vida a dois, decidem adquirir peças épicas em uma loja de antiguidades. O que eles não imaginavam é que, apegados aos móveis, alguns espíritos pegariam “carona” para a nova residência.
Entre os desentendimentos naturais do jovem casal e a interferência hilária e divertida da empregada da família, que acaba se envolvendo diretamente nos problemas que surgem, a peça constrói uma narrativa leve e envolvente. Muito além do riso, o espetáculo convida o público a compreender conceitos nobres do relacionamento humano, como a gentileza, o amor, o respeito e a tolerância que a convivência familiar nos propõe diariamente.
“O texto original nasceu a partir das explicações sobre psicometria abordada no capítulo 20 da obra ‘Nos domínios da Mediunidade’ de André Luiz, psicografada por Francisco Candido Xavier, surgindo assim a ideia de montar um espetáculo teatral leve, divertido, porém nobre e elucidativo para todo tipo de público”, explicou Nelson Peixoto, em entrevista ao Jornal O Estado.
Embora trate de conceitos presentes na doutrina espírita, a montagem aposta principalmente na comédia romântica para desenvolver sua história e seus personagens. Segundo Nelson, a liberdade da própria arte, que não se prende a valores ou preceitos, foi essencial para que houvesse equilíbrio entre entretenimento e reflexão.
“A arte por si só tem a função de acrescentar valores, debater ideias, discutir conceitos e indicar caminhos para a intelectualidade humana de uma maneira livre e prazerosa. Consciente disto, unir as propostas novas em torno da ciência e da filosofia apresentada pela codificação Espírita foi algo prazeroso que a dramaturgia teatral nos possibilitou materializar com grande sucesso e aceitação pela heterogeneidade de público”.
Laços
A história de “Eu sempre vou te amar” parte da família para discutir relações que ultrapassam os laços de sangue. Para o dramaturgo, ampliar esse conceito é uma forma de mostrar que convivência, respeito, tolerância e amor estão presentes em diferentes relações humanas.
“Quando o enredo de ‘Eu sempre vou te amar’ toma por exemplo a família constituída nos moldes restritos que a compreendemos, objetivamos com isto ampliar o conceito de maneira genérica dentro das relações humanas. Qualquer pessoa com quem mantemos trocas de conhecimentos, experiências e valores indiretamente está inserida no nosso conceito de família pelo ponto de vista da proximidade e interação. Com isso, temas como respeito, tolerância e amor são a lição de cada dia para garantir a felicidade e a harmonia social”, explica.
Em contagem regressiva para a estreia de Campo Grande, Nelson já prevê uma nova temporada de sucesso e muito aprendizado para quem for conhecer a peça.
“Espero que o público leve para casa otimismo, alegria e prazer de viver na certeza de que podemos transformar nossa própria história numa história feliz. O mundo precisa de histórias felizes, e por que não a minha, a sua, a nossa?! “.
Mais de três décadas de tradição
A realização do espetáculo fica a cargo da Companhia de Arte Boa Nova, que há 37 anos se consolida como uma das companhias mais conceituadas e respeitadas de Mato Grosso do Sul. Conhecida por produzir eventos artísticos e culturais em que o entretenimento caminha lado a lado com o aprendizado, o belo e o bem, a Boa Nova traz mais uma vez uma produção impecável voltada para toda a família, independentemente de idade ou segmento social.
Com essa trajetória, a Companhia de Arte Boa Nova aposta na descentralização como forma de ampliar o acesso ao teatro e à cultura em Mato Grosso do Sul. Para o grupo, levar a produção a diferentes cidades é uma maneira de compartilhar conhecimento e contribuir para o desenvolvimento social. “A arte e a cultura não têm sentido de existir quando se restringem a poucos. A evolução civilizatória humana, em verdade, guarda profunda proporcionalidade ao avanço desses dois grandes marcos de conquistas. Portanto, dividir, descentralizar e desmonopolizar será sempre uma demonstração de sabedoria e progresso”, afirma Nelson.
A peça já passou por Dourados e Aquidauana. Neste domingo (5) estreia em Ponta Porã e nos dias 12, 13, 19 e 20 de setembro, em Campo Grande, encerrando no dia 26 no município de Três Lagoas.
Por Por Carolina Rampi
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