Projeto exibe curtas locais e promove roda de conversa com mais de 170 alunos na Escola Municipal Professor Antonio Lopes Lins
A manhã desta sexta-feira, 21, foi de cinema na Escola Municipal Prof. Antonio Lopes Lins, no bairro Portal Caiobá. O projeto ‘Cine CG nas Escolas’ realizou duas sessões para mais de 170 alunos do 5º e 6º ano, com idades entre 10 e 11 anos. Estiveram presentes a produtora cultural e proponente do projeto, Aline Rezende, e os cineastas sul-mato-grossenses Filipi Silveira e Ara Martins.
Para Aline, a recepção nas escolas tem sido positiva. “É um prazer muito grande estar na rede municipal. Eu já convivo com ela há muitos anos. A receptividade de professores e alunos é muito boa”, afirma.
As edições começaram em março e seguem até 29 de setembro. A previsão é encerrar o projeto entre os dias 5 e 10 de outubro. A próxima sessão será na Escola Imaculada Conceição. A proposta é levar a experiência do cinema para dentro da sala de aula. “Quando eles chegam e encontram essa atividade, é literalmente como se tivesse um cinema dentro da escola. Eles têm a oportunidade de conversar com produtores e artistas da nossa própria região”, explica Aline.
Um dos critérios do projeto é exibir apenas curtas e animações produzidos em Mato Grosso do Sul. “Todos os trabalhos são de artistas do nosso Estado”, pontua a produtora. Os temas variados acabam gerando identificação. “Temos filmes que abordam drogas, bullying e outras questões sociais. Há uma animação sobre bullying cultural, quando uma pessoa diz que a cultura dela é melhor que a do outro. As crianças assistem e relacionam com o dia a dia. Às vezes falam: ‘Professora, hoje aconteceu isso comigo no recreio’”, conta.
Para o ator e cineasta Filipi Silveira, o projeto ajuda a formar público. “É um trabalho de formiguinha. A gente nunca sabe quando pode estar estimulando alguém. E não precisa ser artista para gostar de arte”, diz. Rever seus próprios filmes nas escolas também emociona. “Exibi um curta com meu pai. Fazia muito tempo que eu não assistia. Chorei e não consegui dar a palestra naquele momento”, relembra. O pai de Filipi morreu em 2017. “É isso que o cinema faz: ele é eterno. Você sempre volta para uma obra e encontra algo diferente. E tem a troca com os jovens, que são o público de amanhã. Eu aprendo muito mais com eles”, completa.
Filha de professor, a cineasta Ara Martins destaca o poder transformador da união entre arte e educação. “Voltar para as escolas é dar continuidade a uma história”, afirma. “Um filme pode viajar sem a nossa presença. Já tive trabalhos exibidos em Angola, Rússia e Ucrânia. Mas quando estamos presentes, vemos o sorriso, a emoção da criança. Recebemos o retorno do que tocou nela”, finaliza.
Carolina Rampi e Marcelo Rezende
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