Capital das Feiras! feiras de bairro movimentam espaços públicos e fortalecem pequenos negócios

Foto: @horrordocerrado
Foto: @horrordocerrado

Campo Grande, a Capital Morena, está cada vez mais recheada de cultura, arte e criatividade. Aos fins de semana, praças e espaços públicos se transformam em pontos de encontro para famílias e, principalmente, em vitrines para artesãos, músicos, produtores culturais e pequenos empreendedores. Em um cenário de crescimento das feiras culturais de bairro, esses eventos vêm movimentando a economia criativa e ampliando os espaços de divulgação e geração de renda para quem vive da própria produção artística.

O jornal O Estado mapeou as principais feiras de Campo Grande para você conhecer, aproveitar com a família e descobrir como esses espaços estão ajudando a fortalecer a arte e a cultura da cidade. A reportagem também conversou com organizadores e participantes para entender como as feiras cresceram, quais são as diferenças entre elas e de que maneira têm se tornado importantes para a economia criativa de Mato Grosso do Sul.

Foto: Vinicius Bracht

Feira do União

Idealizada por Mayara Jara, Ketlen da Silva e Carlos Afonso Júnior, a Feira do União nasceu com a proposta de levar cultura, entretenimento e geração de renda ao Conjunto União. Realizada na Praça Generoso da Costa Benevides, em frente à região da Padaria União, a iniciativa reúne atualmente cerca de 30 expositores, entre artesãos, empreendedores da gastronomia e produtores culturais. O que começou com poucos participantes cresceu a cada edição e transformou a praça em um ponto de encontro para moradores e trabalhadores da economia criativa.

“Queremos que a feira seja um espaço de oportunidade para quem está começando e ainda não tem onde mostrar o próprio trabalho. Também queremos trazer artistas locais e criar um ambiente em que as pessoas possam conhecer novos talentos, consumir produtos feitos por quem mora na região e, ao mesmo tempo, aproveitar a praça como um espaço de convivência. A nossa intenção é continuar nos reinventando e fazer com que cada edição tenha algo novo para o público”, conta

Feira Panamá

Foto: Divulgação

Realizada todo segundo domingo do mês, na Praça do Panamá, no Jardim Panamá, a Feira Cultural e Economia Criativa do Panamá reúne atualmente cerca de 100 expositores e se consolidou como um dos principais pontos de encontro da região. Idealizada por Maria de Fátima Rodrigues Dias Gonzalez, a iniciativa nasceu em outubro de 2024 com a proposta de aproximar cultura, lazer e empreendedorismo da comunidade. O movimento se somou às atividades já realizadas na praça, como aulas de dança, funcional e pilates, contribuindo para transformar o espaço em um ambiente de convivência e valorização da produção local.

“O que mais diferencia a feira é justamente esse encontro entre as pessoas. A praça ganha vida, surgem novas histórias, amizades e oportunidades. O crescimento também acontece porque os expositores acreditaram no projeto e ajudaram a construir esse espaço junto com a gente. Ainda enfrentamos desafios de estrutura, recursos e atrações, mas cada edição é uma nova história e uma oportunidade de melhorar. Tudo é feito com muito trabalho e, na medida do possível, com recursos próprios, sempre pensando em oferecer um espaço cada vez mais acolhedor para quem expõe e para quem visita”, afirma.

Feira MS+Underground

A Feira MS+Underground, localizada na Praça Cuiabá, situada na Avenida Noroeste / Vila Alba (região da Orla Morena) surgiu como uma das primeiras ações do coletivo que vinha se articulando para fortalecer a cena underground de MS.

Gestora cultural do movimento, Karla Waleska de Melo explica que os diálogos começaram em março de 2024 e resultaram na primeira edição da feira, realizada em agosto daquele ano. Desde então, a iniciativa vem criando um espaço para bandas, artistas e diferentes expressões da cultura underground, aproximando o público da produção autoral feita no Estado.

“Somos um movimento político e cultural, e isso faz parte da nossa identidade. Não se trata apenas de reunir bandas ou organizar uma feira, mas de criar um espaço de expressão, de resistência e de valorização do que é produzido no underground sul-mato-grossense. Temos nossas próprias bandeiras e defendemos a cena autoral daqui. A cada edição, buscamos diversificar os gêneros, trazer novas propostas e fortalecer essa comunidade que se reconhece e se identifica com o movimento”, explica.

Foto: Arquivo Pessoal

Oh Fuxico da Mata

A experiência como expositora foi o ponto de partida para Alyne Fernandes se envolver com a criação da Oh Fuxico da Mata, ao lado de Priscila Queiroz e Thainá de Almeida. A feira, realizada todo terceiro sábado do mês, das 17h às 22h, na Avenida Alberto Araújo Arruda, no Mata do Jacinto, reúne artistas locais, artesãos, empreendedores da gastronomia e outros segmentos. A proposta é aproximar os moradores de atividades culturais e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades para pequenos negócios em um espaço de convivência no próprio bairro.

“A gente quer que o público tenha vontade de voltar não só para comprar, mas para viver aquele momento. Que possa comer, ouvir música, encontrar os amigos e levar a família. Para os expositores, queremos ser uma porta de entrada para quem está começando e precisa de visibilidade. Como a feira ainda está construindo sua história, também temos a liberdade de ouvir quem participa e ir melhorando a cada edição. Nosso desejo é que ‘Oh Fuxico da Mata’ vire sinônimo de um lugar onde sempre tem coisa boa acontecendo”, revela.

Feira Ziriguidum

Criada por Luanna Rabelo Peralta, produtora e gestora cultural, a Feira Ziriguidum tem suas raízes no Sarau Ziriguidum, iniciado em 2014 e marcado pela presença de intervenções artísticas e expositores. Após uma pausa, o projeto foi retomado em 2023 com foco na economia criativa e passou a ocupar, todo primeiro sábado do mês, a Praça do Preto Velho. A iniciativa reúne diferentes linguagens artísticas e produtores em uma programação que busca ampliar o acesso à cultura e valorizar quem movimenta a produção independente.

“Para mim, o grande diferencial é a diversidade cultural. Acredito que a arte salva e que a feira precisa ser um espaço de acesso para todos. A Ziriguidum também é sobre acolher, ouvir e valorizar os expositores, porque esse crescimento é construído junto com eles. Por isso, buscamos sempre evoluir de forma coletiva e trazer uma programação que vá além da música, abrindo espaço para diferentes intervenções artísticas e para a diversidade em todas as suas formas”.

Bosque da Paz e Mixturô

Idealizada por Carina Zamboni, a Feira Bosque da Paz nasceu da relação da família com o artesanato. Curitibana, ela cresceu na tradicional Feirinha do Largo da Ordem, em Curitiba, vendendo ao lado da mãe e da avó. Ao chegar a Campo Grande, trouxe o desejo de recriar esse ambiente, unindo artesanato, economia criativa e convivência. A proposta também deu origem à Mixturô, que reúne diferentes produtos e pequenos negócios.

“Como também somos artesãs, entendemos as necessidades de quem está do outro lado. Temos uma preocupação com a curadoria, a organização dos segmentos e a experiência do público. Buscamos inovar a cada edição e valorizar os expositores. Hoje vejo o Bosque da Paz e a Mixturô como um ecossistema de pequenos negócios, artesãos, artistas e famílias que cresceram juntos”, finaliza.

 

 

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